Há lugares que se dizem feitos de palavras, mas que, na verdade, só cultivam o ruído. Gente que se diz comunidade, mas que se alimenta do espetáculo da desgraça alheia. O tipo de silêncio que grita, o tipo de aplauso que soa como deboche. Há um teatro por trás de cada tela, e os papéis são sempre os mesmos: o falso justo, o covarde anônimo, o juiz cego, o embaixador transfóbico e o inocente descartado como ruído de fundo.
Eu acreditei por tempo demais que respeito era uma moeda aceita nesses espaços. Que bastava agir com ética, com cuidado, com um mínimo de decência. Mas não há ética onde há ego. Não há justiça quando o sistema prefere o conveniente. É mais fácil calar quem se defende do que confrontar quem agride. É mais prático apagar o nome certo do que assumir o erro que o mantém vivo.
E o mais irônico — o mais amargo — é ver o que é falso prosperar. Ver textos que não têm alma, nascidos do nada, crescerem como erva daninha. Ver inteligência artificial travestida de sensibilidade humana ser tratada como arte, enquanto o suor de quem sente, de quem sangra, é jogado no lixo com um clique. O problema nunca foi a tecnologia, é o descaso. É o conforto da mentira. É o prazer de ver o verdadeiro sufocar.
Tem horas em que eu penso que o erro não está no que escrevemos, mas em onde escrevemos. Que talvez certos lugares só existam pra lembrar que empatia é um luxo raro, e que autenticidade é uma ameaça. E então, o que resta? Resta falar, mesmo que doa. Resta escrever com raiva, com mágoa, com a lucidez de quem já entendeu que gentileza, em meio à podridão, é uma forma de resistência.
Porque no fim, é isso o que eles não suportam: o fato de que eu continuo.
Mesmo depois de tentarem apagar. Mesmo depois de distorcerem. Mesmo depois de mentirem.
Quem constrói mentira acaba se sufocando dentro dela. E o carma... você vai descobrir que o carma pode ser uma coisa desgraçada.