– 𝕱𝖑𝖆𝖘𝖍𝖇𝖆𝖈𝖐: início de 2023. Starter fechado com @khaninkul
Havia, praticamente, o arrastado para longe da briga. Não era a primeira que o via se meter, mas era a primeira em que o vira levar um soco capaz de o machucar, então interviu imediatamente. A estufa abandonada foi o lugar escolhido, e sem dizer nada, ela o levou até o fundo do lugar. "Espere aqui. Estou mandando." Avisou, com autoridade na voz. A passos largos e rápidos, ela chegou até a enfermaria. Sem ser vista, conseguiu alguns itens de primeiros socorros, e voltou com a mesma pressa para a estufa. Não esperava, ao menos não totalmente, que fosse o encontrar lá, ainda a esperando. Mas não demonstrou a surpresa ao vê-lo. Apenas se sentou de frente para ele, molhando um pano para limpar o sangue do rosto de Khanin. "Você já deve saber, mas isso vai arder."
Khanin já não se lembrava mais do motivo da briga. Isso era, no mínimo, curioso, considerando o quão furioso desferia socos e chutes no alvo de sua raiva. Tudo o que conseguia pensar era em arrancar o máximo de sangue possível, afinal, tinha que calar aquela sede de alguma forma. Mesmo sem saber a razão — não que isso fizesse qualquer diferença, na verdade —, ele claramente cedeu à violência para extravasar tudo o que guardava. O soco que recebeu em retribuição ao ataque quase não se fez sentir em Khanin, de tão em fúria que estava naquele momento. Caso Zvezdana não tivesse intervindo na briga, continuaria ali até que apagasse o outro de vez.
Khanin não esperava aquela reviravolta, e isso explicava o porquê de tê-la seguido até a estufa abandonada e ter esperado quando ela lhe exigira que o fizesse. Quando percebeu que ela estava ali para ajudá-lo com seus machucados, ficou sem reação por algum tempo. Ninguém nunca fizera isso antes. A respiração estava pesada e a confusão em seu rosto era evidente. “Não precisa…” Murmurou de forma imediata ao vê-la molhar o pano para limpar o sangue, mas as palavras não soaram tão confiantes como gostaria. “Eu já lidei com coisa pior.” Não sabia exatamente por que tinha dito aquilo, mas era verdade. Sem saber como agir realmente, apenas deixou escapar, incapaz de refrear as palavras que se seguiriam. “Por quê?” Se a estufa não estivesse mergulhada em um silêncio tão opressor, talvez sua pergunta tivesse passado despercebida. Não era o caso. E, por alguns bons segundos, se sentiu estúpido e fraco por deixar escapar tal questionamento.
Nyx o observou em silêncio por um instante, como quem tenta entender se ele estava encenando ou se realmente havia perdido o controle. O sorriso que surgiu em seus lábios não era exatamente de escárnio… mas estava perigosamente perto disso. "Dramático, até pra você." Ela falou baixo, como quem comenta algo irrelevante, enquanto os olhos vagavam por ele como se não tivessem pressa de formar um julgamento, mesmo porque, o julgamento já estava pronto. "Se está procurando um espelho, posso providenciar, talvez assim consiga despejar esse caos todo sem precisar de plateia." Passou os dedos pela lateral do braço, distraída, sentindo ainda os efeitos do vinho nos sentidos embaralhados. Uma parte dela achava graça da cena, a outra... simplesmente não ligava. "Não sei o que esperava encontrar aqui..." Continuou, com a voz arrastada, quase sonolenta. "Uma redenção? Um eco? Um motivo?" Fez uma pausa, os olhos encontrando os dele por um breve momento. "Só tem você aí dentro, Thorn, e sinceramente... que tédio." O uso do apelido dele saiu mais arrastado do que desejava. E então, desviando o olhar, como se ele já fosse um assunto encerrado: "Me avisa quando terminar de incendiar o próprio rastro. Eu passo longe da fumaça."
Nyx deixou escapar uma risada baixa e seca, quase um suspiro disfarçado de deboche. "Caótico, impulsivo e com frases de efeito..." Murmurou, passando os olhos por ele como se estivesse observando uma cena repetida demais. Ela inclinou levemente o corpo, só o suficiente para diminuir a distância entre eles — não como quem busca intimidade, mas como quem desafia, testa o limite. O tom da voz caiu meio tom, mas ainda carregado de desdém suave. "Mas sabe o que é mais triste, Khanin? Nem assim você consegue ser interessante." Fez menção de se afastar, mas parou com um sorriso enviesado nos lábios, quase como se lembrasse de algo engraçado no meio do caminho. "E pensar que ontem à noite você parecia tão seguro de si."
