"...Não sei bem certo Se é só ilusão Se é você já perto Se é intuição Aonde quer que eu vá Levo você no olhar Aonde quer que eu vá Aonde quer que eu vá Longe daqui Longe de tudo Meus sonhos vão te buscar Volta pra mim Vem pro meu mundo Eu sempre vou te esperar" Quando conheci esta música, quando tocava nas rádios (e quando a gente ouvia rádio) e era novo hit dos Palalamas do Sucesso, eu a achei bonita. Aprendi a tocar no violão acompanhando as "revistinhas de cifras" que eu comprava aos montes nas bancas (quando havia bancas de revistas em qualquer quadra). Quando ainda não era possível aprender músicas pela Internet ou encontrar qualquer coisa que eu quisesse tocar e cantar e ou mesmo aprender a letra só "dando um Google". Toda introdução pra dizer que já faz tempo, nos meados da minha adolescência. Em sequência, aqui, escrevo conforme as minhas lembranças que revivem, ou aparecem furtivas como imagino ser um fantasma. É possível que eu traga à tona memórias falsas. Lembro que o Herbert Viana, compositor da música, na época sofreu um grave acidente de avião ou helicóptero, não sei. Ele estava com sua esposa e ela faleceu na ocasião. Ele ter sobrevivido e ainda conseguir compor e cantar e fazer shows era e é algo impressionante, dada a gravidade das lesões sofridas por ele, fora a perda, as lesões emocionais. Mas naquele tempo eu achava a música bonitinha, adaptável a qualquer declaração de um paquera (como chamávamos os "crushes" na época) e desconsidera completamente o fato de ter sido escrita e cantada ppr ele para a esposa que havia partido de maneira tão trágica. Lembro de pensar que a música não fazia sentido além de uma fala sobre um amor trivial. E tanto tempo depois, o mesmo som e poesia ganhou um enorme significado para mim após a perda da minha pessoa, o Amor. Seguramente esta não é algo que se declare para qualquer um. É uma declaração a alguém realmente importante que já não está. Alguém que a falta é tão delirante que o desejo de estar novamente é tão materializável que é possível tocar. "Eu sempre vou te esperar". Mão como quem espera o dia seguinte ou o próximo verão. É a esperança de um reencontro pós vida. A certeza de que a morte não separa. (em Vila Rocha, Bauru) https://www.instagram.com/p/Cgsp22BuXBU/?igshid=NGJjMDIxMWI=