Opinião – Coimbra. Uma candidatura vencedora e imbatível, se quiser
Mais do que um dever foi um acto de amor
Nessa sexta feira chuvosa, a comitiva do Lions de Coimbra saiu do Moinho Velho na Solum, a meio da tarde, rumo a Lisboa. Ia, com empenho e alegria, dar a conhecer a candidatura desta cidade maravilhosa, por vezes tão incompreendida e maltratada, a Capital Europeia da Cultura em 2027.
Mais do que um dever foi um acto de amor, por uma cidade que tanto precisa de ser defendida, estimada e amada, por aquilo que é, por aquilo que somos e ansiamos legitimamente por ser cada vez mais.
Íamos apresentá-la aos nossos velhos e dedicados Companheiros Lions, reunidos nesse fim de semana, vindos das mais diferentes partes do País e até do Mundo, para celebrar os 65 anos de lionismo em Portugal.
Depois de uma volta pelo Rossio, dirigimo-nos ao “Coimbra Taberna” onde nessa noite seria feita a primeira apresentação, na Calçada de S Francisco, ali próximo entre o Chiado e a Praça do Município.
“Coimbra Taberna”, cantinho de Coimbra no coração de Lisboa
O “CoimbraTaberna”, mais do que um restaurante temático dedicado a Coimbra, é um ponto de encontro de amizades e afectos. Foi um jovem farmacêutico da UC, Nuno Cadete, de seu nome, que dando asas ao seu sonho decidiu arrancar com um espaço de Coimbra no coração de Lisboa. Onde todos os que gostam de Coimbra tivessem ali um cantinho, uma 2ª casa, para almoçar ou jantar, ouvir fado de Coimbra, encontrar amigos, conviver, matar saudades.
Sempre que vamos a Lisboa é raro não irmos lá almoçar ou jantar e levar novidades de Coimbra. Todos ali são recebidos de braços abertos!
Chegou o momento mais aguardado por todos
Quando lá chegámos, já o Restaurante estava cheio, a transbordar de Lions. Disseram-nos que estavam ali representantes de 29 localidades do País. Que estavam convidados especiais: uma comitiva de 21 companheiros do Brasil e outra mais pequena, de 6 vindos da Tunísia.
Depois do jantar animado, entre a actuações do fado de Coimbra e do fado de Lisboa, rodeados de paredes com cartazes coloridos de Queimas passadas, que nunca mais se esquecem, e fotografias magníficas de Coimbra por todo o lado, chegou o momento mais aguardado por todos!
Coimbra, uma candidatura vencedora e imbatível, se quiser
E duma forma vibrante e determinada, foi feita uma exposição multimédia, perante uma assistência surpreendida e entusiasmada.
Foram mostradas as incomparáveis potencialidades de Coimbra sintetizadas em 20 argumentos principais (que até poderão ser 100, se necessário for, tal a riqueza cultural da cidade).
São argumentos que, se tratados com determinação e inteligência, farão dela uma candidatura vencedora imbatível.
Coimbra como cidade de conhecimento e da cultura europeia, não o é de agora, nem de há um punhado de décadas, nem o é por fazer meia dúzia de Congressos ou festivais à pressa e “encher o olho” aos menos informados. O seu nome, a sua marca, o seu prestígio, o seu selo de garantia vem de pelo menos há 9 séculos. Foi quando o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra se tornou um dos estabelecimentos de ensino superior mais prestigiados no espaço europeu medieval de então (ainda não existia Portugal nem muito menos a UC).
A Unesco, há 5 anos, reconheceu-lhe esse direito inalienável ao conferir-lhe o Estatuto de Património Material e Imaterial da Humanidade por ter sido “berço da língua e do desenvolvimento da cultura portuguesa”.
Nenhuma cidade portuguesa tem, à partida, condições para tirar a Coimbra esse estatuto que lhe pertence há 9 séculos. Só é de admirar e ficar estupefacto que ainda não o tenha sido, atribuído oficialmente, até agora,
É preciso que Coimbra queira estar à altura do desafio (a começar pelo Município) e não durma “à sombra da bananeira”, como tantas vezes o tem feito. Uma atitude incompreensível, com prejuízos colossais para a cidade, para desânimo de todos aqueles que de Norte a Sul de País, pelos 4 cantos do Mundo se revêem nesta Coimbra eterna e pela qual estão dispostos a lutar até ao fim!
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Opinião – Coimbra. Uma candidatura vencedora e imbatível, se quiser