Ars gratia artis?
Uma febre que não para de subir, tremores e delírios. Um menino vê sua irmã gêmea agonizando e não encontra ninguém para ajudá-lo. Assim começa o livro Hamnet de Maggie O'Farrell. A primeira parte do livro vai para frente e para trás no tempo entre o menino, Hamnet, procurando ajuda para a irmã Judith e os acontecimentos que os levaram até aquele momento, como: a aproximação e o flerte de seus pais, o nascimento dos gêmeos e da irmã mais velha, Susanna.
O pai, que é Shakespeare, mas cujo nome nunca é mencionado, vem de uma família com um pai violento. A mãe, Agnes, é marcada na cidade por existirem várias lendas sobre a mãe dela, que diziam ser uma criatura da floresta. O casamento improvável entre os dois vira o assunto da pequena cidade de Stratford.
A segunda parte do livro já é escrita de forma linear. Após a tragédia da perda de um filho para a peste bubônica, mostra Agnes e o marido começando a se afastar, com ele passando mais e mais tempo em Londres e longe da família. Tudo culmina em uma apresentação da tragédia Hamlet.
O livro é daqueles em que se aprecia mais o trajeto do que o destino final. Logo no início se descobre que Hamnet vai morrer. O livro é sobre luto, mas de uma forma poética. Acho que acabei quebrando um tanto a questão da tensão do livro por ter visto o filme primeiro.
O livro conta a história de uma família pelo ponto de vista de vários de seus membros. Cada um entende a seu modo o que está para acontecer e como lidar com o inevitável.













