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O sorriso nos lábios de Magnus era divertido apesar de contido. — Sim, infelizmente o destino não me agraciou com irmãos. - Estava acostumado a ser sozinho, por anos durante sua infância ele havia sido sozinho, sem ninguém para compartilhar nada, mas então depois que crescera ele fizera tantos amigos que por vezes os consideravam mais como família do que Nathaniel e sua ex-esposa jamais haviam sido. — Imagino que a senhorita deva ter crescido em uma casa barulhenta e apesar das dificuldades, teve uma infância muito boa ao lado de seus irmãos. - Ele perguntou olhando-a com o canto dos olhos, arqueando a sobrancelha. Magnus assentiu diante da pergunta dela. — Sim, a mãe dela faleceu no parto. Não teve tempo de escolher um nome e se tinha algum em mente nunca fiquei sabendo. - Magnus tentava não demonstrar seu desgosto pela falecida mulher, tentava ser sempre neutro quando se referia a ela, mas uma coisa que sempre era possível notar era que não havia amor, carinho e devoção em sua voz, era sempre como se ele estivesse falando do tempo ou algo banal, sem importância e se ele fosse honesto, para ele, Charlotte não tivera nenhuma importância em sua vida além de lhe dar Sophia. — Sophia era o nome do meio da minha mãe. Foi fácil para mim escolhê-lo. - Ele encolheu os ombros e então a pergunta dela o fez rir. — Nunca tive contato com muitas crianças antes da minha filha, não sei se todas as crianças são iguais mas imagino que não. No entanto, eu sempre tive muita sorte com ela. Ela é um anjo. - Ele respondeu de forma amorosa. — Claro que bom, eu não faço todo o trabalho, principalmente porque o trabalho não me permite e também porque não faço ideia do que fazer. - Magnus tinha um sorriso divertido nos lábios enquanto inclinava a cabeça para o lado dela e segredava aquilo. — Sophia tem uma babá, a senhorita Dunbury. Ela cuida da parte difícil. No entanto, em duas semanas ela nos deixará pois se casará e mudará para o interior. Sendo assim além de uma mãe para Sophia, também precisarei de uma nova babá. - Pela primeira vez ele revirou os olhos. Não porque lhe irritava a ideia, mas porque era mais um trabalho que ele teria que ter, parecia que sua lista de má sorte só aumentava. A fala dela o fez parar e virar-se parcialmente para ela, num sorriso travesso. Ela era… Ousada, pensou ele. — Apesar de abrangente, é verdade. Mas posso dizer que meus preferidos são o piano, violão, violino, violoncelo e o saxofone. - Magnus confessou dando de ombros. Sabia que ainda era muito abrangente, mas o que ele podia fazer se era apaixonado pela música? Estava em sua veia afinal e a música o conectava com uma das poucas fases de sua vida o que o fizera realmente feliz. A época em que aprendera a tocar com seu tio Augustus. A pergunta dela o fez parar, virar-se novamente para ela e olhá-la nos olhos por longos segundos. Óbvio que ele acabou se distraindo com o olhar dela e tomou mais tempo do que pretendia para responder, mas então ele finalmente sorriu. — Há sempre outra opção senhorita. - Ele falou, voltando-se ao piano, deixando os dedos tocarem as teclas, agora mais rápido, numa melodia mais agitada. — Eu poderia dizer não, é claro. Obviamente poderiam haver consequências, eu poderia perder meu emprego que, não conte a ninguém, mas eu não preciso. Trabalho por diversão. - Ele confidenciou novamente, inclinando a cabeça na direção dela, olhando-a com o canto dos olhos. O agradecimento dela o fez ficar mais sério, mas seu olhar era quase travesso. — É um elogio sincero. Sou muito crítico. - Então encolheu os ombros e voltou a tocar. — Creio que a senhorita esteja certa. As vezes queremos tudo. - Ele a olhou com intensidade. Ele era uma dessas pessoas que agora queria tudo. Não aceitaria mais “meios”, ele queria encontrar alguém que o visse como prioridade, já que nunca fora a de alguém. — Algo que inflame os sentimentos… - Ele repetiu pensativo e então, sem aviso ele transpassou seus dedos pelos dela, numa dança graciosa de dedos enquanto pessoa diabolicamente, mudando o ritmo e para algo completamente diferente, um ritmo que ele havia ao aprendido em suas viagens ao redor do mundo e posteriormente havia juntado e formado uma melodia única, sensual. — Algo nesse estilo senhorita? - Ele perguntou, ciente de que o serviçal estava presente e de que muito provavelmente ele não deveria nem estar tocando algo como aquilo para ela, muito menos tocando com os dedos praticamente entrelaçados nos dela, mas não podia evitar.