Transtornado, definitivamente. Era como Khanin se sentia. Poucas vezes na vida estivera tão desnorteado. Sabia perfeitamente a pessoa que era: arisca, raivosa, descontrolada, inclusive. Estava ciente da longa lista de defeitos. Porém, não seria mentira dizer que era preciso muito para fazê-lo realmente perder o controle, e isso tinha acontecido de forma bastante desastrosa.
Ele não gostava de ser tão sensível às provocações alheias. Não era do tipo que iniciava lutas... mas ali estava a exceção. Havia muito tempo que não socava a cara de alguém por iniciativa própria, para dizer a verdade. Khanin estava convencido de que havia, enfim, chegado ao fundo do poço e, por causa disso, tentou se agarrar à primeira pessoa que aparecera ali, Nyx. Ledo engano.
De todos os nove de Decápolis, ela estava perto do topo da sua lista de desavenças. E, mesmo assim, num gesto de desespero, de forma inconsciente, ele se voltara a ela. Deveria saber que não encontraria nada ali, já que não existia qualquer tipo de laço entre os dois. Nyx o provocava com uma precisão quase cirúrgica e isso arrancava dele o pior de si mesmo. Ele precisava se obrigar a não se deixar afetar tanto por ela, uma vez que sua lista de problemas já estava extensa demais para dar ouvidos a uma filha da elite, o pior tipinho de pessoa que poderia existir.
O revirar de olhos e o riso descrente foram a sua resposta primeira às palavras lançadas em si. A situação era, no mínimo, esclarecedora. Ele tinha aprendido sua lição e não esqueceria. Com a voz carregada de ironia e raiva, Khanin disparou sem qualquer ressalva. A teatralidade fingida em suas palavras era facilmente identificável. "Interessante? Eu não estou aqui pra entreter você, Nyx. Mas me causa espanto que esteja entediada o suficiente para assistir ao show. Será que não tem nada melhor pra fazer?" Mesmo estando tão perto um do outro, Thorn não recuou, os olhos estavam cravados nos dela, como lâminas. "Você fala como se estivesse acima de tudo e todos, mas olha só isso... ainda se dá o trabalho de parar o que está fazendo e vir me encher a porra do meu saco. Curioso, não? Fica aí vomitando julgamentos como se isso te colocasse acima dessa merda toda. Não está.” Khanin respirou fundo para conter o ímpeto que só crescia. Embora usasse um tom casual, o aviso inserido nas próximas palavras proferidas era claramente percebido. “Aparentemente você está muito confortável cuspindo seu veneno em quem está prestes a perder realmente o controle. Não se engane. Você não me conhece.”
A decisão inicial de ajudar Vox veio da vontade de provar que os rituais não precisavam de Volkov. Imaginou que retirar a figura que causava tanta dependência aos dez poderia, de alguma forma, ser importante para eles. Ao mesmo tempo, sentia-se como estivesse traindo aquele que lhe prometeu poder, uma vida melhor, sem o controle dos Sokolov e a necessidade de preencher um papel que lhe fora imposto como a esposa de Vasily. Executar a tarefa com Khanin também havia vindo como um alívio, pois ao menos era alguém em quem poderia confiar. Apesar de seu humor e de achar que o rapaz era um tanto instável, encontrava na proximidade um senso de conforto.
Pisou no local combinado no horário exato combinado. Não suportava atrasos, e não suportava deixar que outra pessoa esperasse por ela. Por sorte, logo avistou Khanin. Com as mãos nos bolsos, ela assentiu ao cumprimento. "Khanin." Respondeu. A expressão do rapaz a fez lembrar do tratamento de Vox com ele, algo com o qual não concordava. "Eu também não permito atrasos." Ela respondeu, começando a caminhar, esperando que ele a guiasse. "Já sabe, exatamente, o que vamos buscar?"
A raiva não desaparecia tão facilmente, mas foi amenizada quando se deu realmente conta de sua companhia. Podia até estar na merda por ter que engolir aquela ordem e executar o que lhe foi mandado, mas pelo menos não estaria mal acompanhado. O vínculo entre Sombra e Thorn nunca fora simples. Tinham seus momentos de atritos, silêncios e discordâncias, mas havia algo reconfortante em saber que, no fim das contas, Sombra era alguém em quem podia realmente confiar.
