O segundo Advento
Chinua Achebe retirou a epígrafe e o título de “Quando Tudo se Desmorona” do poema O segundo Advento (The Second Coming), do irlandês William Butler Yeats. Aqui ficam o poema completo, traduzido por Frederico Pereira, e um retrato de Yeats por Edward Coster.
Dando voltas e voltas no vórtice crescente, Não pode já o falcão ouvir o falcoeiro; Tudo se desmorona; o centro cede; Correm as marés manchadas de sangue, A cerimónia da inocência morre afogada; Os melhores despedem-se de toda a convicção, Os piores vão plenos de apaixonada veemência.
Por certo se aproxima uma qualquer revelação; Por certo se aproxima já o Segundo Advento; O segundo Advento! Acabo de dizê-lo e logo Uma imensa imagem do Spiritus Mundi Turva a minha visão: algures nas areias do deserto Um vulto com corpo de leão e cabeça de homem, Um olhar vazio e desapiedado como o sol, Move-se ao ritmo lento das coxas, enquanto em redor Rodopiam as sombras indignadas dos pássaros do deserto. A escuridão abate-se de novo; mas agora sei Que vinte séculos de um sono de pedra Foram vertidos em pesadelo num berço de embalar; E que escabrosa besta, chegada enfim a sua hora, Se arrasta em direção a Belém para nascer?

















