Proposal Challenge: TY Montgomery
Terno, gravata, sapatos importados e escolhidos a dedo, corsage, medidor de frequência cardíaca desnecessário, mas perfeitamente disfarçado com adesivos do Venom e Rainbow Dash. Uma permissão pra sair da observação por umas quatro horas, e ali estava: o baile do homecoming, só alguns momentos longe do meu alcance, sendo barrado e atrasado só por todos os fios imperfeitos que Ahreum encontrava no meu cabelo e se obrigava a consertar com um pente quase na força do ódio.
Chutada temporariamente do Campus. — Fiz uma observação, quando jurei que podia ouvir meu coro cabeludo pedindo socorro, não aceitando de que todas as pessoas no mundo, a mais chata e perfeccionista delas tinha sido escolhida para me ajudar.
Chutada é uma palavra muito forte, prefiro suspensa das atividades acadêmicas devido a atividades ilegais que precisam ser investigadas até que se prove que não tentei contra a vida, empresa ou governo de alguém. — Minha irmã do meio se defendeu, revirando os olhos com força e ainda mais ódio, mas desistindo do pente, agora empenhada a desamassar as dobras inexistentes na minha blusa social. — Mas, só pra constar, eu não tenho culpa de nada e não estava fazendo nada errado. Eu sinto muito se as pessoas tem inveja de mim por ser mais esperta do que elas. No geral, gosto de chamar isso de pack de férias adiantadas.
Então, você foi promovida a babá? — Me tornei inconveniente no comentário mais uma vez, segurando um sorriso ao observá-la me soltar e se afastar com as mãos pra cima, analisando o trabalho que tinha feito depois de horas gritando comigo sobre o que era aceitável ou não em um date.
Em breve, uma exploradora, mas até lá… Sua protetora, motorista, personal stylist e enfermeira particular. — Ahreum consertou, levantando um dedo no ar em forma de aviso, antes de me oferecer um sorriso sutil e me ajudar a colocar o blazer, depois, esconder o pequeno aparelho ligado ao meu peito no bolso, como se ele não estivesse lá, e não fosse um mensageiro de comportamentos cardíacos ruins. — Mas gosto de babá.
A Oxford não merece a multitarefa que você é. — Disse dando uma breve checada no espelho, o nervosismo não combinando muito com minhas roupas e a ideia que tinha em mente sobre meu primeiro baile da vida, mas o sentimento logo foi embora, quando Ahreum balançou a caixa do corsage por cima de um dos meus ombros, me lembrando da minha motivação do dia.
Nós não podemos deixar a Jo esperando.
No começo daquele verão, me convenci de que finalmente ia conseguir tomar as rédeas da minha vida. Estava tomando os remédios em todos os horários certos, acatei a todos os surtos da minha mãe sobre algum sonho ou sentimento ruim ficando no hospital em observação, assisti a todos os jogos do time no banco e mesmo nos dias que pareciam okay, não dava a minha cara a tapa sem um check up decente; todos os dias, o tempo todo, me auto monitorando para ver e sair com Jo Corazon sozinho e desimpedido. E estava tudo bem, e tudo dando muito certo nos primeiros dois meses, até eu desmaiar antes de um date nosso no cinema, em casa e sozinho, muito perto de ter um ataque, até Ahreum chegar e me socorrer.
No hospital, disseram que não era culpa de ninguém; a troca dos meus enfermeiros não era o ponto, minha mãe ter se atrasado cinco minutos, também não, eu ter esquecido de fazer uma medição ou outra era normal, mas fato era que minha mãe ficou tão preocupada que nem teve tempo de berrar com minha irmã pela suspensão ou toda a confusão com a justiça, por que estava ocupada demais contando todos os meus passos de novo pra que aquilo tudo não se repetisse. Então, eu não podia mais ver a Jo, sair de casa ou fazer qualquer coisa sozinho, tinha voltado pra minha gaiola de vidro e não tinha nem previsão de volta para a St.Judes quando as aulas voltassem.
Eu queria fazer mais amigos, explorar mais a cidade do que eu já tinha visto desde que nos mudamos, comer um monte de porcarias e chegar em qualquer outro nível com a garota de quem eu gostava, sem ter que passar pelo constrangimento de pedir ela exames médicos para pegar em sua mão ou pedir um beijo seu, mas estava fora do meu alcance, mais uma vez. Mas então Ahreum estava em casa, morrendo de medo de uma deportação, mas pronta pra ser minha parceira de crime; quando precisei me redimir com caixas de doces, mimos para Stitch, todos entregues por ela, e me acobertar quando passava do horário de ainda estar mandando mensagens pra ela, já que era o único jeito de estar minimamente perto dela e dizer, todos os dias, que estava bem, ainda vivo e respirando.
Então o Homecoming veio, com um monte de anúncios no site do Colégio e todos os grupos possíveis, e mesmo sabendo que eu não tinha a menor chance de conseguir ir ou de sequer convidar a Jo, insistia todos os dias, no ouvido da minha mãe, depois no do meu médico, tanto quanto eu podia e de todas as maneiras possíveis, e quando ameacei de jogar um dos meus comprimidos na privada e beber a água da mesma, ganhei uma saída para um dia inteirinho de exames, que resultaram em uma autorização nova no mesmo dia, e uma caixa com cupcakes personalizados com o tema do baile chegando por Ahreum na casa dos Corazon.
