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@burkesblood
bill skarsgård ‒ hemlock grove. 1x06 (2013)
fake tears for your funeral
with @burkesblood
Que não fosse dito que Draco Malfoy não sabia fazer uma festa. Ou, nesse caso, um funeral. Ele estava subitamente entediado, e o fato de que acreditava tão fielmente que o colega de quarto havia desaparecido há semanas considerando o tanto que se desencontravam. E diziam que Draco não perdia uma oportunidade de ser melodramático, mas ele mesmo achava-se no direito de ser assim, quando estava mais entediado do que era o aceitável para ele, precisava também de uma distração nos dias que não fazia rondas para se esquecer de como Umbridge descobriu a coleira e resolveru puxar a corrente. Okay, nenhuma metáfora de cachorro para ele, não parecia certo.
No momento ele observava alguns sonserinos, maioria do primeiro e segundo ano, esses que eram mais suscetíveis à curiosidade e entender o título de Príncipe da Sonserina que Draco havia sido proclamado logo no primeiro ano — inicialmente dito com muito deboche, mas hoje em dia que ele usava como uma boa fachada e guia de comportamento. Flora havia o ajudado com a organização, claramente, ele sempre poderia contar com ela para ter alguma parte em seus esquemas, mesmos os mais simples. Então, ele todo de branco, subiu num dos apoios de pé atrás de um púlpito improvisado ao lado de uma foto não muito lisonjeadora do Burke no ano anterior que ele encontrou fuçando nas tralhas largadas pelo quarto enquanto procurava por uma lanterna mágica, a guardou esperando a oportunidade de fazê-la ressurgir aos olhos dos outros, a ampliando e expondo num cavalete como parte do funeral dentro da comunal.
— Boa noite, caros amigos e colegas de casa. Hoje nós nos reunimos para celebrar a vida de… Não, perdão. Nos reunimos hoje para celebrar a morte de um dos maiores filhos da puta que eu conheci nos últimos dezesseis anos. E isso é algo, como todos sabem, sou filho de Lucius Malfoy então meus padrões para filhos da puta são muito altos. Eu quero agradecer a todos que compareceram nesse evento e desejaram seus sentimentos. Um agradecimento especial à Flora Carrow, que preparou isso comigo em duas horas pois a notícia chegou até nós tão subitamente. Noctus Burke era meu colega de quarto, e como lei para ser meu colega de quarto, ele era um babaca. Só. Essa é a eulogia. Obrigado por comparecerem, a senhorita Carrow irá tomar suas assinaturas no livro de presenças, por favor, deixem uma mensagem consoladora para a família, também conhecida como eu, Karkaroff e… Zabini, claro, aqueles que tomaram uma pelo time sendo os colegas de quarto dele. Agora, um momento de silêncio e reflexão.
Se tem uma coisa que Noctus Burke nunca foi é preguiçoso. Apesar de preferir fazer certas coisas a outras, e de procrastinar e arrastar algumas delas com a barriga, ele nunca foi do tipo que fica largado em um canto esperando a vida passar e as coisas se resolverem por conta própria. Era um garoto ativo, sem dúvidas; sendo assim justificada a sua grande ausência na comunal durante as duas últimas semanas.
Noctus andava agitado, cheio de coisas para fazer ou resolver.
Durante o dia estava ocupado com as aulas e treinos de quadribol. Além disso, aquele novo professor de DCAT estava pegando no seu pé além do normal, dando tarefas suplementares com a desculpa de que via potencial em suas habilidades. Perseguição, era assim que o Burke chamava aquilo. E, durante as madrugadas, Noctus escapava escondido do dormitório para ir se encontrar com Daisy Dursley e a ajudar com a força obscura que habitava a garota; os dois já estavam fazendo grandes progressos e isso o deixava ainda mais animado a continuar. Porém, tal qual o ser humano mortal que era, as vezes suas energias se esgotavam e ele logo se viu forçado a diminuir o ritmo.
Depois do horário obrigatório de estudos naquele dia, Noctus percorreu as masmorras com passos lentos e ombros caídos, tamanho era o cansaço que se abatia sobre seus membros; fazendo-o ansiar por longas horas de sono. Deste modo, adentrou na comunal da sonserina sem, de início, notar a movimentação dos alunos ali, que pareciam reunidos em um dos cantos. O Burke já estava próxima da entrada para os dormitórios masculinos quando a pronuncia alheia do próprio nome atingiu seus ouvidos. Girou sobre os calcanhares, logo se deparando com uma foto da própria cara em uma posição que nada condizia com a imagem de superioridade e terror que ele gostava de passar; depois os orbes verdes caíram sobre a figura desprovida de cor do amigo, Draco Malfoy, que gastava saliva - como sempre - para o drama.
— Que porra você acha que está fazendo, Malfoy? — aproximou-se do púlpito improvisado, amarrando ainda mais a cara com a visão da fotografia agora mais de perto. Por pouco lufadas de fogo não saiaram de suas narinas quando estudou os rostos conhecidos que os rodeavam, sendo a maioria de sonserinos dos primeiros anos, além de Flora Carrow, que suspeitou ver um relance lá no fundo. Noctus sabia que suas energias estavam a ponto de minguar por completo, então resolveu poupa-las e não matar a todos ali e agora. — Eu realmente espero que esse seja um altar de adoração e que vocês todos tenham percebido o verdadeiro deus que sou. Porque vou confessar que já era tempo. — suspirou longamente, cansado, antes de virar-se para o amigo. — Que roupa ridícula é essa? Andou pegando as coisas do Zabini outra vez? — foi ai que viu um grande livro aberto sobre o apoio do púlpito, justamente em uma página onde o título era R.I.P. Noctus Burke, e só então ele compreendeu o que acontecia. Aquilo era o seu funeral? Ora, por acaso ele virou o próprio Professor Binns que acordou morto sem saber? — You must be fucking kiddin’ me!
Vergonha não existia no vocabulário de Ana Letícia Weasley e era por esse motivo que a mulher andava pelos corredores de pijama de unicórnio. Ao se aproximar de uma pessoa no corredor, Anale começou a gritar e agarrou o capuz de seu pijama. “Unicórnios são malvados!! Eu posso provar, estou sendo atacada por um!”
ou de like para um starter fechado <3
Noctus estava caminhando por entre os corredores, surpreendentemente cuidando de sua própria vida e não insultando pessoas alheias como era seu habitual. Ele estava afogado nas próprias preocupações dessa vez, das quais não tinham relação alguma com a Umbridge (ele esperava!), mas sim a uma galeão adulterado com duas caras que recebeu da mãe dias atrás. Queria saber o que aquilo significava, uma vez que tal símbolo estava fora do código secreto dos Burke. Deste modo, foi pego de surpresa pela aproximação da mais velha, por pouco não deu um pulo no lugar. Franziu as sobrancelhas com a cena que a ruiva representava, que só não era mais ridícula do que o pijama de unicórnios que ela trajava. “O quão assustador é que os alunos sejam obrigados a se consultar com uma pessoa como você? Não me surpreenda que eles saiam de lá mais problemáticos do que nunca. Ou que eu saia.” falou a última frase contra a sua vontade, sentindo um nó na garganta por saber que ainda era obrigado a frequentar a sala da psicologa mesmo com a nova direção.
𝕖𝕩𝕥𝕣𝕖𝕞𝕖 𝕥𝕚𝕞𝕖𝕤 𝕣𝕖𝕢𝕦𝕚𝕣𝕖 𝕖𝕩𝕥𝕣𝕖𝕞𝕖 𝕞𝕖𝕒𝕤𝕦𝕣𝕖𝕤 | 𝓭 & 𝓫
Se a intenção era a de fazer os alunos andarem mais na linha com a chegada da Alta Inquisidora, certamente tinha surtido o efeito contrário em Daisy. Apesar de ser sempre extremamente metódica e uma exímia seguidora de regras, o desespero ao ver que, estando ali presente tão de perto, o Ministério estava praticamente com as mãos ao redor do pescoço da obscurial, Daisy viu-se planejando as melhores maneiras de quebrar algumas regras. Ser filha de um maroto, enfim, vinha a calhar. Claro que não faria pegadinhas ou coisa do tipo, pelo contrário, tudo o que queria era chamar menos atenção possível para si, mas no que dizia respeito à privacidade, não pensou duas vezes antes de considerar infringir a regra do toque de recolher para encontrar aquele que vinha ajudando-lhe significativamente.