Concentrando-se no que precisavam fazer, guiou o caminho sem hesitação, tomando a dianteira até a fornecedora. Após alguns passos dados em silêncio, Khanin assentiu com a cabeça em resposta ao que fora perguntado. “Sim.” Murmurou, dividindo o olhar entre Sombra e o entorno. Poderia até soar paranoico, mas Thorn estava convicto que precisavam, sim, serem discretos e vigilantes pelo caminho, embora, na prática, não tivessem tantos motivos assim para desconfiança. De qualquer forma, preferia não dar sorte ao acaso.
Enquanto caminhavam, Khanin manteve a voz bem baixa. O que compartilharia com ela poderia comprometê-lo de formas astronômicas, mas a confiança nela permitiu que ele deixasse momentaneamente as preocupações de lado. “Consegui o contato dela com um dos atletas do clube. Quando os treinos de natação apertam, eles utilizam de ajuda externa, digamos assim.” Fez uma pausa curta, como se pesasse as palavras antes de dizê-las. “Sobre o que iremos comprar especificamente, a resposta mais rápida seria o LSD, que é uma droga sintética, potente. Mas, há outra opção também. O contato mencionou psilocibina, um composto mais orgânico, mas é menos efetivo. Não sei se seria o bastante, para ser sincero.” Ele olhou de relance para ela, como se buscasse algum tipo de reação ou resposta. “O que você acha?”
O destino era um velho relojoeiro, uma loja esquecida entre prédios abandonados. Após cerca de dez minutos de caminhada silenciosa, os dois cruzaram a entrada do estabelecimento. Por um momento, Khanin respirou aliviado em sentir o ar mais quente da loja, embora não tenha se permitido relaxar demais. Atrás do balcão, um homem mais velho os observava. Sem se prolongar muito, Khanin se aproximou do balcão e disse apenas uma palavra. “Olga.” O homem não respondeu, apenas assentiu com a cabeça e, em silêncio, indicou com o queixo uma porta lateral. Entrada permitida somente para funcionários, era o que dizia o letreiro da porta. Sem hesitar, Thorn cruzou a porta após oferecer a passagem para Zvezdana. Olga já os esperava, uma vez que acompanhava a entrada deles pelas câmeras de vigilância do local.
Nyx fazia o caminho de volta para o hotel relembrando tudo o que havia acontecido naquela manhã e principalmente o encontro com Alexei. Não era novidade que sempre que se encontrassem soltassem farpas um contra o outro, mas essa manhã havia sido pior. Coisas foram ditas por ambos e consequentemente as duas partes haviam saído machucadas daquela conversa, mas dessa vez Nyx estava convicta que seria a última, a partir daqui ela o evitaria o máximo que pudesse, mesmo que não fosse possível já que todos os encontros de Decápolis passavam por ela antes de acontecerem. Ela era quem ditava o caminho e todos os detalhes de como as coisas se seguiriam.
Nyx passou as mãos na calça bege tentando limpar os resquícios de terra havia deixado ali naquele dia mais cedo em seu encontro com o ex-namorado. Ela ajeitou o cabelo enquanto caminhava se direcionando para a área externa do hotel, a garota estudava botânica e gostava de ficar perto da natureza, às vezes, na maioria delas, o farfalhar das folhas a acalmava e era isso que estava buscando. Procurava um lugar silencioso, um lugar onde não houvesse interrupção, sem ninguém a mandando terminar algum serviço, sem ninguém lhe dando ordens. Ela queria se deitar no banquinho de pedra, respirar fundo o ar puro e esquecer, se possível esquecer tudo.
Mas era óbvio que nesse dia em específico ela teria tudo, menos paz, sombra e água fresca. Ao chegar na área externa, viu uma aglomeração de pessoas ao redor de duas. — Porque? — Ela só queria poder ficar em silêncio e mandar todo mundo se foder no seu pensamento. Nyx dispersou a aglomeração e o viu agarrado no colarinho de outro, sabia que ele era intolerante a algumas coisas — mas daí partir pra violência? — Ela apertou a ponte do nariz fechando os olhos e foi nesse exato momento que Khanin soltou o outro garoto, esse saiu correndo levando as outras pessoas com ele. "Deveria chamar um pouco mais de atenção, acho que essa não foi suficiente." Ela cruzou os braços enquanto falava sem humor, apenas sarcasmo. Não estava ali pra dar lição de moral em alguém, mas ela nunca fora fã de violência gratuita. Nyx cruzou os braços e se encostou com os ombros no muro, de frente para ele.