Você… Ia mesmo beber se a mamãe não tivesse dito que ia ver? — Ahreum me perguntou com cuidado, enquanto manobrava o carro dela na frente da casa da Jo, como se qualquer palavra atravessada minha fosse motivo para ela fugir.
O que? Não! É claro que não! — Tratei de responder muito rápido, franzindo meu nariz, incrédulo que todo mundo ia continuar me perguntando aquilo. — Além de extremamente nojento, aquilo podia mesmo me matar. — Disse enfatizando a parte do ser mortal, que pareceu deixá-la mais tranquila, como se topar com uma pessoa nua pela casa fosse okay. Quem aguentava, meu pai?
Então, eu acho que ainda é seguro pra mim estar na mesma casa que você, e é pra Jo, sair com você. — Não um discurso sobre camisinhas, nada sobre álcool ou drogas. Ahreum estava mesmo preocupada com a possibilidade de eu beber água no lugar mais imundo do universo num ato dramático. — Agora é a sua vez.
E a casa dela estava lá, a uma porta de carro e alguns passos de distância, e o caminho até a campainha dela foi quase involuntário, como se eu tivesse feito aquilo milhares de vezes antes, e não Ahreum, no meu lugar, com um post it de pedido de desculpas para cada presente e coisa que eu queria compartilhar pessoalmente com ela, mas não podia. Minhas mãos estavam suando, ansioso demais pra alertar o botão, até Ahreum buzinar umas três vezes atrás de mim e o Senhor Corazon surgir do outro lado do batente, parecendo nem um pouco intimidador ou prestes a me matar, mas animado, como se quisesse mais aquilo tudo do que eu e a Jo juntos.
No minuto seguinte, estava na sala dos Corazon, ouvindo todo tipo de comentário do pai dela sobre a minha roupa e os meus sapatos e como ele tinha certeza que ia parecer ótimo e perfeito com as combinações da Jo, porque "fui eu mesmo quem fiz meses atrás e sei exatamente do que estou falando", e se era pra me manter tranquilo, eu apreciava, mas não ajudava nem um pouco a minha parte que já não via ela tinha semanas e não tinha recebido nem um spoiler sequer do vestido dela. Então a espera foi barulhenta, ainda que de uma conversa confortável, e extremamente desesperadora, por que não sabia mais o que esperar, e nem se eu era ainda algo que ela queria.
Será que ela já tinha achado outra pessoa que a convidasse ou ia com seus próprios amigos e me aceitou porque era amigável demais pra recusar o menino doente? Será que ela nem mesmo queria ir mas sentia que era algum tipo de obrigação? Será que Jo Corazon sentia o mesmo que eu sentia por ela, e só por eu ser eh e nós dois funcionavamos juntos, e não por que alguém pediu ela? Antes que tudo explodisse minha cabeça e eu tivesse mesmo outro ataque cardíaco, avancei para o começo da escada assim que ela começou a descer, olhando pra ela muito rápido, o que ia fazer do meu discurso ainda mais confuso e aleatório, mas precisava ser expresso, todo de uma vez, sem pausas.
Você é a garota mais bonita que eu já vi e queria te dizer isso faz muito tempo, mas ai, eu fiquei mal de novo e não queria preocupar você, então fiz com que as coisas parecessem normais mesmo que elas não estivessem mais normais… Por que eu nunca vou ser normal, não até o Senior, não dali mais cinco ou dez anos… Ninguém sabe ao certo, ninguém pode saber, mas nada me deixa pior do que imaginar me limitar a uma vida longa e monótona se não puder tentar fazer coisas normais, sair com pessoas normais, comer coisas normais e estar perto de uma garota incrível e absolutamente maravilhosa como você. — Pausei quando a última frase saiu mais como um sussurro, então parei para olhar mesmo pra ela, cada detalhe do cabelo e maquiagem, até o vestido e como ela parecia surreal. — Você está tão linda, e não existe qualquer coisa que eu não faria para te ver aqui, hoje e agora. Eu pensei sobre cada presente que te mandei e cada bilhete com uma cantada ruim e um pedido de desculpas, que eu não queria que o começo fosse assim, e não quero que o que vier depois também seja… Mas não posso evitar, e nem fazer nada sobre isso, porque não tenho certeza se vou estar vivo amanhã ou daqui duas horas, mas tenho certeza que estou completamente apaixonado por você, e isso me deixa bem e confortável e feliz em níveis e maneiras que talvez você nunca saiba, mas asseguro que são fortes o suficiente para… Para… Me sentir prestes a ter um ataque cardíaco, cada vez que você sorri, toda vez que escuto a sua voz e sempre que não liga em eu me arriscar segurando a sua mão sem um litro de álcool em gel por perto e um medidor de pressão. Eu sempre me sinto perto da borda ao seu lado, Jo Corazon, mas não faz com que eu sinta medo, faz com que eu me sinta vivo. — Por aqueles minutos que pareciam horas, não ligava se os pais dela estavam ouvindo e reagindo a tudo bem ali atrás de mim, ou se Ahreum estava narrando tudo pra minha mãe perto da porta, estávamos dentro de uma esfera, eu e ela, e nada podia contra nós dois, e assim parecia ser certo. — Apesar de todas essas incertezas e improbabilidades, gostaria que fosse ao baile comigo, e que fosse a minha namorada, e que me deixasse sentir todas essas coisas com você, enquanto eu ainda tiver tempo, e se você me quiser dessa maneira.