Sabendo que, portanto, teria que encontrar @burkesblood ainda mais às sombras, Daisy pensou em como e onde poderia continuar o estudo de seu caso, sem serem vistos ou interrompidos. Normalmente, ela apenas enviaria um bilhete via coruja com o horário e o local do encontro, mas como não duvidava nada de que agora eram muito mais observados e fiscalizados, desconsiderou as corujas como uma via segura, e preferiu fazê-lo pessoalmente. Como ser vista conversando civilizadamente com Burke também não era uma opção boa para não chamar atenção, o método que a corvina encontrou foi um dos mais clichês, e ainda assim, infalíveis. Durante o almoço, fez questão de trombar contra o corpo de Burke ao que ambos passavam pelos corredores, e nisso, discreta e efetivamente colocar o pedaço de pergaminho amassado na palma da mão alheia. Sem nem olhar para trás, a próxima vez que Daisy o veria seria somente no horário e local combinados.
Com o relógio tiquetaqueando o passar da meia-noite, a ansiedade e angústia da ruiva cresciam em seu cerne, especialmente com o escuro começando a parecer querer engoli-la, e o demorar de Burke para chegar até o banheiro do sexto andar, que justamente pela distância de qualquer outro ponto do castelo, era pouco frequentado - e, também, um ponto negligenciado pela atividade dos monitores, ela bem sabia por ter sido uma. Tentava ao mesmo tempo fazer silêncio e extravasar seu inquietamento, mordiscando o próprio lábio inferior enquanto seu olhar ia da vista da janela para a porta, pronta para esconder-se caso quem entrasse ali não fosse quem aguardava. Entretanto, quando a porta abriu-se num discreto ranger, Daisy gelou pelo medo de possivelmente estar prestes a ser pega e encrencada. Quando viu a face pálida, entretanto - e ao contrário do que jamais pensara sentir -, soltou um suspiro aliviado com o ar que nem percebera estar segurando em seus pulmões. “Finalmente. Obrigada por ter vindo.” murmurou baixinho, mesmo sabendo que estavam a sós, sua furtividade era instintiva às circunstâncias. Apesar dele ganhar algo, assim como ela, daquilo, Daisy ainda sentia que devia algum agradecimento à ajuda recebida.
A presença de Umbridge em Hogwarts transformava os dias de Noctus em um pesadelo e ele aos poucos ficava mais parecido com um vulcão prestes a entrar em erupção. Com todas as novas regras, controladoras e impostas pela Alta Inquisidora, suspeitava que o seu momento de explosão chegava cada vez mais perto; assim temendo em segredo o que aquilo viria a resultar em sua vida, mas não se permitindo evitar. Além disso, recebera uma carta perturbadora do pai na noite seguinte a chegada da mulher atarracada, suspeitando que as coisas no mundo lá fora logo estariam fervilhando tanto quanto as da escola de Magia.
Em contraste com tudo isso, sua nova empreitada de estudos extracurriculares era a única coisa que valia a pena naquela fase acadêmica. Sentia-se cada vez mais desafiado e instigado pela escuridão desconhecida, quase colhendo mais gozo disso do que da presença da obscurial com quem passava longas horas na semana, estudando-a. Assim foi fácil para Noctus se convencer de que a sensação de plenitude que sentia nesse tempo compartilhado se dava em razão da aproximação de seus objetivos e não por ele se sentir bem ao lado de Daisy Dursley.
Naquela noite, após a ruiva ter lhe entregado um bilhete entre um tropeção e outro durante o intervalo das aulas, o Burke se viu escapando das masmorras frias e percorrendo por entre as sombras o caminho até o banheiro do sexto andar. A cabeça fervilhava, recordando-se da entrega incomum recebida naquela tarde e que provinha da mãe: um sickle de prata alterado com a imagem de dois bruxos diferentes em cada face. Sabia que aquilo deveria significar algo e que Bilyana já sabia que Umbridge estava revistando todo o correio que chegava na escola. Tamanha concentração em desvendar o mistério do sickle quase o fez ser pego por um monitor quando chegou no segundo andar, mas o sonserino conseguiu se camuflar no escuro graças as suas roupas pretas e seguir o seu caminho sem outras interrupções.
Abriu a porta do banheiro no sexto andar com muito cuidado, ainda assim um ranger agudo foi produzido pelas dobradiças enferrujadas, fazendo os pêlos em sua nuca se arrepiarem. Lentamente Noctus trancou a porta as suas costas e virou-se para encarar a face pálida da corvina á sua espera, achando que ela parecia muito com um fantasma sob a luz prateada da lua que adentrava pelas largas janelas. “Não por isso.” imitou o tom usado pela menina enquanto ainda se mantinha afastado e parado. Noctus então sorriu, achando graça do suspirar de alivio exprimido pela outra. “Tá devendo, Dursley? Pode relaxar, tenho certeza de que ninguém me seguiu.” brincou, finalmente voltando a mover os pés e indo até a frente da janela próxima a ruiva. Os olhos verdes estudaram com interesse e velocidade o terreno lá fora. Tudo parecia calmo e quieto dali. Então o Burke se afastou para ir usar um vaso sanitário fechado como assento.
why'd you only call me when you're high? — noctestia
xhestiacarrow:
🟉 ¦ 「 Nunca ofenda a família Carrow perto de Hestia. Essa era uma máxima que o outro aprendera na noite no corredor quando ela deixara a postura de dama que possuía como manto para mostrar ao rapaz como lidava com aquilo. Não se importava com a forma como tratavam a si mesma, preferia muitas vezes apenas ignorar quem tentava arrancar uma reação daquela que tinha como neutralidade sua arma, se as palavras alheias não podiam te tocar então você seria invencível, acreditava com afinco nisso e era exatamente por essa razão que inclinou o corpo alguns poucos centímetros para traz com aproximação alheia, não era medo que estampava a face feminina, na realidade não havia nada ali, as expressões da slytherin eram quase que espectrais enquanto ele começara a despejar suas falas, para os ouvidos de quem já conhecia seu temperamento poderia muito bem ser apenas um grunhido irritante, não se importava com a frágil masculinidade de Noctus e com a agressividade que ele precisava exercesse para se sentir superior; afinal aquele era uma forma primitiva de conseguir o que se quer, a bruxa, por outro lado, possuía controle e para ela essa sim era uma ferramenta valiosa.
A mão destra fora levada até os lábios a distancia que ela produzira sendo a responsável pela segurança da face alheia, não queria queimar aqueles traços com seu cigarro, ainda que a ideia tenha lhe parecido tentadora. Mantinha os orbes de maçã verde sobre seus semelhantes como se tivesse algo ali que ela pudesse ver além das palavras que era jogadas a sua cara. Coragem não era associado ao seu nome, no entanto seria se soubessem do que ela era capaz, era necessário uma dose de coragem ou de insensatez para permanecer tão próxima de alguém quando esse claramente não detinha domínio de todas suas ações, pois se assim o fosse o Burke jamais ousaria falar de sentimentos com sua noiva. Deveria ter virado a face antes de expelir a fumaça esbranquiçada de seus pulmões, mas qual seria a graça naquilo?
Havia tanta ousadia nos dizeres alheios que o punho da garota se fechou com força logo após ela se livrar do cigarro ainda acesso, uma verdadeira lastima, mas o fizera sem pensar, talvez aquele descontrole fosse transmissível. O único momento em que desviara o olhar fora para, de fato, constatar que ele falava de algo entre eles quando o indicados masculino apontou para ambos, inclinou a cabeça alguns milímetros para o lado, poderia ser um gesto de quem buscava entender o cerne daquela questão, mas unido ao forma lenta com que as pálpebras delineadas lhe privaram da visão por um momento enquanto tudo que ela era capaz de ver era a cor vermelha. A única prova de quem ela possuía um coração era o galopar de seu coração movido pela adrenalina; queria calar a boca de qualquer forma que fosse. Por que não estava mais com seu cigarro, queima-lo teria um sabor especial agora.
Fora a vez da Carrow projetar seu corpo para frente enquanto uma das mãos sobre o peito do mais alto o empurrava. “Foi simplesmente diversão… ou quase isso.“ Podia muito bem concordar com aquela única frase carregada de verdade, mas Noctus parecia possuir o dom de estragar tudo, era uma pena que não ficasse calado pela vida inteira, talvez assim ela pudesse ter qualquer interesse em honrar aquela promessa que fizeram diante das família, mas não, ele tinha que continuar a falar merda o tempo todo. Ele estava mesmo insinuando que ela gastara algum tempo pensando neles. Como se houvesse um nós entre eles? A ideia seria digna de uma gargalhada se a dona dos fios amendoados não estivesse tão cheia de ouvir o ego alheio falar. Aperta tão forte os punhos que seus dedos produziram o som característico de um estalo antes de atingirem a face alheia. Hestia não tinha nenhuma técnica aprimorada, sendo assim atingira não apenas o nariz alheio como uma parte dos lábios bonitos do rapaz. O movimento fora rápido, força tinha uma relação maior com a velocidade do que com músculos.