As palavras que ouviu sendo proferidas por Nyx não o surpreenderam. Até mesmo o tom empregado não lhe surtira nenhum tipo de reação. A verdade é que ficou muito incomodado com a maneira que ela estava repousava ali, parecendo inabalável, como se nada estivesse acontecendo... ou pior, como se nada tivesse acontecido com eles na noite anterior. Se fosse em qualquer outro momento, teria apenas a ignorado ou a provocado de volta. Mas, não conseguiu. Por alguns bons segundos, apenas a encarou em busca de qualquer resquício que ela estivesse tão perturbada quanto ele estava. Não viu nada. Ela parecia a mesma de sempre.
E isso foi o que realmente o desarmou, mais do que qualquer provocação ou palavra que pudesse vir dela. Havia em Nyx uma frieza que normalmente não lhe fazia cócegas, mas que agora beirava o insuportável. Estaria ele surtando sozinho? Ele estava errado em dar ouvido as sirenes de alerta em sua mente? Khanin não sabia como deveria lidar com o que tinham feito. O ritual… a maldita droga… Quando o êxtase se dissipou, o que restou para o tailandês foi um vazio inquietante e uma dor de cabeça maldita, e foi tão assustador se dar conta do real peso do que tinha feito.
Passando a língua pelos lábios secos, ele apenas respirou fundo mais uma vez. Os punhos, até então cerrados de forma tensa, relaxou completamente em desistência. Já deveria saber que não encontraria qualquer traço de identificação ou o mínimo de conforto da outra. Queria poder dizer o que realmente passava em sua cabeça, mas nada parecia ter forças suficiente para sair da garganta.
Finalmente, deu um passo à frente, ficando frente a frente com Ágata. “Verdade?” Foi o que conseguiu dizer de imediato, o tom seco. Não a olhou nos olhos por muito tempo, desviando para além dela, sobre os ombros. Mal conseguia sustentar a falsidade daquela pose. “Eu estou apenas começando, Nyx. Estou com bom humor para um pouco de caos hoje. Quem diria?” Thorn deu uma risada curta, mas sem qualquer humor. “Que se exploda o mundo inteiro! Estou querendo mesmo que ele queime...” A fala denunciava todas as incoerências. Os olhos que finalmente voltaram a encontrar os dela estavam agora carregados de algo entre raiva e uma pontada de desespero.
Starter fechado para @shadowkittens
Hotel, na tarde seguinte ao ritual.
Khanin queria que aquilo fosse apenas uma péssima ressaca, como tantas outras anteriores. Teria sido mil vezes mais fácil se fosse. Mas, sempre que fechava os olhos, sua mente era invadida abruptamente por cenas desconexas do ritual realizado horas antes; imagens das quais evitava se debruçar, já que não queria, de forma alguma, atrair atenções — necessárias — para elas. Pelo menos, não naquele momento. Não enquanto sua mente ainda estivesse em completo pane.
A cabeça latejava sem misericórdia, como se o punisse severamente pelo que havia feito. Seria isso culpa? Se fosse, seria algo realmente novo para Thorn. Mas fazia sentido, não fazia? Afinal, parte da responsabilidade recaía, sim, sobre ele. Fora Khanin um dos responsáveis por trazer a substância para o ritual.
Seu humor realmente não era dos melhores. Sozinho na área externa do hotel, com o cigarro entre os lábios, tentava reacender em si alguma ponta de calmaria. Embora evitasse fumar a qualquer custo — era um atleta, no fim das contas — não resistiu, cedendo ao impulso que não lhe era tão familiar. Estalou o isqueiro uma, duas vezes. A chama finalmente dançou diante dele. Estava mais do que pronto para a tranquilidade que aquele gesto, em sua simbólica rebeldia, o prometia trazer, mas não esperava ser provocado tão levianamente por um qualquer.
Antes que percebesse, uma mão deu um peteleco no cigarro que estava entre seus lábios. O cigarro caiu aos pés de Khanin. Devagar, Khanin encarou o idiota. O rosto mostrava uma seriedade que não acompanhava os olhos vazios. O som do corpo sendo empurrado contra a parede abafou qualquer argumento e pedido de desculpas. Khanin agarrou o colarinho do rapaz com força, o maxilar trincado. Visivelmente, perdera o controle. Embora o rapaz tentasse argumentar e se soltar, Khanin não estava o ouvindo mais. Sua mente rodava, os punhos coçavam para atingi-lo com a violência que, finalmente, calaria seu prazer por sangue.
