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Baloons :3
Artigo de Cláudio Suenaga publicado no boletim UFO-Informe nº 186, de março de 2023: A derrubada dos “OVNIs” balões espiões, o fortalecimento dos órgãos militares de inteligência e o decréscimo da inteligência geral
Os ufólogos celebraram a derrubada dos balões espiões chineses como uma grande vitória para a ufologia, pois se eles não tivessem convencido o Congresso a caçar alienígenas espaciais, ninguém teria derrubado os tais balões, negligenciando que estão apenas contribuindo para aumentar as despesas militares e aumentar o poderio do Estado.
Leia a matéria completa na última edição do boletim UFO-Informe editado pelo meu amigo Alexandre Calandra do GPU:
E mais: o parecer sobre a esfera de metal que surgiu em uma praia em Hamamatsu, no Japão:
Visite o site oficial do GPU (Grupo de Pesquisas Ufológicas):
Site do Grupo de Pesquisas Ufológicas, GPU, fundado em 10 de abril de 1989 por Alexandre Calandra
Os Balões - Conto.
Confesso que passei o dia inteiro pensando no que publicar aqui. Queria começar falando sobre Tolkien, ou então Star Wars, quem sabe Doctor Who, ou, talvez, sobre o Studio Ghibli... mas, no fim das contas, decidi compartilhar um pequeno conto que produzi no ano passado.
Na época em que escrevi tal história, ainda estava explorando diversos tipos de gêneros literários. Já havia passado por um romance cyberpunk, por uma péssima história de fantasia e também por um suspense adolescente (que se encontra paralisado no momento), além de algumas historinhas aqui e ali. No entanto, esta que publico hoje, me deixou satisfeito.
Os Balões
Abaixo do Sol, numa casa feliz, num dia de festa, dois balões em especial foram enchidos. O primeiro era Vermelho, e recebeu um sopro cheio. Com o ar dos pulmões do pequeno menino, ele cresceu e se tornou lindo. Aquilo lhe deu vida.
O menino o pegou e lhe prendeu junto aos outros balões.
O balão Vermelho tentou se comunicar, mas nenhum outro respondeu. Isso lhe deixou triste, pois era o único balão a receber o sopro da vida.
Lá embaixo, na mão do mesmo menino, um balão Azul fora enchido. Não cresceu tanto quanto o outro, mas tinha o sentimento de alegria, pois também havia recebido o suspiro mágico. O menino o levou e amarrou junto ao Vermelho. E os dois balões ficaram felizes, pois não estavam sozinhos naquele mundo.
Assistiram a festa de camarote. Viram as crianças correndo, os jovens conversando, a comida sendo servida e o parabéns no final. Todos estavam muito felizes, incluindo os dois balões.
Mas nem tudo são rosas... ou balões. Nenhum ser consegue viver em pura paz, seja um ser humano, um cachorro ou um balão. Algo pontiagudo espetou as bexigas sem vida, estourando de uma em uma. Vermelho e Azul se desesperaram. Sem ter o que fazer, só podiam aguardar pelas mãos malignas da pessoa que vinha estourando cada bexiga.
Vermelho e Azul encurtaram a distância entre eles. Murcharam um pouco pela tristeza. Azul, que antes era repleta de alegria, agora estava deprimida. Desejava viver mais que aquelas curtas horas... O balão Vermelho lhe acalmou, dizendo que tudo ficaria bem, mas em verdade não acreditava naquilo, só queria confortar o amor de sua curta vida.
Quando a hora chegara, o ventilador da parede percebeu o que acontecia. Soprou seu poderoso ar em direção aos dois balões mágicos. O vento foi tão forte e poderoso que desprendeu os dois seres da parede. E estes voaram, livremente, para o céu azulado.
- Viva! – Conseguiu gritar o balão Vermelho. Procurou por Azul, mas não a viu. Olhou para baixo e a notou, presa em seu mesmo barbante, voando com ele, mas estava tão vazia e entristecida pela ameaça de morte que o homem lá embaixo lhe causara, que não tinha mais razões para viver. Não tinha ar suficiente para voar junto de Vermelho.
Ele ainda queria sua presença, por isso se esforçou – se esforçou muito – para soltar um pouco do ar que tinha. Quando murchou, isso lhe fez perder altitude e descer até Azul. Ela admirou seu esforço, por isso voltou a sorrir.
Alegres, voaram pelos campos, passaram pelas lindas florestas, sobre grandes lagos e rios. Até que avistaram arranha-céus grandiosos, e pela curiosidade foram atrás. Juntos, vivendo uma vida grandiosa para balões, dançaram pelos ares até a cidade. De longe parecia bela.
Quando chegaram se assustaram com os altos volumes. Buzinas, motores, marteladas, passos, gritos... A cidade não era assim tão bela. De longe era, mas próxima, quando os humanos se tomavam a vista, tudo parecia uma desordem. O antes céu azul, agora era um borrão cinza de fumaça e desgraça.
Isso entristeceu os balões mágicos. Vermelho e Azul haviam sobrevoado os mais belos locais da natureza até chegar ali, mas ao ver o que a mão humana havia tocado, ar se perdeu... Perderam altitude e se desesperaram. O desespero fez com que os dois caíssem ainda mais rápido.
Jovens bateram nos balões, que voaram para o outro lado da rua. Sobreviveram a muitos golpes. Infelizmente, nem todos os golpes eram para empurra-los de volta ao céu. O mau é uma verdade, ele existe, e não adianta negar essa afirmação, caro leitor. Alguém, despreocupado com a vida, furou o balão Azul com seu garfo.
Assustado, desorientado e machucado pela perda de seu amor, o balão Vermelho voou. Ganhou um último suspiro para subir aos céus novamente. Fugiu de tudo e de todos. A cidade ficou para baixo. Atravessou a triste camada de poluição até encontrar um céu azulado.
Lembrou-se de Azul... Triste estava novamente... A magia estava acabando... Não podia viver sozinho uma vida que fora feita para dois. Vermelho chorou muito. O ar foi saindo, saindo e saindo... Murchou completamente por não querer viver sozinho.
Assim eu termino a história de dois balões mágicos. Não conclua com isso que a morte é a solução para os seus problemas. Longe de mim dizer isso, leitor e leitora. A vida pode ser bela, mas também devemos suportar seus desastres. Afinal, Vermelho e Azul ainda vivem, não fisicamente, mas na memória de quem lhes escreveu e de quem lhes leu. A única diferença é que descobriram um novo modo de viverem juntos.
Somos balões cheios de sentimentos em um mundo cheio de alfinetes. 🧷🎈
Valquíria Brito
Título: Suprassensível Técnica Mista sobre Papel Mixed Media on Paper 21 ↔ x 29,7 ↕ cm