A dor em sua mão era tão forte que ela precisou de muita força de vontade para ignora-la e continuar. Segurou a gravata verde e prata entre os dígitos da mão boa e puxou a face masculina para si. —— Escuta bem, seu merda. Vou falar de uma forma bem simples até você vai entender. Com quem você acha que está falando? A voz saíra estridente demais, raras eram as ocasiões em que utilizava aquele tom. —— Eu não uso aquela droga de anel porque tenho nojo de admitir que eu prometi me casar com você. Nunca gastaria meu tempo pensando em alguém fraco como você, Noctus. O curvar dos lábios viera logo apos notar o quanto era intimo usar o primeiro nome. —— Não projete suas frustrações em mim, se recebeu poucos abraços em casa, não é comigo que você vai acha-los, querido. Era distancia que você queria? Devia ter convidado outra garota pra fazer ciúme em Salazar sabe quem. Claro que eu também estava te usando, não vou mentir, você é bem gostosinho com a boca fechada. A explosão fizera com que seus nervos se acalmassem e devolveram a capacidade de sussurrar. Na próxima vez que viera pra cima de mim confundindo sexo com essa merda de sentimentos não é só soco que vai ganhar, mo ghrá. Eu conheço formas muito mais divertidas de te fazer sofrer e acredite; se você falar comigo dessa forma de novo, vou amar cada segundo do seu sofrimento. Com uma força desnecessária empurrou o outro enquanto erguia o próprio corpo afim de ir embora, não iria ficar nem mais um segundo ao lado dele.
Por clara falta de cuidado acabou perdendo os movimentos iniciais e ligeiros daquela que lhe dava atenção naquele momento, cujo - se tivesse prestado atenção - veria que estes deixavam muito claro aquilo que se passava na cabeça alheia e a reação que aos pouos provocava com suas palavras impensadas e rudes; se bem que 99% das suas falas não pareciam mesmo passar por um filtro antes de serem despejadas boca á fora. Tanto que a fumaça expelida pela noiva passou igualmente despercebida, tamanha concentração era a que o jovem Burke tinha de dizer tudo aquilo que pensava, sempre focado em si mesmo e só quando já achava ser o suficiente é que se comprazia pelo outro.
Ao final do próprio discurso, um curto silêncio se instalou entre os dois, como se o mundo tivesse segurado a própria respiração, apreensivo pelo o que aquilo resultaria. A brisa suave atingiu sua face pouco antes de ser substituída pelo punho de Hestia Carrow, que assim também acabou preenchendo o silêncio ao redor deles com o ruído grotesco de ossos se chocando. Noctus primeiro sentiu o pescoço retornando do impacto inesperado em sua face- para a posição natural, depois percebeu ser devido a uma pressão que puxava sua gravata verde e prata para a frente. E, o arder já tão familiar percorreu parte de seu nariz arrebitado, mas a maior parte da sensação se instalou no seu lábio superior - que certamente teve a epiderme corrompida, gerando-lhe um corte leve e horizontal.
A raiva sentida até aquele ponto foi aplacada pela continuidade da sextanista em replicar-lhe as acusações com ofensas bem inteligentes, porém que novamente, de início, foram despercebidas de por Noctus que estava ocupando tentando fazer o próprio cérebro digerir a agressão recebida e como ele agiria diante daquilo. O fogo raivoso que habitualmente se instalava no seu âmago e que sempre provocava uma pressão insuportável na sua cabeça conforme este tentava encontrar uma escapatória, tudo isso surpreendentemente não estava mais lá; a raiva parecia estar sendo expelida de maneira calma, morna e constante para fora de dele, por certo acompanhando cada gotícula de rubi que deslizavam para fora do corte, seguindo em linha reta pelo lábio inferior até chegar-lhe ao queixo.
Os orbes frios do Burke não deixavam o rosto feminino, cogitando qual seria a forma de machucá-la em troca daquilo e pesando na própria balança se fazer algo do tipo valeria a pena. Porém, acabou compreendendo alguma das palavras lançadas sobre si, o que fez o sonserino sentir-se um tanto satisfeito consigo mesmo pela reação provocada da garota. Afinal, a forma com que ela falava e as palavras que usara deixavam claro que as suspeitas iniciais do Burke sobre ela estar se envolvendo sentimentalmente, ora, estavam erradas. Isso gerou um misto de agrado e desejo nele que, assim que teve o peito empurrado para que Hestia se afastasse, segurou a mão alheia com força, automaticamente colocando-se de pé também. Noctus então usou o contato para puxá-la de volta, ao menos perto o suficiente para que pudesse fitar os olhos esmeraldinos com os seus, agora impassíveis. — If I would marry you, I'd make your life a fucking living hell because of that. — A voz saíra baixa, porém clara, sendo esta a primeira vez que ele expressava suas reais intenções quanto ao acordo que ambos compartilhavam graças as suas famílias: ou seja, Noctus não se casaria. Contudo, ele logo se calou ao selar seus lábios nos da noiva, enquanto segurava com a outra mão a linha do maxilar dela, envolvendo-lhe o queixo com a palma e usando um pouco mais de força do que seria necessário para manter a face da menina no lugar desejado. Não se importou se o contato seria reprimido e desfeito de imediato, bem como nem se importou por estar a sujar a face pálida e imaculada de Hestia com um pouco do sangue que ela mesma arrancara dele. Ora, na cabeça do Burke aquela sua resposta só poderia significar uma coisa entre duas: ou estava reforçando os termos do contrato explicito que tinham (de que não haveria sentimentos no que faziam) ou que ele estava mesmo era dando por encerrado alguma cláusula desse tal contrato, talvez até a mais importante delas, justamente aquela que tratava da efetiva união matrimonial deles, que assim logo desaparecia nas incontáveis possíveis realidades futuras... Ousaria a dizer que o beijo compartilhado pode ter até significado ambas as opções. — Desce do pedestal, Hestia. Se eu precisasse causar ciúmes em alguém você seria a minha última opção. — dito isso, usou os dentes alvos para morder o lábio inferior da garota com uma leveza quase bruta, porém não a ponto de a ferir. Noctus desfez então o contato e se afastou, seguindo de volta para o castelo com o gosto amargo do seu idolatrado sangue-puro lhe preenchendo o paladar.
[ENCERRADO]
everybodyhatesbenji:
Benjamin sentava com tanta frequência na mesa da Sonserina, visto que boa parte de seus amigos eram sonserinos, que praticamente se sentia parte da casa. Não que realmente fosse, seu coração corvino era mais forte do que a ambição que motivava os moradores da casa das serpentes. Sendo assim, qualquer comportamento reativo e ácido vindo de Noctus entraram na zona de conforto de Benjamin, sabia lidar com isso – talvez às vezes recebesse algumas ameaças de assassinato, ou tortura, alguns xingamentos e coisas semelhantes. Não diria que “cão que muito ladra, não morde”, porque quando o assunto era Noctus Burke, era idiotice dizer aquilo. Todavia, ficaria mais surpreso se Noctus decidisse ser gentil.
— Por favor, que isso aconteça rápido. — Benji murmurou, sem olhar para Noctus. Dedicava sua atenção na notícia do Profeta Diário, que informava a mudança da diretoria. A cara de Umbridge era odiosa e fazia Benjamin querer cometer uma infâmia, mas ao invés de fazer isso, voltou sua irritação para o jornal. Este pegou fogo rapidamente, com um aceno curto de varinha, lábios silenciosos e espremidos em uma linha firme. O rosto de Umbridge pegou fogo prazerosamente, sem deixar rastro de cinzas, cheiro, ou qualquer vestígio de que algo havia sido queimado. Fora um feitiço criado pelo próprio Benjamin Hater, um dos simplórios e apropriado para tarefas mundanas, nem remotamente parecido com o feitiço que se esforçava para criar no momento.
Bom, visto que estava naquela situação, Benji decidiu dar um passo mais a diante, e blefar descaradamente. Não era um bom mentiroso, mas era um bom ator e sabia se portar em situações sociais que requeriam… Um esforço a mais. Benjamin cresceu – não nasceu, cresceu – em uma família abastada e sem quaisquer problemas que não envolvessem multiplicar o dinheiro da família. A maior missão de vida que os Hater queriam impor a Benji era que ele colocasse o nome dos Hater no mapa, desse glória e fama. Ele não se importava muito com isso, fazia seu trabalho indiretamente. Era decididamente um dos melhores alunos da escola, não era novidade pra ninguém como ele era inteligente – o que também não significava que nele era ausente de defeitos. Sua recompensa viria depois, colheria cada fruto que plantou, tinha consciência tranquila sobre isso.