Teria continuado sem qualquer interrupção ou pedido de misericórdia se uma presença não tivesse lhe chamado à atenção. Ágata. Khanin hesitou por alguns segundos. A tendência era querer se arriscar, mesmo que, possivelmente, sofresse alguma represália por parte Volkov mais tarde. Mas, por alguma razão, talvez a frieza no olhar de Nyx, ele preferiu recuar, soltando o colarinho do garoto com um empurrão seco, que saiu sem dizer nada. Khanin ainda respirava pesado, os punhos cerrados, a raiva nem próxima de esvair-se. A última coisa que precisava naquele momento era esbarrar com um deles. Mesmo contrariado, manteve a postura, encarando Ágata como a desafiasse a dizer alguma coisa.
Starter fechado para @gnossieneeins
1 dia antes do ritual, após a reunião no hotel.
Diferentemente das passadas largas e rápidas que costumava dar, o caminhar, naquele momento, era lento, quase preguiçoso. Para um olhar menos atento, aquele andar poderia transmitir uma impressão de tranquilidade, mas essa sensação certamente cairia por terra caso o observador tivesse acesso à sua mente, que, naquele momento, podia ser descrita como um verdadeiro turbilhão. A raiva que sentia era o principal combustível para sua mente perturbada. Cada passo arrastado que dava em direção à saída do hotel era uma tentativa de manter o controle.
Thorn sabia perfeitamente o que diziam sobre ele pelos corredores do Instituto Valentinov. Seu comportamento descontrolado e agressivo não passava despercebido aos olhares alheios, e embora não o definisse por completo, não havia como negar a fama que possuía. Afinal, como poderia ele tentar ser diferente daquilo quando havia pessoas que pareciam existir com o único propósito de tirá-lo do sério? Desde a reunião com os demais membros do Decápolis, Thorn não conseguia tirar as palavras de Vox da cabeça, especialmente a forma como a ordem lhe fora imposta, como se Khanin fosse apenas um dos seus cachorrinhos. Isso explicava boa parte da raiva que sentia naquele momento.
Chegando ao local de encontro, Khanin a aguardou ali, de forma discreta. Quando a figura alheia se revelou eventualmente, o tailandês sequer fez esforço para disfarçar seu estado de espírito. Sombra o conhecia bem. “Zvezdana.” a cumprimentou de forma curta, quase protocolar. “Está pronta? Ela não permite atrasos.”
A precisão dos passos e o silêncio cortante no olhar denunciam que KHANIN KITJARUWANNAKUL não está no Instituto Valentinov por acaso. Sendo PERSPICAZ e HOSTIL, foi escolhido — ou amaldiçoado — como um dos observados de Volkov, selado entre sombras e expectativas antigas. Aos VINTE E TRÊS, cursa o PENÚLTIMO ANO DE LINGUÍSTICA COMPARADA movendo-se entre os corredores como parte do cenário. Filho de uma origem HUMILDE, BOLSISTA E ATLETA, sua reputação circula com mais força que seu nome e dizem que sua semelhança com BIBLE WICHAPAS (WICHAPAS SUMETTIKUL) já virou lenda entre os estudantes do dormitório. Seus amigos mais íntimos o chamam de Thorn, você pode encontra-lo em alguma aula de Latim ou no Clube de Natação.
Biografia
Na família de Khanin, sobreviver sempre foi uma prioridade. A vida não fora nada gentil com a mãe de Khanin, a senhora Malai. Oriunda da parte rural de Sakon Nakhon, com quinze anos mudou-se sozinha para Bangkok em busca de uma condição de vida melhor. Os primeiros anos na cidade foram muito difíceis e as opções de empregos bem escassas. Trabalhou por anos na mesma empresa de costura em condições que beiravam a escravidão. Trabalhava muito até a exaustão e recebia, naturalmente, muito pouco por isso. Por muito tempo, viveu numa quitinete bem maltratada pelo tempo numa parte mais esquecida e desfavorecida da cidade. Nunca teve o privilégio de se apaixonar, mas juntou-se a um rapaz da mesma fábrica em que trabalhava e viveu bem com o próprio por algum tempo, até engravidar.
