quantas vezes por dia você se sente invisível? quantos dias por segundo? quantas vidas por metro quadrado, quantos sorrisos por notificação? em quantas partes cê reparte um amor que tinha tudo pra te fazer inteiro? e todas essas coisas que as pessoas dizem fazendo tão pouco sentido numa vida real que te faz entrar num elevador no meio do dia pra chorar em outro lugar que te faz entrar no metrô pedindo pra se teletransportar que te permite caber no ônibus mesmo que você tenha pouca certeza do espaço que ocupa ou se sequer ocupa algum espaço quando começa a fazer sentido? quando as orações começam a fazer efeito? quando é que a sua fé no inacreditável cria braços críveis que te abraçam e te salvam da dor de se sentir uma lacuna e quando é que acaba, se acaba, se acabam contigo. e eu te vejo brincar de amarelinha entre grand canyons como quem não sabe mais respirar sem o caos como quem é tão fino que teve pressa de sentir o amor como quem o viu derramado no chão quantas vezes? o quanto eu preciso te amar pra isso passar? e o quanto você precisa acreditar nisso pra resistir? a gente despenca dos prédios da apatia todos os dias, viu. a gente desaparece entre as-maiores-dores-do-mundo a cada explosão na Síria, a cada ataque do Estado Islâmico, a cada avião fora dos radares. a gente é invisível, a gente dói pra acreditar no amor e quantas vezes isso foi o suficiente? quantas vezes não foi? por que desistir, então? por que me dizer adeus, meu bem, se você pode me dar a mão?
