— Ela é uma desgraçada do cacete. Eu odiava o Dumbledore, já foi tarde, mas pelo menos dava pra ficar um pouco de boa. Agora eu tô é achando que deviam fazer um ritual de necromancia, ressuscita o filho da puta só pra ele tirar essa aberração daí. Depois mata ele de novo, e tá tudo certo. Dá até pra dançar em cima do caixão. — A expressão de Benji era impassiva enquanto ele pegava o caderninho de anotações, fazendo observações sobre o comportamento de Dolores Umbridge. Mais tarde, revisitaria novamente a cena em sua penseira. Sua memória era perfeita, eidética, o que facilitava a vida dele em trinta mil sentidos diferentes.
Produziu um ruído rouco com a garganta em nova concordância ao comentário recebido, de início não se dando o trabalho de mover a face alguns centímetros para identificar a quem este pertencia, pois seu ânimo era zero para qualquer outra coisa que não fosse tentar controlar a própria pressão sanguínea que lhe ardia as têmporas, impedindo assim que sua cabeça explodisse bem ali no hall de entrada. As vezes sua raiva intensa causava esses sintomas; pelo menos desta vez sua visão não estava rubra e ele não teve vontade de socar ninguém além daquela velha.
A sua imaginação logo estava repleta de clones da Umbrige, todos vestidos igualmente de rosa só que sofrendo inúmeros acidentes terríveis e fatais; isso serviu para acalmá-lo um pouco, especialmente em conjunto com os dizeres seguintes que escutou. A ideia de ressuscitar Dumbledore apenas para se livrarem da nova ditadora e depois mandá-lo de volta ao túmulo era tão cômica quanto agradável. — Posso afirmar que isso é bem possível. — o tom saiu com mais seriedade do que o esperado, porém logo sendo esquecido pelo riso curto que abandonou os lábios cheios de Noctus pouco antes dele finalmente investigar quem lhe falava.
Benjamin Hater sempre lhe pareceu um intrometido sabe-tudo. Nunca trocaram muitas palavras e nenhuma delas fora significativa pelo que Noctus se lembrava. O sonserino também já ouvira muitas coisas a respeito do mais velho, inclusive alguns rumores de como a família dele saiu do poço da pobreza para ter um cofre cheio no Gringotes. — Ela pode acabar sofrendo um acidente alguma hora dessas. Talvez uma gota de veneno de acromântula no suco de abóbora dela seria o suficiente... mas eu acho que isso seria muita misericórdia e ela não merece nenhuma. Precisa sofrer antes, e muito. Daí talvez nós dois não precisemos dividir um caixão para usar como pista de dança. — O calor na voz era totalmente teatral conforme os olhos frios deslizavam com eficiência do perfil alheio para a edição d’O Profeta Diário queimando nas mãos daquele. O feitiço desconhecido não passou despercebido e, mesmo em meio a conversa paralela, a mente do Burke passava por uma lista de encantamentos tão rápido quanto um pomo de ouro, a procura de uma ligação entre o efeito daquele e alguma nomenclatura familiar. Obviamente não encontrou nenhuma, resultando em uma mistura de ansiedade e descontentamento no seu ser. Talvez fosse alguma coisa que se aprendia no sétimo ano? não, ele duvidava disso porque se convencia de que já saberia de alguma coisa do tipo devido aos seus estudos extracurriculares . — Que feitiço é esse? — a curiosidade e a vontade pelo conhecimento acabou levando a melhor contra o seu orgulho, quase desacreditando ter ouvido aquilo na própria voz enquanto assistia o jornal queimar e desaparecer completamente bem diante de seu olhos, sem deixar quaisquer resquícios de sua medíocre existência.
pansxparkinson:
Desde que se conhecia por gente, a garota tinha a mania de observar as pessoas e não poderia ser diferente enquanto ouvia o discurso da mulher que agora ocupava qualquer cargo que ela não fez questão de prestar atenção, sabia muito bem que alguém que iria comentar o sobre o discurso e iria resumir o mesmo de uma forma que ela fosse prestar atenção. Seu olhar parou na figura de um dos colegas de classe e não pode deixar de sorrir com aquilo tendo armas suficientes para usar quando fosse necessário. Assim como a maioria dos alunos, saiu do salão principal seguindo a multidão que como ela suspeitava estava comentando os acontecimentos que tinha acabado de acontecer, mas atenção de Pansy estava em outro lugar. Ignorou as palavras que foram ditas em alto bom som e colocou um dos braços sobre os ombros do garoto. “Uma pena que seus olhares ameaçadores não conseguiram adiantar o serviço.” Debochou com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso de lado no rosto. “E mais fácil você encontrar com ela no inferno do que o ela encontrar com Dumbledore.”
A raiva direcionada para Umbrige era tanta que nem se quer sobrou algum resquício para lançar sobre Pansy quando ela se aproximou sem um convite, jogando um braço sobre seus ombros e tagarelando com aquela voz habitual de deboche. – Eu te mandaria ir para o inferno, Parkinson, mas tenho esperanças de que quando eu chegar lá vou transformar o lugar no meu paraíso paradisíaco particular e eu não quero você ou aquela sapa velha me atrapalhando. – as têmporas latejavam conforme a pressão em seu sangue aumentava. Noctus suspeitava de que algo dito pela garota fosse verdade, talvez Dolores se mostrasse mesmo um vaso ruim, do tipo que dificilmente se quebra, e isso tornaria o seu desejo de dar-lhe um fim ainda mais difícil de ser realizado. – Pelo menos alguma coisa boa vai acabar saindo de toda essa bosta, não é? Ela vai fazer a vida das escórias nessa escola tão piores do que a minha. – comentou recordando-se de que as únicas palavras não ofensivas dirigidas a mulher pelo velho Burke era de que ela ao menos tinha o bom senso para avaliar a pureza da raça.
ohannebae:
“burke!” anne praticamente pulou na frente dele, colocando-se na pontinha dos pés para levar ambas as mãos até os lábios do rapaz, abafando as últimas palavras dele e olhando para os lados para garantir que nenhum dos favoráveis a umbrige estivesse passando quando ele disse tudo aquilo. “cuidado com o que diz, por favor.”
Teve as últimas palavras abafadas por um par de mãos depositadas sobre seus lábios, quase o silenciando por completo. O toque alheio fez os orbes de Noctus se arregalarem com hostilidade, não recebendo muito bem a aproximação inesperada. Esquivou-se de Anne com um rápido movimento, afastando a face das palmas dela. – O que?! O primeiro ato da ditadora com cara de sapo é que nos tornemos mudos? Eu tenho todo o direito de falar o que quiser, Wilson. E que se foda quem não gostar!
Nenhuma surpresa o era, a bem da verdade, que com a morte do velho Dumbledore o Ministério fosse tomar o controle de Hogwarts; só não imaginara, talvez por inocência, que fosse ser assim tão cedo. Apesar do histórico purista que a mulher carregava sob as vestes rosadas, a figura achaparrada de Dolores Umbridge era o sinônimo de demônio para Noctus. Ela perseguira os Burke quase uma vida através de seus capangas, decidida a destroçar suas atividades ilícitas em nome do ministro da magia que a bruxa tanto idolatrava e a levá-los a completa falência pelo simples prazer de o fazer. Além disso, tinha um jeito irritante e uma fama de seguir as próprias regras com intensa severidade, e só isso já seria o suficiente para Noctus odiá-la. Em outras palavras, ele estava preocupado que sua já tão escassa liberdade no castelo fosse se dissipar ainda mais agora com a presença da Alta Inquisidora. Um pézinho fora da linha e no segundo seguinte o jovem Burke certamente estaria pegando o Noitêbus de volta para casa.
Bem, devo dizer que é um prazer voltar a Hogwarts! Ainda que sejam em tão pesarosas circunstâncias... – Sounds like your birth. – vociferou com um olhar raivoso, cujo manteve durante todo o discurso, ansiando para que só a sua vontade já fosse o suficiente para fulminar a mulher sapa bem ali e agora. Porém, ao final da alocução a saúde da outra ainda estava intacta e ele precisou se dirigir junto aos demais alunos para fora do salão principal. Entre os outros notou que o desgosto não era vivido apenas por si, logo se viu comentando para quem quisesse ouvir: – Com um pouco de sorte - ou beladona - essa mandrágora dos infernos vai ir encontrar o Dumbledore rapidinho e terminar com esse circo.
