cheguei em casa, tomei um chá duplo de camomila. sabe o que é um chá duplo? depois te ensino. nomeei assim porque parece que os meus chás duplos tem efeito dobrado [vou parar com essa idiotice]. depois do chá tentei dedilhar algumas notas, mas eu me sentia tão pesada que não saiu nenhum som agradável. é bem raro, sabe? eu não ter ânimo pra tocar é realmente muito raro. fui pra cozinha. “e aí mãe, acho que tô com fome”, no minuto seguinte percebi que não estava com fome coisa nenhuma, eu só não tinha o que fazer, então, decidi tomar banho. tentei relaxar, mas nem o banho e nem o chá (duplo de camomila) tiveram efeito. me joguei na cama e resolvi pensar na vida com a luz acesa. “você fez algo de errado, você fez, você fez...”, minha mente repetia isso incessantemente. ok, talvez os meus leões tenham dito: “relaxa, garota! você nunca erra”, mas eu sei que não é bem assim. ouvir leões nem sempre é confiável. voltei a me culpar. decidi levantar e apagar a luz. pensar na vida com a luz apagada é melhor. sem resultado. que tal ouvir 6h34 até pegar no sono? ok, continuou sem efeito. “você fez algo errado, você fez, você fez...”. [droga, talvez eu tenha feito algo errado mesmo]. fiz outro chá (duplo de camomila) [juro que vou parar com isso]. pensei em utilizar as redes sociais para tocar no assunto, mas achei que soaria muito frio. 6h34 já estava tocando em loop infinito, talvez eu só estivesse cansada, talvez eu só quisesse um momento de paz, mas nada funcionava porque eu sabia que tinha alguma coisa errada. eu nunca sei lidar com nada, essa é a grande verdade. sabe como é chato ficar verificando o visto por último do whatsapp, se perguntando se seria muito infantil tentar resolver um problema que eu nem tinha certeza se existia? foi estranho...não falar sobre músicas aleatórias, discutir opiniões diversas, decretar bandeira branca sobre o fato de ler ou não ler todos os textos idiotas que eu já postei aqui. a gente se acostuma com tudo, não é? e quando se acostuma, passa a se importar, e quando se importa, passa a se culpar sobre ter sido idiota sem perceber. talvez eu não saiba agir de um jeito muito ‘eu-louca-sem-medo-de-ser-louca’ com você. aí passo a agir de um jeito ‘eu-louca-com-medo-de-ser-louca’ com você. deve ser estranho. eu só não queria passar impressões erradas, como ser fria, tosca e não me importar. mas aí eu ando desse jeito, como quem não se importa, e talvez você tenha acreditado demais nele. posso te dar spoiler? isso é fachada. metade de mim é fachada. talvez até a grosseria seja fachada. talvez eu tenha coisas demais a esconder, mas existem tantos “talvezes” na minha vida que eu nem sei mais o que é ou não é [mentira, talvez eu saiba, mas talvez eu não queira dar tanto spoiler assim]. queria te dizer pra não ligar, guria. porque mesmo que a minha voz acabe (como ocorreu nas últimas 48 horas) você consegue me sacar. mesmo que eu não fale, vou poder te atender... porque eu sou mesmo assim, estranha, procuro arrumar a vida, mas nunca dá certo. e eu sou explosiva demais, acabo deixando uma coisa influenciar em outra, e o resultado? acabo errando e tendo consciência, mesmo que de maneira inconsciente, desses meus erros. aí chego em casa nervosa, imagino que vão desaparecer, faço chás duplos (de camomila) [é a última vez que falo isso, prometo] e acabo procurando dentro de mim a coragem de tocar no assunto, pra ver se me falam diretamente o que é, porque no fundo tudo o que eu quero é resolver. eu não sabia que uma estranheza minha resultaria em um texto tão sem noção como esse. porque eu já disse que amo palavras, acho que são um jeito de mostrar que a gente se importa... e eu tento, mesmo que dê errado. porque é assim mesmo, se a gente já soubesse como vai ser a viagem, com certeza não perderia tempo com bobagem. mas quer saber? bobagens compõem uma história [ou viagem? você escolhe] mais interessante.