ALERTA DE GATILHO!!!!
Essa leitura me fez refletir sobre como o cérebro humano pode ser comparado a uma gaveta, onde algumas coisas são guardadas bem na superfície, já outras se perdem lá no fundo até que algo faça lembrar da existência.
Quando criança passei por um "evento" traumático em um grau tão elevado, que o meu inconsciente tratou de esconder isso muito bem, por muito tempo.
Mas traumas assim começam a se manifestar na adolescência, momento em que comecei a ter alguns flashes de lembranças que me fizeram questionar se aquilo realmente aconteceu ou se era coisa da minha cabeça.
A terapia me ajudou a esclarecer que de fato, aquilo realmente aconteceu, e infelizmente será algo que irá me assombrar pelo resto da minha vida.
Afinal, como uma criança iria inventar tal atrocidade, com detalhes minuciosos, como a roupa em que usava e o absurdo que se passava?
Como não me sentir suja? Como não me sentir culpada? Envergonhada?
Mas também, como vou culpar a minha criança de 5/6 anos?
Como eu poderia contar para os meus pais sem que eles se sentissem culpados?
Como contar para alguém sem sentir que seria julgada, ou que julgariam aqueles que sempre zelaram por mim?
Pensar muito é uma tortura, conviver com o trauma é uma tortura.
O trauma não se resume a lembrar todos os dias no que aconteceu, mas ele sempre estará presente na vida da vítima:
Nas pernas inquietas;
Na insegurança constante;
No medo de confiar em alguém;
Na culpa de se entregar a alguém;
Na insônia, na ansiedade, na depressão...
Mas eu tento me lembrar de que:
Eu não tive culpa.
Meus pais não tiveram culpa.
Nessa história só há um culpado.



