“𝕃𝕖𝕥'𝕤 𝕘𝕖𝕥 𝕕𝕣𝕦𝕟𝕜 𝕒𝕟𝕕 𝕞𝕒𝕜𝕖 𝕠𝕦𝕥 “. Noctus and @xhestiacarrow at halloween party.
why'd you only call me when you're high? — noctestia
xhestiacarrow:
🟉 ¦ 「 Sempre que via uma oportunidade de adquirir mais intimidade com Noctus seu pés a levavam para o caminho oposto. Desde que ambos se tornaram mais do que simples colegas de casa, eram raros momentos em que ela se demorasse observando-o, por outro lado os últimos momentos que dividiram lhe dera a percepção necessária para atingir o nível em que uma expressão como aquela não passaria em branco, raiva era o que tingia a face do outro e por Salazar como esse sentimento enobrecia os já belos traços alheios. Não, ela não tinha a intenção de controla-lo ou qualquer outra coisa que seus pais tinham em mente; deixara que os orbes analisassem o rapaz por um momento sem imputar discrição no gesto, suas mãos já haviam esquadrinhado aquele corpo o suficiente para que vergonha não fizesse mais parte da equação, apagara o cigarro - que já chegava ao fim - na madeira do deck, apenas para acender o próximo, com o auxilio da varinha. Toda aquela energia que o outro estava reprimindo poderia muito bem ser usada de outra forma. Dera a primeira tragada no novo cigarro antes de leva-lo até a mão recém aberta do outro, era nítido que suas palavras causaram aquilo, mas a Carrow era o tipo que morde e assopra, segurou entre os dedos uma das mãos alheias, apenas pelo prazer do o fazer, talvez pelo sangue que pulsava bombeado pela raiva, mas os dedos alheios pareciam quentes contra seu toque frio e a sensação era agradável demais para soltar.
Responsabilizava a morte de seu pai por toda a situação em que era obrigada a viver, só precisara noivar cedo daquela forma porque não havia ninguém capaz de segurar sua mãe e pior o se tornara sua missão manter o bom sobrenome que carregava entre os dignos. —— Não quero dever nada a uma Fawley. Muito menos a um Burke, mas tem certas coisas que são menos piores do que outras. Pensara sem nada dizer, mas a forma como erguera as sobrancelhas e o encarara podia dar uma ideia do que se passava por aquela mente. —— E pagar você pode ser mais agradável. Se dera conta que ainda mantinha o contato físico, algo que deveria estar sendo visto com péssimos olhos, todavia não deixaria que fosse vista fazendo algo que pareceria sem pensar, por essa razão deixou que a mão escorregasse até descansar sobre o joelho alheio por longos segundos, para só então deixar de toca-lo. Não é um encontro para sexo, fora ela mesma quem dissera e pretendia manter a palavra, estavam juntos para negociar - toda a relação que possuíam se tratava disso; negócios - e ouvi-lo concordar de tão bom grado desenhara um sorriso perigoso em seu lábios. —— Não, não será nenhum problema essa parte. Sou eu quem decide o que é importante pra mim, não? Sentira um acréscimo de estima pelo rapaz, ela a defendera, a convidara para uma festa e agora estava disposto a se emprenhar naquilo.
Permitia que as esferas que rivalizavam com o tom de esmeraldas girassem em suas orbitas mais vezes do que gostaria quando na presença do noivo, talvez por não precisar ocultar todas suas reações quando ao lado dele, pelo menos não se sentia impelida a faze-lo, já que se ele não gostasse do que visse poderia muito bem se afastar sem causar nenhum dano a alguém que tinha por sentimentos apenas interesses escusos. —— Considerando que as poucas vezes que te vi supostamente feliz, você estava arrancando sangue ou azarando alguém. Aposto que ficarei bem te deixando menos feliz. Não estava tão propensa a dividir a informação do que queria com necromancia, pelo menos não por hora, já que de certa forma ele saberia quando esta tivesse a oportunidade de se comunicar com o pai.
Devia nomear a sorte como motivador de poucos comentários quanto aos dois na festa, uma vez que sempre foram tão distantes um do outro estavam e na ocasião se tornaram tão próximos poderia levantar suspeitas. Por outro lado quem estivera prestando atenção em um casal de adolescentes alcoolizados? Ainda que tivesse buscado o auxilio de uma poção do esquecimento para retirar aquelas lembranças da cabeça, não apagara o outro e muito menos a cena dos dois em meio a olhares ao ponto de se beijar, não que houvesse qualquer problema naquele tipo de boato na escola, mas não queria que sua família tivesse o prazer de saber que ela estava tão gentilmente se deixando envolver. —— Esse era o pedido que não tinha como saber do seu interesse, o outro já acredito que não vera problema nenhum. Seu dom para falar sem clareza era notório. —— Nas ocasiões em que nos… Beijamos. Usara uma palavra branda para que as lembranças do jardins dos fundos dos Potter não a invadisse. —— Estávamos chapados… Podemos parar com isso? Não especificou propositalmente sobre qual das duas desejava parar.
Pegou o novo cigarro, que foi praticamente colocado em sua mão, e o levou aos lábios cheios, tragando-o.
O toque súbito de Hestia contra sua mão era frio, fazendo Noctus olha-la com uma mistura de repulsa e curiosidade, mas a expressão rapidamente se dissipou, deixando o rosto novamente jovial impassível. Dever algo para um Burke com certeza é pior, pensou com o comentário alheio a respeito da Fawley, já matutando a sobre o que pediria em troca por seu serviço e tempo. Afinal, se você era bom em alguma coisa nunca deve fazer isso de graça.
Os dentes alvos vieram a tona assim que a fumaça esbranquiçada foi expulsa de seus pulmões, em um sorriso longo e divertido. Carrow estava de joguinhos com ele, não havia dúvidas. Falando que não era um encontro para sexo quando parecia incapaz de ficar sem tocá-lo por muito tempo. Era quase deprimente como tais atitudes a faziam parecer uma garotinha medíocre cujo os olhos estavam turvos pelo desejo - bom, ao menos ele esperava que fosse desejo e não uma paixonite tola, pois acreditava não ter energias para desperdiçar com aquilo, buscando trazê-la de volta a razão. Noctus, por outro lado, não desenvolveu nenhum desses sintomas, inclusive conseguiu até eliminar o desejo que tinha por ela assim que deixaram o jardim dos fundos dos Potter. Ele já provara aquele sabor, agora estava pronto para o próximo.
“Sem dúvidas, Carrow.” retorquiu em voz baixa, com o sorriso retrocedendo a um simples repuxar dos lábios. Não se importava que a menina não quisesse revelar o que pretendia com o ritual de necromancia, acabaria descobrindo o objetivo daquilo em algum momento. “Vou precisar de um assistente. Por sorte, tenho alguém de confiança.” ou quase isso, completou mentalmente referindo-se a Mitre Karkaroff, e já para deixar claro que aquilo não poderia ficar só entre os dois, uma vez que o ritual era composto por várias peças que precisavam de atenção, portanto ter magia a mais nunca seria um problema. Tragou o cigarro uma última vez antes de devolvê-lo.
