PRÉ-CANDIDATURA DE VILMA REIS APONTA SINAIS DE AMEAÇA À DEMOCRACIA DO PT EM SALVADOR
Neste último sábado, dia 14 de março, se espalharam atos no país para lembrar os dois anos do brutal assassinato de Marielle Franco. Foram muitas vozes que se ergueram para dizer que passou o tempo de silenciar as mulheres negras, pois Marielle virou semente de muitas flores e frutos na vida nacional.
Uma demonstração da força da maré negra feminista é o Partido dos Trabalhadores (PT) e as eleições municipais de Salvador. Desde que lançamos nossa pré-candidatura, no dia 02 de julho de 2019, conseguimos pautar a sociedade como nunca antes na sua história quanto a necessidade desta cidade ter uma prefeita negra. O Agora é Ela! se espalhou nestes meses nas ruas, festas, e plenárias para discutir um futuro menos desigual e violento na capital do estado. Mais ainda, fez o PT sonhar chegar pela primeira vez ao Palácio Tomé de Souza.
Porém, no mesmo dia 14 março, a presidência municipal do partido, durante atividade de lançamento de uma plataforma de governo “participativo”, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), demonstrou que ainda enxerga as mulheres negras como figurantes nos seus processos políticos.
As três pré-candidatas, Vilma Reis, Fabya Reis e a Major Denice Santiago, ficaram sentadas e caladas enquanto apenas os homens da mesa tiveram o direito ao microfone. Só um pré-candidato falou, Robinson Almeida. Uma decisão unilateral do presidente do diretório, Ademário Costa, sem qualquer consulta ou pacto com os demais membros da executiva municipal.
Os sinais da falta de diálogo e respeito também se deram na apresentação dos mecanismos de consulta e construção de um programa para a prefeitura. Coube a um representante do governo do estado chegar com uma agenda, eixos e metodologias do processo definida, sem notícias de passar por qualquer consulta às pré-candidaturas.
Além de tolher a fala das mulheres, não permitiram apresentar nossa proposta de caderno com dez eixos, construindo por meio de muito diálogo e esforço. Aliás, a disposição ao diálogo é nossa marca, enquanto o clima do auditório era de torcida organizada com claque e até intimidação às vozes dissonantes ao discurso do governador, Rui Costa.
Nós, apoiadores e integrantes do Agora é Ela!, consideramos inaceitável o conjunto de sinais apresentados pela presidência do diretório municipal, e também dos representantes do governo do estado. É grave impedir a fala das pré-candidaturas. É grave tal nível de ingerência do governo no programa. É grave não cultivar uma cultura de diálogo e respeito às divergências. Tudo isso sinaliza uma dúvida quanto o respeito à democracia do partido nos próximos meses.
Só que nós não vamos abaixar a cabeça e voltar para casa diante do autoritarismo, misoginia e militarização da política. Vamos seguir em frente, e nesta segunda-feira, às 20h, vamos realizar uma Live na página do Facebook Agora é Ela – Vilma Reis a fim de apresentar nossa proposta de programa de governo por uma CIDADE DE DIRETOS.
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