RESENHA O CLUBE DO SÁBADO As sete cores do céu — por @galaxymaars
The Breakfast Club é uma obra prima de sua década, e pra quem não conhece esta grande maravilha cinematográfica, recomendo que desde já busque por pipoca, ketchup e passe as próximas duas horas vivenciando um sábado de detenção. Ou então, você pode viver O Clube do Sábado, de Cinthia Torres, e cair de cabeça nas sete (ou cinco) cores que pintam o céu de Colina do Sul. Em princípio, é preciso de contextualização: O clube do sábado é a obra publicada e modificada de O Clube dos Cinco, a fanfic escrita sob o pseudônimo de Endless Delirium, e conta numa das coletâneas do Book Of Fanfics, sendo esta o primeiro livro do projeto. Narrada paralelamente às cinco personagens principais (e mais uns quebradinhos), O clube do sábado se passa na cidade brasileira fictícia de Colina do Sul, num universo muito próximo a realidade social vivenciada por nosso país. Uma cidade dividida por uma linha de trem, que corta uma barreira socioeconômica entre a população pobre e a rica. Do lado de cá da linha, fica o famoso Colinão, a favela pobre na qual vive Augusto Dias, mais conhecido pela velha guarda fanficqueira como Huang Zitao. “Além de pobre, é viado”, e como um plus a sua vida já engavetada socialmente, Augusto tem a personalidade de uma fagulha pronta para entrar em combustão. A história na verdade começa quando Alexander, o antigo boneco Luhan, não se contém sob a liberdade exacerbada que Augusto parece obter em sua vida de pose marginal, e devido a seus comentários ácidos, acaba levando uma surra do próprio na quadra da escola. – Só ficou difícil quando outros três estavam envolvidos na tal treta, tentando separar o marginal do boneco da escola: Maida, a modelo sem amigos e de expressões adultas demais, a versão feminina de Kris Wu. Julia, a atleta popular que sofre as pressões familiares e sociais que a mãe lhe impõe, a nova versão de Kai; e por fim, Benjamin, o garoto de cabelos coloridos que um dia foi chamado de Sehun. — Cinco pessoas que possivelmente deveriam se detestar e manterem-se longe uma das outras de acordo com os padrões sociais impostos pela escola, são forçadas a viverem oito horas de um sábado juntas, confinadas em uma detenção que, de alguma forma natural e ao mesmo tempo sinistra, os torna próximos o suficiente para serem chamados de amigos. A vida de padrões de Julia e Alexander começa a desmoronar depois de vivenciar aquele sábado de gatilhos, Maida faz amigos pela primeira vez e Augusto se vê preso nos olhos brilhantes de Alexander. E Benjamin? Benjamin sente orgulho de ser O maluco. Os traços do enredo seguem pelo mesmo caminho que O clube dos cinco. No entanto, nessa obra encontramos personagens novas com histórias que tanto se assemelham a dor do mundo; Julia, uma atleta que namora o melhor amigo por conveniência, Alexander, e ambos partilham suas confusões internas em silêncio, encobrindo seus temores no ambiente escolar. Julia, a mesma garota negra que lida não apenas com os nós que a impedem de gostar de sua aparência, que a fazem alisar os cabelos enrolados, a vestir uniformes e roupas esportivas quando na verdade gostaria de experimentar um vestido ou outro. E Prudence, a doce Prudence, irmã mais velha de Benjamin e um dos motivos mais sinceros do garoto pintar as sete cores do arco-íris em seus cabelos, uma homenagem a grande representação que a mesma representa nesta história. O clube do sábado foge do tradicionalismo e dos aparentes clichês de um romance adolescente. Os constantes questionamentos e atitudes impensadas marcam a transição de um começo de uma temporada nova na vida de cada um daqueles garotos confusos. Uma história que transborda questões de amor, de empatia e respeito a partir de conceitos familiares e ambientes sociais – escolhas de vida que podem ou não serem importantes ou decisivas quando se tem apenas 17 anos. Cinthia Torres nos mostra um contraste simples entre sonhos e a cruel realidade, assim como a mais pura das ambições adolescentes, a felicidade, e mergulhamos em sua narrativa com a intensa sensação de similaridade, seja ela com a juventude democrática, ou com a maturidade ditatorial dos adultos. Vemos um pouco de nós em nossos pais, e então emergimos de seu universo literário quase capazes de sentir o cheiro das maçãs de Colina do Sul, respiramos fundo a realidade com os respingos de seu incentivo a reflexão do que somos, do que acreditamos e de como nos ajustamos no mundo, se somos ou não engavetados, ou se podemos todos sermos malucos. Afinal, os malucos gritam por uma liberdade de sete cores que pintam o céu sob nossas cabeças. — TORRES, Cinthia. O clube do sábado. Londrina: Madrepérola, 2017 » Para comprar direto com a editora: http://www.editoramadreperola.com/oclubedosabado.html » Para comprar direto com a autora e de quebra receber ele autografado e com marcador: https://goo.gl/x8d7AM