Assim que o primeiro assunto da pauta chegou ao fim, tendo o próximo quase já anunciado, Noctus mirou a noiva com renovado interesse. Já achava muito ela ter lhe pedido que a ajudasse a falar com o pai morto, então não imaginava o que seria o segundo pedido. Obviamente, teria cogitado muitas coisas exceto aquela que lhe estava sendo apresentada. “You must be fucking kidding me.” riu nasalmente, umedecendo os lábios e sentindo o gosto do cigarro em sua língua. “Você diz parar com o que exatamente? Com os chapados ou as outras coisas?” Não queria uma resposta porque fosse qual fosse não seriam satisfatórias. Será que Hestia achava mesmo que ela o deixava tão excitado a ponto de que Noctus perdesse o controle sobre si mesmo? “Porque se alguém aqui tinha que pensar em parar com qualquer uma delas com certeza não sou eu, Carrow.” ajeitou-se sobre o píer, colocando-se de frente a sextanista e inclinando o tronco na direção dela, de modo que os rostos ficassem mais próximos. “Primeiro você se joga em cima de mim naquela madrugada, depois você me manda a porra de um bilhete pedindo para te encontrar aqui, no meio do nada, e ainda diz que não é um encontro para sexo. O que eu acho bem mesquinho da sua parte, já que desde que cheguei aqui você não tira as mãos de mim e fica insinuando como pode me recompensar. Eu até entendo que seja uma coisa natural: uma garota usando seus artifícios para conseguir o que quer do sexo oposto; e é até bem compreensível.” despejou sobre a sonserina, encarando-a nos olhos esmeraldinos. “Mas, se tudo isso é porque o seu lado sensível tá desenvolvendo alguma coisa disso aqui...” indicou a ela e depois a si. “É patético que você tenha se perdido colocando tão rápido sentimentos em um simples acordo, Hestia. Achei que você fosse mais inteligente do que isso.” Noctus pensava que a única razão para estar soltando tudo aquilo contra ela seria porque se irritou com aquela história de que ela poderia controlá-lo, além disso tinha esse jeito estranho e confuso da menina dizer uma coisa e agir de maneira completamente oposta, irritando-o ainda mais. “Foi simplesmente diversão... ou quase isso. Não precisa gastar tanto tempo pensando sobre aquilo.”
stupid cliché.
esmezx·:
“Talvez a da professora seja, e se bem me consta, a única pessoa para qual ela deu, foi eu.” Sabia que aquele argumento não iria mudar em nada o que Burke planejava fazer naquela sala, mas ao menos ela estava deixando claro que poderia acusá-lo a qualquer momento. Ela era quem estava certa ali. Odiava quando discutia com alguém e davam a razão para seu oponente. Coisa já que acontecera inúmeras vezes e causara suas idas à detenção. Se não fosse pelos imbecis, e talvez seu sangue esquentado, ela teria um histórico intacto em Hogwarts. “Oh Burke, o seu espanhol me deprime. Algumas aulas junto com teoria da educação podem ser interessante para você.” Deu de ombros. “E não me chame de princesa.” Completou em tom de voz irritado e claro, esperando que aquele apelidinho não pegasse. Ainda que concentrada no que fazia, a bruxa não conseguia deixar de ouvir barulhos que só podiam estar sendo feitos por Noctus atrás de si. Algo lhe cheirava coisa errada. Não deveria se importar, no entanto, o bruxo e seus amiguinhos deveriam fazer o que bem entendessem, desde que não a importunassem. “Sim, imagino que seja mais interessante. Dizem que estar com seus semelhantes faz bem.” Retrucou de maneira até infantil para quem escutasse, mas a paciência da morena tinha limites e Noctus extrapolava todos eles. “Sim, porque não haveria outra escola com tamanha compaixão para aguentá-los.” A constar que Esmé não tinha problemas com a casa alheia em si. Não gostava da maneira como os colegas de Noctus e ele próprio lhe tratavam e ela aprendera a muito tempo que não deveria deixar que ninguém a colocasse para baixo, seja onde fosse.
A bruxa pulou do balcão assim que viu que o feitiço fora quebrado. Aproximou-se da Acanto e observou-a com os olhos semicerrados. Não, não era possível que o feitiço tivesse sido finalizado de maneira tão brusca, alguma coisa teria acontecido antes. Abriu o reservatório e pegou uma folha. Exatamente como estava quando a colocara ali. Fechou o reservatório novamente e contou até dez. Quando terminar a contagem estará bem mais calma, Esmé. Disse sua colega de quarto que era tão calma que deixava a morena ainda mais irritada. O barulho que Noctus fazia atrás de si lhe acordara da contagem e logo a morena estava indo em passos firmes até o bruxo encurralando-o na mesa. Segurou as vestes alheias com força e o puxou para perto de si. “O que raios você fez?” Perguntou entredentes sabendo que ele apenas zombaria. “Você não cansa de ser um babaca, não é? Eu juro que se você não reverter o feitiço agora eu…” Soltou-o e em um pulo arrancou a mochila que ele tinha em mãos e virou-a ao contrário para que tudo que ele havia pego caísse no chão. Se ele pretendia fazer parte de um concurso de jardinagem ela não queria saber, o importante era que pagasse por estragar a sua pesquisa inteira. Ainda mais rápido que antes, para fugir do bruxo. Pegou um vaso com terra e minhocas e virou dentro da mochila dele. “Sua mala está pronta.”
Ignorou os dizeres da menina como quem ignora uma fada mordente irritante zumbindo em seus ouvidos. Como já dito, ele não estava com a minima vontade de dar atenção para aquela garotinha mimada hoje, tinha coisas muito mais importantes com as quais lidar, por isso a leve ameaça de que ela poderia dedurá-lo nem se quer teve efeito em Noctus, pois ele sabia que encontraria um jeito de escapar daquilo se fosse preciso.
Fuçou mais um pouco nos utensílios de jardinagem e jogou alguns outros no interior da mochila. Cogitou que os vasos vazios deveriam estar guardados no armário logo atrás de si, portanto já estava colocando-se de pé quando Esmé veio esfumaçando em sua direção, rápida e raivosa como uma locomotiva. Ela aparentemente percebera que o encantamento no reservatório fora desfeito. E, apesar de miúda, a grifana tinha certa força, tanto que conseguiu puxá-lo para perto dela a fim de lançar as próximas acusações bem na cara do Burke “I like tough girls, you know.” comentou com um sorriso de lado, malicioso. “Qual é o problema? Enlouqueceu tão cedo? Vou reservar um quarto para você no St. Mungus e espero...”Estava disposto a ignorar o atrevimento alheia daquela vez; entretanto, assim que foi afastado e teve a mochila tomada de si, acompanhada de tudo o que havia roubado logo caindo no chão... Bom, os rumores estavam errados, Noctus Burke não tinha sangue frio, pois seu interior fervilhava diante daquela ousadia apresentava por quem julgava tão inferior.
Esmé era rápida em fugir de seu alcance, mas o sonserino não se importava, achava até divertido perseguir a presa antes de dar o bote final. Por isso, aproximou-se da menina no período em que ela se ocupava em derramar terra e minhocas na sua mochila. A varinha de álamo já estava empunhada e ele escolhia mentalmente o feitiço mais doloroso em sua lista para conjurar nela quando se deu por si agarrando o pulso alheio. “First: Never touch me again with your fucking dirty mudblood hands.” adicionou um pouco de pressão no aperto enquanto aproximava a varinha do pescoço feminino. “And second: você deveria me agradecer por não fazer você vegetar pelo resto da vida em uma cama.” Com uma última pressão adicional, soltou o pulso de Esmé e se afastou um passo para trás. Noctus então usou a mochila recuperada como arma, no que segurou a alça desta com firmeza e desferiu um golpe certeiro contra o reservatório e a planta que a grifana antes observava, fazendo-os voar da mesa e cair com um estrondo no chão. “Agora nós dois temos coisas para recuperar.”
veexheap:
Logo que ele a acompanhou, Verônica começou a caminhar pelo corredor, com passos tranquilos, observando ao redor. Ouviu a resposta do mesmo sobre seu rosto, e levantou os olhos de encontro com os dele, revirando-os em seguida. “Eu também achava que estava começando a te conhecer! Mas não achava que você era tão previsível” ela disse sem mudar a expressão do rosto. Ouviu o que ele disse em seguida e assentiu, segura do que fazia “Eu levei um tapa sim, foi uma briga bem intensa. Sai com uns roxos. Mas você tinha que ver o outro cara, eu acabei com ele. Estávamos brigando por você, sabia?” ela disse de maneira séria como se de fato tivesse acontecido “Estávamos tentando decidir quem ia colocar uma erva laxante na sua bebida, mas foi muito difícil entrar em consenso” Vee deu um mínimo sorriso de canto, antes de dar de ombros
Parou de andar e se posicionou mais pro lado do corredor, quando viu ele pegando o livro. Observou a capa de relance e logo se aproximou da página, vendo de que planta se tratava. Ela arqueou a sobrancelha. Sabia exatamente o que era aquilo e a primeira coisa que lhe veio a mente foi saber o motivo. Ele mudou de página e ela negou com a cabeça, com uma mínima risada debochada “Se acha que vai conseguir essa informação tão fácil, você se enganou” disse mordendo o lábio inferior de leve de maneira pensativa. “Beladona, hemeróbios, artemísia e malva… O que está aprontando, Burke?” ela observou o rapaz com atenção e soltou mais um sorrisinho “Vai ter que me contar o que vai fazer com isso. E claro, não vai ser um favor, tem que me dar algo em troca”
O jeito frio e também provocativo da garota o animava; as energias de Noctus eram recarregadas de inúmeras formas (irritação e dor alheia principalmente) e sarcasmo e ironia eram algumas delas.“Brigando por mim? Ora, isso deve significar alguma coisa.” divagou com o nariz empinado e o ego momentaneamente inflado. “Por sorte adquiri o hábito de sempre levar a minha bebida comigo. Vivo com ameças semelhantes desde que nasci, portanto não se sinta mal por eu não estar surpreso.” bocejou, entendiado. “Agora... quanto ao tapa na sua cara, achei que tivesse sido uma aluna doida da grifinória que vive falando mal de você por ai.” explicou em um dar de ombros, internamente ansiando por ter a chance de um dia ver Verônica em uma briga, seria divertido e ele só não tinha certeza se apostaria nela. Talvez não, matutou ao estudar a figura ao seu lado. Muito magra... mas as baixinhas costumam ser ferozes. Por um instante lembrou-se de Daisy e sentiu um amargor percorrer-lhe a garganta.