Antonieta esboçou um sorriso um tanto quanto tristonho ao perceber que o cavalheiro parecia solitário, ela não conseguia imaginar-se noutra vida, seus irmãos asseguravam que jamais estivesse sozinha, compunha o alicerce que toda família deveria ter. “Mas lhe agraciou com uma filha.” Apontou, levantando uma das sobrancelhas ao oferecer um sorriso caloroso ao homem. Ela assentiu suavemente com a sentença seguinte, risonha. “Muito barulhenta.” Ressaltou, divertidamente. “Acredito que a vida fique mais fácil quanto temos companhia, e eu, tive muitas.” Franziu o cenho rapidamente a fim de trazer um clima mais descontraído. Ela limpou a garganta discretamente, notando o ressentimento no tom masculino, era desconfortável ouvi-lo. “Eu sinto muito.” Disse sucintamente, achando melhor não mencionar sobre o que sentia. Sabia que muitas pessoas se casavam por arranjos, dificilmente por afeição genuína desde princípio. A ideia lhe assombrou, não gostaria que seu futuro marido – se é que fosse ter um – falasse de si de maneira semelhante, no entanto, ela não estava em posição de exigir tais coisas. Cada vez que pensava mais sobre casamentos, sentia-se desenganada e preocupada, não se casaria apenas por se casar, queria ter um relacionamento verdadeiro. Porém, se preocupava com suas irmãs, elas debutariam em breve e ter uma irmã solteirona certamente não as ajudaria. Entre seus devaneios escutou a narrativa do cavalheiro, ela esboçou um sorriso sarcástico, parecia bem óbvio que homens não se ocupassem em cuidar de seus filhos. “Saberia muito mais na prática, não há nada de extraordinário em cuidar de bebês.” Se viu dizendo, era tarde demais para calar a boca, então prosseguiu. “Mas entendo que tenha suas obrigações. Imagino que seja muito difícil conciliar suas tarefas após a perda de sua esposa.” Uma esposa que ele certamente não gostava, pois sequer a mencionara assim. Ou pior, talvez a filha dele tenha sido fruto de um caso extraconjugal. Tantas possibilidades – que não era da sua conta. A jovem apenas arqueou uma das sobrancelhas conforme o escutava, uma mãe e babá? Uma combinação infeliz e que trouxe uma nova impressão de Magnus. “Achei que estivesse procurando uma esposa e não uma servente.” Disse em bom tom, contrariando seu costume em falar baixo e docilmente. Havia descoberto que a maioria dos homens gostavam detratar suas mulheres como um mero adereço, ela não teria esse mesmo fim, seria uma solteirona, mas uma solteirona orgulhosa. Ela sorriu minimamente, ele era um músico tinha de ter maestria com outros instrumentos. “Se o senhor está dizendo, eu acredito.” Murmurou, oferecendo um sorrisinho a ele. Trabalhar por diversão? Um vinco se formou entre suas sobrancelhas e Antonieta precisou de todo o seu bom senso para não fazer nenhum comentário. Ele poderia passar um tempo com a filha ao invés de satisfazer os caprichos artísticos da rainha, novamente precisou se repreender, não era de sua conta, não o conhecia, só sabia de alguns fragmentos de sua história porque ele decidira explana-los. “E é um agradecimento sincero.” Retorquiu com algum nível de petulância. Os instantes seguintes pareceram acontecer em câmera lenta, a intensidade dos olhos alheios, juntamente com seus dedos habilidosos e ousados, Antonieta sentiu suas bochechas se aquecerem e seu estômago embrulhar numa emoção inusual. Sentiu a boca seca e então a umedeceu com a ponta da língua, percorrendo seu lábio inferior discretamente e depois selando-o para espalhar a sensação sobre eles. “Eu nunca ouvi algo assim antes.” Sussurrou, quase sem fôlego e ligeiramente encabulada. Seu olhar caiu para os dedos que praticamente se entrelaçavam, ainda que não fosse admitir, ela gostou. De repente se recordou de um de seus itens. Homens gostam de desafios. Caso se entregasse ali, de alguma forma, não seria desafiante para o cavalheiro. Entretanto, Antonieta não sabia se desejava cativa-lo, se é que tinha potencial para fazer isso. Ela se distanciou sutilmente dos dedos dele, deixando com que ele tocasse livremente a melodia. “Eu gostei disso.” Lhe sussurrou, olhando de soslaio para o serviçal. “Acho que estou sentindo algo.” Segredou em um ronronar sugestivo. Logo suas feições suavizaram e foi como se Antonieta nunca tivesse sido vulgar antes. “Terminamos aqui, uh? Se for de vosso agrado, podemos ensaiar amanhã.”














