#Evento: 4º Mostra de Cinema Coreano em São Paulo
A 4º Mostra de Cinema Coreano em São Paulo aconteceu de 13 a 18 de outubro na Cinemateca Brasileira, portando o patrocínio do Centro Cultural Coreano no Brasil. A cada dia da semana, um filme renomado foi escolhido para ser exibido ao público, contendo em suas produções nomes de diretores como Na Hongjin de The Wailing (O Lamento) e Yeon Sangho de Train to Busan (Invasão Zumbi).
Assim que cheguei à Cinemateca, fui recebida pelo coquetel de entrada oferecido para o encerramento da mostra. Dentre os mais diversos aperitivos coreanos, pessoas conversavam em pequenos grupos sobre os filmes que foram exibidos no evento e como ansiavam pelo workshop que aconteceria naquele dia.
O evento recebeu muito prestígio durante a semana toda, e para seu encerramento, atraiu até mesmo a atenção da da KBS, emissora de televisão sul-coreana, que começou a gravar o local e pequenas entrevistas com os idealizadores da mostra e com diretor do Centro Cultural Coreano, Young Sang Kwon.
Seguindo a risca a pontualidade, assim que o relógio marcou 19h00 as portas para a sala de cinema foram abertas. Depois dos agradecimentos feitos por Young Sang Kwon pela concretização e sucesso da mostra e antes do início do filme do dia, “A Criada”, um workshop com o conceituado crítico de cinema sul-coreano Dong Jin Oh teve começo. Para complementar o segmento, também participaram do evento o diretor de documentário brasileiro Marcelo Machado, a diretora Paula Kim, e Suellen Tanaka da distribuidora Mares Filmes.
Marcelo Machado compartilhou suas experiências profissionais e com a Coreia do Sul, relembrando quando teve seu documentário musical “Tropicália” selecionado e premiado no Festival de Jeonju.
Marcelo Machado compartilhou suas experiências profissionais e com a Coreia do Sul, relembrando quando teve seu documentário musical “Tropicália” selecionado e premiado no Festival de Jeonju. Comentou também sobre seus planos futuros, que envolvem a construção de um documentário musical com músicos de instrumentos tradicionais coreanos.
Dong Jin Oh revelou estar surpreso por ver a sala cheia, tanto naquele dia quanto pela semana inteira da mostra. Com a ajuda de um tradutor, quis saber a recepção do público quanto aos temas polêmicos retratados nos filmes, dando destaque ao filme “O Lamento”, por carregar em seu enredo um misto de terror supernatural. O crítico comentou também sobre o avanço do cinema coreano no mercado asiático e mundial, ressaltando não apenas traços ligados com popularidade, e sim com a produção e a elaboração de roteiros. Ao longo do workshop, tratou de assuntos marcantes do cinema coreano, como a livre exposição de sangue e cenas de tortura psicológica.
O cinema coreano carrega em muitas produções a dor do país em ter enfrentado diversas guerras e a sua separação com a Coreia do Norte. Filmes sobre este tema ganham destaque até hoje, como se fossem documentários retratando os acontecimentos históricos passados pelo país. Dong Jin Oh também previu que por conta do escândalo político enfrentado pelo país no ano passado por conta do impeachment da presidente Park Geun Hye, filmes com a temática já estão em fase de produção.
Dentro do próprio país o interesse pelo cenário cinematográfico cresceu nos últimos vinte anos, a média de expectadores é de 200 milhões por ano e as vendas no cinema são de aproximadamente 1,8 trilhões de dólares. Em grande parte da Ásia o cinema coreano aparece em primeiro lugar, superando grandes distribuidoras estadunidenses como a Warner Bros. Parte deste reconhecimento foi possível graças a participação e a realização de festivais de filmes no país, como o Festival de Busan, um dos mais famosos e conceituadas festivais do continente asiático e que recebe a cada edição mais de 300 filmes.
Ao mencionar Park Chan Wook, diretor de “A Criada”, e outros filmes considerados clássicos como “Oldboy”, revelou como surpresa um vídeo do diretor com uma mensagem para os expectadores brasileiros:
Com as considerações finais de Dong Jin Oh, o público pode fazer livremente perguntas para os integrantes da bancada. Ao responder uma pergunta sobre o como o cinema coreano conseguiu atrair o interesse do Brasil nos últimos tempos, Suellen Tanaka compartilhou um pouco de sua experiência com o mercado de filmes, revelando o processo de compra e distribuição de filmes estrangeiros para o país, tomando como exemplo “A Criada”, que desde o começo do ano atraiu uma boa crítica em solo brasileiro. E é a partir destas reações e interesse que as negociações para a vinda de mais títulos para o país são realizadas.
Paula Kim, formada em cinema pela ECA - USP no Brasil e pela Korea National University of Arts na Coreia do Sul, ressaltou os detalhes passados em cada produção, dando enfase ao orgulho, evidenciando o jeito que culturas diferentes como a coreana, muitas vezes causam estranheza para o público, despertando gradativamente o interesse por este tipo de produção e a disposição em se permitir levar pelas histórias retratadas.
O workshop teve fim com o bom humor de Dong Jin Oh prometendo voltar ao Brasil e estudar mais sobre o cinema brasileiro também, já que só conhecia títulos antigos, da época de 1990 e não tinha tanto entendimento do cinema novo. Depois de alguns minutos, o filme “A Criada” começou a ser exibido.
Apresentando um enredo provocativo e erótico, o filme se passa na Coreia do Sul na época de 1930 e é ambientado em três partes. No começo do filme, é revelado o ponto de vista de SookHee, uma jovem ladra que mora em uma casa junto de outros ladrões que agem no tráfico infantil. Um dia recebe a proposta de trabalhar na casa de uma herdeira japonesa Hideko, por meio de Conde Fujiwara, outro farsante, que tem o plano de casar-se com a moça e roubar-lhe todo o dinheiro e mandá-la para um sanatório.
Com o desenrolar da história SookHee e Hideko começam a ficar mais próximas e até mesmo escondem um relacionamento aflorado e cheio de malícias entre as duas. O filme é é repleto de reviravoltas desde o final da primeira parte, dando início ao que seria a história de Hideko e tudo o que já passou por conta de seu tio.
Apesar duração de 2h47, o filme conseguiu me deixar intrigada desde sua primeira cena, motivando com que seguisse até os créditos finais para saber a resolução de cada personagem retratado. Com o sucesso de “A Criada”, Park Chan Wook mais uma vez conseguiu prender o público, que ao final de cada produção, almejam descobrir quais serão as próximas peripécias cinematográficas do diretor.