Imitou o movimento alheio, ou no caso a falta desse, e se posicionou com a mais velha a um canto do corredor para continuar mostrando as ilustrações do velho livro que trouxera. Todavia, trincou o maxilar com as palavras recebidas, cujo eram repletas de deboche e não lhe davam resposta alguma. Por Merlin, como odiava ter que se rebaixar ao nível de pedir orientação para alguém fosse sobre o que fosse. “Fuck you, Heap!” xingou baixo e entredentes, fechando o livro com força quase no nariz alheio. Ela não poderia ter facilitado e simplesmente respondido? Qual era o problema com aquele monte de curiosos dos infernos em Hogwarts? As coisas já foram mais fáceis. “Vou começar um jardim particular.” mentiu usando os claros orbes frios para fitar os da outra, como desafiando-a a duvidar. “O que diabos você quer em troca? Só precisa me dizer se é possível ou não, eu não estou pedindo pra você ir colher elas para mim.”
𝐥𝐢𝐤𝐞 𝐚 𝐜𝐚𝐭 (#𝒸𝒽𝓊𝓇𝓀𝑒)
🎀 @burkesblood, i gotta know that you’re for real!
Cho em toda sua infância nunca teve um animal de estimação e não foi por falta de tentativas. O irmão vivia azucrinando o seu juízo e o de seus pais para que tivessem um bichinho, mas ela simplesmente não conseguia lidar com a ideia de ter um animal de qualquer porte dentro de casa. Primeiro porque prezava muito pelos seus pertences e sabia que o animal frequentaria todo canto da casa, especialmente — pensava ela — seu quarto. Portanto, era inviável para a vaidosa Cho ter algo seu destruído. Segundo porque só sabia socializar com pessoas… Isso era imprescindível. Ela, todavia, não era assim tão animal hater, até porque achava algumas fotos bem fofinhas, mas pessoalmente… Nem o cheiro. E por isso era que se sentia tão desconfortável com bichos na sua presença. Sendo assim, paralisar ao ver aquele gatinho foi sua primeira reação. Não se movia e nem falava nada, mas acompanhava com os olhos o felino a se aproximar dela. “Oh no, oh no, oh no…” Repetia incansáveis vezes até que o bichano desistisse de chegar perto dela. Rezava, contudo, para que fosse resgatada antes disso.
Azog estava muito estressado ultimamente. Sempre que via o dono insistia em fincar as garras afiadas na panturrilha dele ou em qualquer outra parte que conseguisse alcançar; aparentemente muito determinado a fazê-lo sentir dor por ter estado tão ocupado nas últimas semanas a ponto de não ter dado atenção ao próprio animal de estimação. E isso também não era nenhuma novidade para o Burke, era sabido que o bichano sempre foi temperamental. Desta feita, como modo de amenizar o clima entre os dois e se livrar das garras do gato, Noctus decidiu levá-lo para uma volta nos jardins naquele fim de tarde, pois sabia que o sphynx vivia trancafiado no castelo e, quando não estava na comunal da sonserina, passava o tempo caçando ratos pela cozinha.
Deixava que a criatura seguisse na sua frente, livre e solto, pelos corredores que percorriam até atingirem o lado externo de Hogwarts. Noctus só desviou o olhar poucos segundos para coçar o nariz e quando retornou não encontrou mais o felino. Xingou baixo e apertou o passo; em seguida virou algumas esquinas pelos corredores antes de reencontrar o gato e - surpreso- verificar que este não estava sozinho; Azog havia se interessado por uma corvina que (pelo que Noctus viu com a forma desesperada e contida com a qual ela tentava se afastar) se dava razão ao aparente medo que aquela sentia por ele. “Oh, here you are.” anunciou com um sorriso divertido no rosto e abaixando-se para pegar o animal no colo. “O que essa menina malvada fez com você?” perguntou com exagerada doçura para o bicho conforme acariciava a pele morna e desprovida de pêlos dele. “Ficar perturbando os gatos assim... Qual é o seu problema, Chang? “ Azog miou alto, como se também estivesse interessado na possível resposta.
stupid cliché.
Esmé orgulhava-se de seu desempenho nas matérias da escola. Muitos podiam caçoar de toda a sua dedicação, mas a verdade era que ela gostava de estudar. Lhe fazia passar o tempo com mais dignidade, diria. Naquele momento, ela estava no laboratório de Herbologia observando o que acontecia com a Acanto quando presa em um reservatório enfeitiçado. As ideias de pesquisa de Esmé eram entendidas apenas por ela mesma. Até então a planta mudava de cores de cinco e cinco minutos. Depois a bruxa iria tentar descobrir se os efeitos de cura da mesma haviam mudado. Talvez ela houvesse descoberto uma forma de fazê-la curar ferimentos ainda mais graves. A morena estava sentada no balcão com as pernas cruzadas que balançavam no ar e um pergaminho em mãos onde anotava todas os resultados. “Coloração roxa, provavelmente deve indicar qu…” Um barulho de passos atrapalhou sua dedução. A morena virou o rosto em direção à porta e um rolar de olhos se seguiu. “O que veio fazer aqui, Burke? Achei que seu ego não cabia nesse laboratório.” Disse em tom de voz irônico, enquanto voltava sua atenção para o pergaminho em que escrevia. Não, Esmé não gostava de Noctus Burke. Na verdade, ele poderia ser considerado um de seus principais inimigos ali dentro, se a vida real fosse uma novela como as que sua mãe assistia em casa. Tudo começara quando o rapaz resolveu que Esmé era uma boa escolha para agir como um completo clichê imbecil - palavras da Ortega - e implicar com seu sangue trouxa. Oras, todos sabiam que a bruxa era a principal defensora de nascidos trouxas daquele lugar. Ele não deveria ter feito aquilo com ela. O sangue latino da garota subiu a cabeça e lá estava ela gritando com o rapaz em meio a porta da sala de Teoria da Magia. “Se veio discursar todos os assuntos desnecessários de sempre, eu indico que faça isso para alguém que queira te ouvir. Que tal um de seus coleguinhas sem personalidade própria?” Continuava a escrever sem desviar o olhar para saber o que @burkesblood fazia. “Aposto que eles vão adorar.” Terminou por fim, e voltou seu olhar para a Acanto que agora jazia no reservatório em sua coloração normal. Esperava que o efeito do feitiço tivesse passado porque se o causador de tal coisa fosse o sonserino, a discussão semanal dos dois começaria mais cedo naquele dia.
Noctus não era do tipo de pessoa que se dedicava ao máximo para ajudar alguém ( ele nem se quer era do tipo que oferecia ajuda). E, apesar de saber que cobraria algo em troca de Hestia Carrow no final daquilo, já estava ficando desanimado por precisar gastar tanta energia organizando o futuro evento em que aceitou fazer parte. Nunca fizera nada do tipo sozinho, e não porque fosse incapaz disso, mas porque aquelas coisas só alcançariam sucesso se feitas por um número maior de indivíduos dedicados; e o sonserino também odiava pedir ajuda, portanto além de energia estava gastando a sua - já tão escassa - paciência. Contudo, não imaginou que gastaria um pouco mais desta quando entrou sorrateiro em uma das estufas de herbologia naquela tarde e se deparou com a presença desagradável de Esmé Ortega. Pensou em girar sobre os calcanhares e sair dali, poderia muito bem ir roubar em outra estufa, mas jamais se rebaixaria a algo do tipo. Ora, desde quando um Burke desistia de algo? Quanto mais por causa de uma sangue-ruim como aquela? “Não é da sua conta, Ortega. Pelo o que sei a sua permissão para entrar aqui ainda não é necessária.” retorquiu com o desgosto claramente espalhado pela língua ao pronunciar o sobrenome inferior da outra. A ousadia dela em falar daquela forma com ele era o que mais o irritava; não estava ali para discutir, mas a menina parecia decidida a esgotar-lhe o bom senso pelo simples respirar.
