Depois que a Amazon abriu frente com o Echo para posicionar uma central de controle residencial em cada lar surgiram concorrentes interessados em virar uma importante parte da vida das pessoas em um futuro bem próximo. Para se ter uma idéia da importância estratégica deste tipo de aparelho, considere que todos os grandes players de tecnologia estão preocupados em desenvolver seus assistentes pessoais movidos a comando de voz, texto e Intelig6encia Artificial (Microsoft e Cortana, Apple e Siri, Google e Now, Amazon e Echo, Facebook e Facebook M). A lógica do mercado é que o próximo movimento de conectividade é se afastar de telas e aparelhos. Começamos com pesados computadores, depois mergulhamos em laptops mais leves, agora usamos prioritariamente smartphones realmente portáteis e depois disso provavelmente não precisaremos recorrer a nenhum aparelho. Esta próxima fase consiste em interfaces de voz para quem solicitamos tarefas como "apague as luzes" ou "compre uma dúzia de ovos". Ainda não está claro como estas interfaces irão resolver todas as interações que hoje fazemos com smartphones e computadores mas boa parte delas (como apagar as luzes) funcionam bem melhor por comando de voz. O desafio maior é desenvolver um sistema que consegue interpretar o que o usuário pede por linguagem coloquial. Transformar uma frase dita em texto já é uma realidade amplamente acessível. O problema agora é interpretar o que o usuário quer com este texto e para isso é preciso usar inteligência artificial para considerar o contexto do pedido. Este contexto inclui particularidades da pessoa, particularidades culturais e geográficas e informações de diferentes fontes. Não é fácil. Mas quem acertar a fórmula vai se tornar o próximo grande sistema operacional. O Windows e o iOS têm como função hospedar serviços que rodam em softwares e aplicativos. Mas com cada vez mais opções de apps e programas nos servindo ao longo do dia está ficando chato desbloquear o smartphone ou abrir o computador dezenas de vezes para resolver algo. É nisso que os assistentes pessoais por voz melhoram nossas vidas. Eu, por exemplo, costumava usar mais o app Home ou o Hue para controlar as luzes da minha casa. Agora basta pedir para a Siri apagar as luzes ou acender as do meu quarto sem sequer ter que procurar meu iPhone. Pode parecer coisa de geek mas a praticidade é absurdamente maior. Com isso, os softwares e apps terão boa parte de seus acessos transferidos para assistentes pessoais digitais. É nessa pegada que o Google acaba de colocar a venda o Google Home, um assistente pessoal que promete se conectar aos objetos da sua casa e a serviços como Spotify e Netflix. O projeto já começa em parceria com Nest (do próprio Google), Samsung , Philips e IFTTT para garantir um acervo mínimo de objetos conectáveis. O Home é m aparelho do tamanho de meia garrafa de vinho que está sempre atento ao que se fala na sua casa para reconhecer comandos e executar tarefas. Todas as opções disponíveis atualmente ainda possuem recursos limitados e dependem da evolução da Internet das Coisas para ampliar sua usabilidade. Geeks e apaixonados por tecnologia já começaram pelo Echo, da Amazon e a expansão para um mercado mais amplo de usuários será mais lenta daqui em diante, mas o Pulsotech aposta que em 5 anos muitas residências usarão assistentes pessoais seja através de seus smartphones ou de aparelhos como o Home. Por outro lado, prepare-se para fornecer uma enxurrada de dados sobre a sua vida para estas empresas. Quem não tem medo de abrir sua privacidade poderá se beneficiar de inúmeras recomendações automáticas e serviços de organização e gestão do lar. Mas, por exemplo, só as informações sobre que horas você apaga a luz do quarto à noite e que horas acende de manhã podem gerar gráficos sobre quantas horas você dorme e outros dados sobre as suas luzes informam que horas você chega em casa e que horas costuma sair. Existem milhares de insights que podem ser extraídos sobre os dados da Internet das Coisas e a maioria deles, se bem usados, podem gerar benefícios incríveis. Mas como em todo mercado, também podem ser usados para ações desagradáveis. Certamente ouviremos histórias inusitadas nos próximos anos mas é inegável que a IoT irá virar uma realidade já que o histórico tecnológico mostra que a praticidade ganha da privacidade. Ainda há muito o que se evoluir na capacidade destes assistentes de responder a comandos e vontades de usuários. Nos próximos anos veremos uma avalanche de produtos e serviços sendo desenvolvidos para a IoT e muitos deles vão morrer na praia das "grandes novidades pouco práticas". Mas muitos se tornarão tão lógicos e difíceis de se abandonar como a geladeira, que hoje é indispensável na maioria dos lares. Até lá os principais usos do Google Home e do Echo serão, por algum tempo, "toque uma música do Liniker", "apague as luzes" e "ligue para meus pais".