Eu te conheço, mas não sei quem você é.
Não lembro do quão escuro era o castanho de teus olhos, não me recordo do arco de teus lábios, nem do gosto que tinha seu beijo, não lembro da textura de tua pele e de quão apertados eram teus abraços, não lembro mais, de sequer um único detalhe que fazia você, ser você.
Mas eu erraria, se dissesse que você é alguma coisa, você também não soube me responder quanto te perguntei. Um extenso vazio. Eu não via nada em você além de um corpo em decomposição, sem nome, sem identidade, vazio e nú.
Na veemência do mar de sentimentalismo forjado perdi teu espírito, eu não saberia, ou melhor, eu não sei, sentir, não aprendi, é mero egoísmo, de mim comigo mesmo, não posso permitir que eu permaneça em algo que não acredito, e eu não acredito em você.
Eu menti, não te amei, eu gostava de você, mas não o suficiente pra permanecer do seu lado, não o suficiente pra ouvir sua risada forçada e não sentir um embrulho no estômago, submeti os dois a tal situação, mas eu não lamento por isso.
Levei nós dois ao precipício e, enquanto você tentava me convencer de que me amava, olhando nos meus olhos banhados em falsas lágrimas, larguei tua mão e saltei, mas quem morreu naquele dia não fui eu.
Acompanhado de um garrafa cara de vinho, eu juntei teus pedaços, coloquei-os na caixa que tinha construído pra te enterrar e o fiz, era só mais um copo, sem nome, sem identidade, vazio e nú.