Noctus optou por ignorá-la e cumprir o que estava ali para fazer. Caminhou até o lado oposto da estufa, assim passando pela grifana na mesa e, consecutivamente, percebendo o que ela tanto observava: uma planta dentro de um reservatório. Esses loucos da herbologia, pensou com um arregalar de olhos sutil, do tipo que não se surpreendia mais com aquele grupo de esquisitos. Assim que Noctus se aproximou da mesa extensa destinada aos professores no fundo, prostrou-se de cócoras para vasculhar as gavetas á procura de determinadas ferramentes de jardinagem, tornando a maior parte de seu corpo esguio oculto para a outra. Trouxera consigo uma mochila cujo o interior havia sido ampliado por magia, deste modo, assim que encontrava uma das peças necessárias a jogava dentro da abertura. Foi então que a menina recomeçou; aquela voz irritante repleta de provocação o fez soltar um riso curto pelo nariz. “Eu sei que isso pode ser um choque, mas nem tudo no mundo gira ao seu redor, princesa.” ironizou até fazendo uso do pouco que conhecia de espanhol para finalizar. “Não estou com vontade de te dar atenção hoje. Tem todo esse estrume aqui, sabe, é certeza de que são mais interessantes.”
Aquela garota conseguia tirá-lo do sério com muita facilidade, quase ganhava de outra da mesma laia, Daisy Dursley. “E são bem mais dignos de estarem em Hogwarts, isso também é certeza.” completou jogando uma dupla de tesouras de polda na mochila e olhando rapidamente sobre a mesa, assistindo a concentração alheia sobre aquela Acanto brilhante. Só por pirraça, Noctus ergueu a varinha com cuidado e conjurou o ‘Finite Incantatem’ por pensamento, certo de que iria interromper fosse qual fosse a magia lançada no reservatório que resguardava a planta. Então voltou a sua procura, desta vez atrás de pequenos vasos onde pudesse carregar as plantas que pretendia colher na floresta proibida sem matá-las.
Dancing with your demons. // noctus & rolf
rclfscamcnder:
“ —— minha mãe sequer conheceu hogwarts, Burke.” mentiu, já que sua mãe, assim como o seu pai, tinham sido alunos de hogwarts e membros orgulhosos da Corvinal – para a infelicidade de seu avô. – porém, não deixaria que Noctus usasse a sua filiação para provocá-lo e portanto, usou o argumento mais rápido que conseguiu criar em sua mente. “ —— ora, Burke, essa sua bundinha para cima valeria milhões para algumas alunas, como é o nome daquela que curte necrofilia mesmo?” Questionou com um sorriso sarcástico nos lábios, mas antes que pudesse concluir sua fala o barulho aumentou gradativamente e sobressaltou o lufano, assim como o sonserino que segundos depois se prostrava ao seu lado. Antes que Burke pudesse fazer qualquer outra coisa para assustá-lo, Rolf sacou a varinha e ficou em prontidão, se fosse preciso iria estuporar o mais alto ali mesmo e teve certeza das más intenções do outro quando mencionou o fato. “ —— acha mesmo que eu me assusto com essas suas pegadinhas esquisitas? não me assusto nem mesmo com sua cara feia.” porém, assim que concluiu o pensamento, levou um pequeno susto com o aumento do barulho, fazendo com que se sobressaltasse levemente e olhasse pelo canto dos olhos para o outros, esperando que ela não tivesse notado. “ —— eu não acho que seja uma boa ideia.” disse, mas sabia que suas palavras não tinham sido ouvidas, pois segundos depois a estátua do duende estava levitando pelo corredor, abrindo a passagem e deixando a criatura emergir das trevas.
Não sabia dizer que tipo de criatura era a que surgia pela abertura, mas aparentemente os dedos compridos e tingidos de preto assustaram Noctus, já que o lufano reparou em como o volume da respiração do outro mudou e o corpo todo ficou em alerta. Lançou um olhar confuso para o sonserino e então olhou para a figura que emergia do buraco, até mesmo ele se assustou com o que vira, Noctus estava surgindo da abertura, mas não era o Noctus que Rolf conhecia, era um Noctus diferente, com a aparência de algo mal. Levou mais um susto quando a estátua caiu no chão de mármore com um baque, mas o mesmo não ocorrerá com seu companheiro, Burke estava com medo e Rolf nunca imaginou que o viria daquela forma. Demorou alguns segundos para processar o que estava acontecendo, até finalmente concluir que a criatura que estava aterrorizando o sonserino não era ele próprio, mas sim, seu maior medo. Estavam diante de um bicho papão.
Xingou baixinho, sabia que não podia deixar o mais alto encarar o maior medo daquela forma e portanto, moveu-se para frente do mesmo e agitou os braços acima da cabeça. “ —— HEY, FEIOSO, AQUI!” gritou para a criatura chamando sua atenção e então a viu se transformar na coisa mais patética que poderia ter se transformado. Uma mesa de escritório. Rolf compartilhava o maior medo do avô, pois este o tinha lhe assustado completamente quando mais novo com a perspectiva de ficar trancado numa sala e trabalhar num escritório. Assim que a criatura se transformou no medo mais patético de Hogwarts, Rolf agitou a varinha e proferiu o encantamento contra o mesmo. “ —— riddikulus!” e assim o bicho papão transformou-se mais uma vez, dessa vez em móveis de escritório dançantes.
Os segundos mais pareceram horas conforme o cérebro do Burke tentava identificar a real situação ali. Sua garganta estava seca, empoeirada, e o seu corpo inteiro parecia ter perdido o calor, deixando-o tão gelado por dentro quanto um boneco de neve. A imagem que refletia nos orbes claros era ele mesmo, não havia dúvidas, porém era ele acometido por algo doentio e tenebroso; coberto por grossas veias negras, com os olhos amarelados e escuros, ao invés do verde frio que refletia quando se olhava no espelho; além disso, a pele do clone era tão mais branca que chegava quase a ser translúcida, os lábios não tinham cor e o cabelo estava apagado e sem vida. Noctus então recordou que já se viu daquela forma uma vez há muito tempo, quando era mais novo e foi se aventurar com os irmãos mais velhos no porão da casa em que viviam na Travessa do Tranco. Era bastante óbvio que agora estava diante da mesma criatura que os três Burkes encontraram daquela vez: um bicho-papão. Porém, apesar de agora saber do que se tratava, o choque de rever a si mesmo com aquela aparência repugnante o impedia de enfrentar a criatura de imediato. O medo (sim, pois era exatamente isso o que sentia agora: medo) causava um desconforto inigualável, contudo, ainda assim, era uma sensação e qualquer sensação era bem vinda para seres entorpecidos como ele; era quase viciosa, pois ao mesmo tempo em que ele queria fugir dela, escapar dali e voltar para o conforto da comunal, ele também queria permanecer, sentindo-a cada vez mais e com muita intensidade em cada centímetro do seu ser.
Antes do Noctus doente dar um passo em sua direção, o sonserino teve a sua frente barrada pela figura do mais baixo; Rolf se colocou diante dele e gritou para que o bicho-papão desviasse a sua atenção para o outro. O que esse idiota tá fazendo?, pensou entre um misto de surpresa e raiva. Noctus Burke não precisava ser protegido de nada, quem dirá de um bicho-papão ridículo -- e ainda mais por um lufano boçal que ele odiava só por ter que respirar o mesmo ar. Todavia, antes que pudesse sair por inteiro do choque que o medo causava e antes de dar um pescoção no atrevido Scamander, a criatura diante de si ficou agitada; a imagem do Noctus a beira da morte desapareceu em um rodopio turvo, logo sendo substituída por uma mesa de escritório repleta de papéis de trabalho.
Franziu as sobrancelhas, confuso. Ao ouvir Rolf conjurar o feitiço e com isso secretária começar a saltitar, dançando; tudo ficou claro. Aquele era o maior medo do lufano? Ter que trabalhar em um escritório? Antes mesmo de pensar em se conter, Noctus começou a gargalhar. O riso ribombou pelo corredor frio, trazendo um tremor adicional para a mesa dançante. Ele ria não da conjuração em si, mas do medo cômico do outro que parecia ser a coisa mais ridícula que ele já viu em seus dezesseis anos. “Você é patético!” conseguiu dizer entre os risos, quase sem fôlego e sentindo o abdome doer com suavidade, enquanto o calor retornava aos poucos para o seu rosto e lhe adicionava um pouco de cor. “E eu achava que você não conseguia ser mais, Scamander.”