¿Cuántas almas se esconden aún, pensando que el mundo no sabrá abrazarlas sin hacerles daño.. y cuántas ya no podrán volver para descubrir que sí podían ser amadas?
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¿Cuántas almas se esconden aún, pensando que el mundo no sabrá abrazarlas sin hacerles daño.. y cuántas ya no podrán volver para descubrir que sí podían ser amadas?
A muchos de nosotros todavía nos duelen los traumas de la infancia.
Alexander Alay.
Há uma sombra que me acompanha, invisível aos olhos do mundo, mas presente em cada olhar que lanço ao espelho. É um peso que não se desfaz, uma marca que não deveria existir.
No dia a dia, ninguém nota. Sorrio, vivo, respiro. Mas por dentro, há uma luta constante contra um inimigo que habita minha memória e minha pele. Tento lavar, esfregar, apagar. Às vezes, quase acredito que posso ser inteira de novo.
Ele, que um dia foi como um porto seguro, tornou-se a tempestade que nunca passa. Não há palavras para descrever a contradição de amar e temer, de respeitar e odiar, de sentir falta e querer distância.
Há momentos em que quero fugir da minha própria existência, como se pudesse começar de novo em uma pele que nunca sentiu o toque errado, em uma mente que nunca carregou esse fardo. Mas sei que minha história é minha, mesmo com suas rachaduras, e que, de alguma forma, um dia aprenderei a olhar para mim mesma com compaixão.
Enquanto isso, escrevo. Deixo que as palavras sejam meu refúgio, um espaço onde posso gritar em silêncio e, talvez, encontrar um pouco de paz.
(Texto autoral).
E toda vez que eu cometo o mesmo erro, me sinto suja.
Nem felicidade e nem prazer. Só nojo e tristeza.
silêncio não é consentimento
ele entrou sem pedir,
como quem invade e não se importa com a destruição.
levou embora o que eu nem sabia que podia ser roubado.
me deixou com uma culpa que não era minha
e um silêncio que gritava toda noite.
me fizeram acreditar que era exagero,
que eu não entendi direito,
que não foi nada.
mas foi tudo.
foi o começo da dor,
e o fim de uma parte de mim.
anos depois, o corpo ainda lembra.
treme, foge, chora calado.
a mente tenta esconder,
mas o coração pulsa a verdade.
o abuso não termina quando acaba o ato.
ele fica.
nos cantos da alma,
nas reações do dia a dia,
nos sonhos que viram pesadelos.
mas hoje eu falo.
eu escrevo.
eu reconheço.
porque silenciar me matava aos poucos,
e agora, falar é meu jeito de viver de novo.
Carta para minha versão criança
Essa carta é pra você.
Pra menininha que morria de medo das pessoas que eram más com ela quando deveriam zelar pelo seu bem estar. Que negligenciaram sua vidinha que tava só começando e não perceberam tudo que acontecia. Uma pena que você teve que aprender tanto sozinha sobre como pessoas podem ser cruéis. Eu sinto muito!
Naquela época, eu não pude fazer nada. De forma metafórica, eu ainda não existia como sou hoje. Você teve que ser forte sozinha, com as poucas armas que tinha. E foi.
Você aguentou. Você sobreviveu.
Hoje, eu consegui o que você mais sonhava: nossa casinha. Um lugar só nosso, onde ninguém, ninguém pode te machucar. Aqui você está segura. Aqui você está em paz. Aqui você está bem.
Eu queria tanto poder voltar no tempo… te abraçar forte, deixar você chorar no meu colo, fazer carinho no seu cabelo e dizer que um dia tudo isso ia passar. Que você não estava errada, que não era culpa sua, que você merecia amor e proteção.
Eu sei exatamente como você se sentia. Eu tava lá. Só ainda não tinha chegado.
Sou imensamente grata a você, menininha magrela, por não ter desistido de mim.
Obrigada por ter ficado.
Obrigada por ter sido forte quando não tinha escolha.
Eu cuidei do nosso sonho.
E agora, finalmente, você pode descansar.
Com todo o amor que ninguém te deu naquela época,
Allana
Certa vez a sobrinha da esposa de um dos meus tios me contou que a tia se perguntava porque a gente (eu e minhas irmãs) não íamos com frequência a casa deles (eles moravam do outro lado da rua). Na ocasião não respondi muita coisa, disse que não era por nada, e deixei o assunto pra lá. Não era algo pensado e racional que eu fazia, eu apenas evitava ir e para mim isso era o normal.
Hoje, olhando para trás, eu vejo que havia um motivo maior. Quando criança, eu ficava com frequência na casa da minha vó (que era onde eles moravam), a princípio por necessidade, depois porque era divertido. Morávamos no sítio e brincar na terra, sob as árvores, entre os animais, era o que gostávamos.
Depois de uma certa idade, fomos nos afastando, o que parece uma progressão normal junto do crescimento - a gente começa a se interessar por outras coisas, o que antes era legal, perde o sentido. Mas era mais que isso. Mais que consequência do avançar da idade, era consequência de traumas sofridos.
Quando ela quis saber porque não frequentávamos a casa deles, eu disse que não era por nada. Mas hoje eu diria que era porque lá tinham acontecido abusos, que o termo "tio" não tinha o mesmo significado para mim que tinha para ela. Que aquele ambiente que um dia já tinha sido legal e divertido, em certo momento se tornou símbolo de dor, confusão, tristeza, sofrimento.
Os abusos não vieram daquele tio em específico, mas no fim das contas, aquilo destruiu qualquer possibilidade de haver uma boa relação com qualquer um deles.
É como se tudo fosse uma grande farsa. Um teatro que, inconscientemente, não queríamos mais fazer parte.
Então só nos afastamos. E carregamos uma dor que não devíamos ter que carregar. Não era justo. Ainda não é.
En mi mente habitan los recuerdos, recuerdo los lugares, sus sucias manos y su ser recorriendo cada centímetro de mi pequeño cuerpo, acabando así con mi inocencia y mi felicidad. Recuerdo cómo me tapaba la cara y cada maldita palabra para engañarme. Recuerdo despertar sintiendo su peso encima de mí, su fuerza, su respiración, su olor, y el dolor mientras fingía seguir durmiendo para que todo acabara rápido. Recuerdo vivir con ese miedo de dormir y que al despertar él estuviera ahí de nuevo. Recuerdo cómo esa niña que algún día fui no entendía qué pasaba y que prefería morir a seguir viviendo eso.