Hoje tenho finalmente palavras que não quero dedicar à pessoas que se foram. Finalmente tenho uma mensagem de boas vindas para alguém que ardentemente espero que fique, ao mesmo tempo que não temo nem um pouco se chegar o dia em que esse alguém vá embora. Isso é porque sinto que sou completa, porque eu não preciso dar partes de mim para fazer com que esse alguém fique e nem preciso que esse alguém me dê partes de si mesmo a fim de completar minhas partes vazias. Nós somos cheios sozinhos. Não existe pressa em pular etapas, não existe fome insaciável. Existe paz, tranquilidade e um sentimento bom em pensar que esse alguém pode ser aquela pessoa, mas que tá tudo bem se não for. Porque a vida é algo pelo qual é preciso passar sozinho, não estando sozinho, mas sendo sozinho. Ser é experiência única, ser é carreira solo, ainda que estar não seja. Eu aprendi a ser sozinha, também aprendi a estar sozinha e só agora sou capaz de usufruir de uma companhia de modo saudável sem que nenhuma das partes seja lesada. Não preciso de ninguém para ser quem sou, mas gostaria de estar além de mim, com alguém que queira estar além de si mesmo. Assim, será possível que criemos algo novo, bonito, sem precisar matar nada do que existe por aqui, nem nada do que existe por lá. Hoje pensei sobre o quão bonito e significativo é criar coisas a partir do que já existe. Acredito que o amor seja exatamente isso, criar coisas novas sem descartar totalmente as bagagens velhas, as bagagens do ser. Amar é o ser e o estar em harmonia. Eu sou completa e quero dividir algo com você não porque você precise, mas porque meu ser se torna infinitamente mais harmonioso com você por perto, não necessito disso pra viver, mas QUERO viver assim. Eu sou eu, você é você, mas quando estamos juntos não estamos limitados a isso, é onde criamos o nós: a primeira pessoa do plural. Viu como amar é criar a partir de coisas que já existem ? Sou grata pela minha e pela sua existência porque no final do dia 0+0 continua sendo 0, mas 1+1 é soma. 1+1 é nós.