Ao sinal da criança vir ao mundo e a falta de comida na mesa, consequência da carência de dinheiro, foi motivo o suficiente para fazer o rapaz rapidamente sumir do mapa, deixando uma mulher desamparada e desempregada para trás. Prestes a ser despejada do local por conta dos múltiplos alugueis atrasados, viu sua vida melhorar um pouco ao conseguir um emprego de doméstica para um senhor russo que vivia viajando para Bangkok a negócios. Ele lhe ofereceu um teto – um quartinho para empregados nos fundos da casa –, alimento e um salário satisfatório, suficiente para mandar um bocadinho para a família em Sakon Nakhon e ainda ser o bastante para prestar cuidados para seu primogênito. Quando o patrão anunciou que estaria voltando em definitivo para São Petersburgo, a chamou para continuar trabalhando com ele. Mesmo com diversas ressalvas em se mudar para um país estrangeiro, a doméstica assumiu o risco, pois era tudo que possuía.
Com 3 anos, Khanin e sua mãe chegam à Rússia. O patrão era exigente, mas a senhora era trabalhadora e não se deixava cair sobre o perfeccionismo do homem. A realidade era muito dura, mas a vida não era tão insuportável, pelo menos por algum tempo. Khanin cresceu nos fundos da casa do patrão da sua mãe, trancado no pequeno quarto que dividia com a materna. Quando não estava na escola, era mantido fora de vista de todos, como um fantasma, uma presença inconveniente, sem sequer ser permitido a respirar alto demais. Viver daquela começou a beirar o insuportável conforme a pré-adolescência e adolescência foram se aproximando, mas não existiam outras alternativas. Tudo o que conseguia sentir naquele período era raiva, mas a controlava para evitar preocupar sua mãe. Essa raiva existia por muitas razões, mas a mais pungente entre elas vinha de uma infância de privações, vendo a mãe contar centavos enquanto outros esbanjavam.
A única maneira que encontrou para controlar sua raiva quando estava próximo da mãe foi passando o mínimo possível de tempo na casa dos patrões dela. Ao passá-lo mais tempo na escola que em 'casa', foi aí que teve contato com a natação através do clube extracurricular da escola em que frequentava. Aos 13 anos, já era um nadador bastante competente e participava de competições entre as escolas da região. Com o passar dos anos, foi só melhorando no esporte, competindo nacionalmente também, embora seu comportamento agressivo, competitivo e raivoso frequentemente lhe causava problemas na escola e com os demais competidores.
Na escola, Khanin tornou-se conhecido por seu silêncio e por sua capacidade de se envolver em brigas que, surpreendentemente, não era ele quem iniciava. Embora claramente violento, era preciso muito para tirá-lo do sério. Porém, tal como um animal selvagem e raivoso, uma vez envolvido em uma luta, não parava por vontade própria. Sua calma inicial escondia o quão perigoso ele podia ser. Quando certos gatilhos eram acionados, revelavam uma violência bruta e incontrolável. No entanto, por trás da fachada bruta e de toda a violência, há um contraste inesperado. Khanin tem uma mente afiada, destacando-se nos estudos, especialmente em línguas, mas escondia esse talento por trás de um cinismo agressivo, como se negasse ao mundo seu potencial.
Khanin não esperava que um olheiro fosse recrutá-lo para o Instituto Valentinov com uma bolsa de atleta, inclusive, estava praticamente convicto que deixaria a Rússia, só precisava para isso convencer a mãe a deixar o país com ele. Não aconteceu, e sem qualquer outra melhor perspectiva de futuro, aceitou a bolsa, ingressando no curso de Linguística Comparada. Foi em uma das brigas que o professor Volkov o viu lutar e o notou ali, recém-chegado. Embora tenha esperado a expulsão, não conseguiu esconder a surpresa ao ser recrutado como um dos dez da Decápolis. A promessa de se tornar importante, alguém com controle sobre sua própria vida, foi irresistível para Khanin. Não tinha nada a perder, já que não era nada, e por isso aceitou. A partir dali, sua vida mudou da água para o vinho. Fora da instituição, continuava o zé-ninguém que sempre fora, mas dentro de Valentinov, carregava uma nova função e, acima de tudo, um propósito.
Em construção
OCC
Lina, 25+, ela/dela, sem triggers.
Minha maior frequência de atividade serão nas quartas, sextas e sábado. Por causa do trabalho e da faculdade à noite, chego de madrugada (T-T) em casa. Por isso minha atividade é um tanto limitada.
Posso demorar um pouco para responder (sou bem chata com minha escrita e ando bem enferrujada, preciso admitir), mas pode ter certeza que sempre o/a manterei informado/a caso eu demore um pouco mais que o previsto.
Jogo de tudo (pode vir no chat com tudo!!!!!) e estou sempre aberta a novos plots e novas ideias.