Nós nos espalhamos – Iain Reid
Um bom livro, que mostra a própria confusão com que se defronta sua personagem principal, uma idosa que acaba indo para uma casa – mas que tem apenas 3 outros residentes e 2 cuidadores – que se mostra algo um pouco inusitado, ou seja, não é uma casa de repouso normal... E, ao longo do livro, essa estranheza aumenta, mas a gente nunca sabe o que é a realidade e o que é a visão da personagem, que pode estar já meio senil.... Enfim, um livro que, quando acaba, você não sabe bem o que aconteceu... cabe a você decidir...
“Penso no que significaria ter mais tempo. Para mim, Pete, Ruth, Hilbert. Mais rodas de conversa. Mais comida. Mais sono. Eu conseguiria pintar mais. Mas o que o trabalho significaria se fosse infinito? O que significaria um relacionamento se durasse para sempre? Como seria um dia se não tivesse fim?”
“- Esta mentira é sobre a vida, que precisamos mais dela, que precisamos ser mais produtivos, produzir mais, que tem de ser mais longa, que a morte é o inimigo. Não é verdade. O infinito é um mistério assombroso, ou assim eu acreditava. Agora sei que não é. O infinito é a estagnação. Ele não se expande. Não pode. Simplesmente é imensurável. Não é um mistério, simplesmente não tem fim.
... Mas não é difícil ver que mais tempo vai acabar se transformando..
- No pior – digo complementando seu raciocínio. – O inferno.”















