eu fico mais reflexivo a cada dia dessa semana. E sei o motivo!
Tem algo no ar quando o dia dos pais se aproxima. uma nostalgia que não pede licença.
por muito tempo achei que meu pai viveria por muitos e muitos anos. sempre foi um homem muito ativo, trabalhador, cheio de sonhos, com muita vontade de viver a vida dele do jeito dele.
quando olho pra quem eu sou, vejo minha mãe. ela sempre defendeu minha vida com unhas e dentes, sempre quis o melhor pra mim, colocou todos os esforços nos meus estudos mesmo quando faltava alguma coisa pra ela. vim de uma família humilde. e ela fez questão de que eu tivesse um futuro lindo. hoje eu tenho.
mas quando olho mais fundo, também vejo meu pai.
a alegria. a simpatia. o sorriso fácil. a tranquilidade de levar as coisas com calma, a voz sempre serena, o jeito amoroso de estar no mundo. isso é dele. isso é meu.
a gente se distancia quando o assunto é fidelidade. sempre caminhei no caminho oposto. meu pai teve muitos relacionamentos, deixou muitas pessoas tristes no meio do caminho. eu procuro um amor eterno, sei lá.
ele teve um único colapso comigo. uma briga com minha mãe, eu tinha quinze anos, e ele pediu meu DNA. disse depois que era pra irritar ela. mas isso marcou nossa relação de um jeito que levou anos pra sarar. ficamos dois anos sem nos falar, até ele descobrir que ele estava com parkinson, cair numa depressão profunda depois de perder tudo num processo, e aí a vida foi nos reaproximando.
mas sabe quando o amor ainda tá lá, a conexão ainda existe, a gente tenta voltar ao que era, e ainda assim falta alguma coisa? era assim. os anos foram passando, ele foi ficando cada vez mais doente, e nos últimos meses a gente se aproximou mais do que nunca.
mesmo assim, aquilo ainda estava lá. quieto.
antes de partir ele me deixou uma promessa, de que eu ficaria próximo de um irmão com quem nunca tive nenhuma relação parecida com ser irmão. sempre fomos dois estranhos, e ainda não entendo direito o porquê. mas aprendi que família nem sempre é laço de sangue. a gente encontra irmãos pela vida que ocupam esse lugar. e tá tudo bem.
essa promessa não pude cumprir, pai. desculpa.
perdoar, mergulhar de verdade no perdão, ainda é difícil às vezes. aquilo ainda aparece de vez em quando. e aí eu respiro e penso que todos a gente comete erros grandes, e merece perdão quando não repete.
eu fico mais reflexivo a cada dia dessa semana.
descobri que tô assim porque o dia dos pais tá chegando.
e eu queria você aqui.
sinto sua falta.
às vezes ando na rua e vejo um idoso caminhando. meu coração acelera. chego mais perto. não é você. às vezes minha memória falha mesmo, esqueço que você não tá mais aqui.
mas hoje acho que você tá, de algum jeito.
te carrego no coração. nas memórias. e em cada pedacinho meu que, sem eu perceber, é um pouco você.
te amo, pai. espero que você esteja bem. porque eu tô bem. e vou continuar bem.














