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@cissmalfoys
[November, 1976] In the heart of the matter — Bellatrix & Narcissa
Uma vida totalmente projetada antes mesmo de seu nascimento. Desde a infância até o fim, cada detalhe já era sabido por seus pais que se viam responsáveis em dar continuidade ao bom nome da famÃlia e a pureza do sangue que possuÃam. Narcissa nunca viu problema em não ter controle sobre seus próprios atos. Era uma tarde de Inverno. O frio familiar, que parecia acompanhar a mais nova dos Black em diversas ocasiões importantes, fazia-se presente em todos os dias daquele mês que todos insistiam em dizer que seria o mais especial de sua vida. Faltavam menos de uma semana para que oficializasse uma união cujo o sentimento fundamental naquele tipo de decisão não existia.
Um casamento arranjado.
Com nenhuma ligação além da boa posição entre as famÃlias. Sem carinho, cumplicidade ou amor. E o que era o casamento se não mais um negócio? Sabendo de cor cada razão para que o matrimônio se realizasse, Narcissa ainda se sentia insegura. Uma insegurança que não deveria existir se fosse pensar no histórico da própria famÃlia. Seus pais, tios, primos, avós e até a irmã. Menos Andromeda, que casou-se porque quis, e partiu por essa razão. Bellatrix, por sua vez, era um verdadeiro exemplo a ser seguido desde o sobrenome do marido até a maneira como se comportava quando estava com ele. O amor, evidentemente, não existia, mas isso não queria dizer que a relação era menos sucedida. Essa foi a razão que levou Narcissa a chamar a irmã mais velha para uma conversa que a loira acreditava ser esclarecedora. Estavam ambas na sala da casa onde se viram crescer e deixar em seus anos em Hogwarts.
— Faltam apenas quatro dias — puxou o assunto que, na última noite, conseguiu tirar o seu sono. As conversas amenas e fáceis de guiar com sua irmã mais velha e talvez única amiga, davam liberdade à Cissy para iniciar qualquer tipo de diálogo. Lucius Malfoy era um ótimo partido. Um nome que carregava em seus antepassados bruxos poderosos e uma riqueza acumulada em séculos. Era um bom homem. Criado em uma educação rÃgida e instruÃdo desde a tenra infância para se tornar um lÃder. Era charmoso, sabia exatamente a hora para agir ou falar. Era impessoal. Muito parecido como uma estátua de mármore, diferente de qualquer outra pessoa que já havia visto.
Passou as mãos de dedos finos e delicados sobre a barra da saia de seu vestido e observou o anel que decorava o anelar, uma lembrança da união e da fortuna do noivo. Levantou os olhos azuis, procurando pelos de Bella. — Como se sentiu quando soube que seu noivo seria Rodolphus? — indagou já prevendo a resposta, mas ainda assim querendo ouvi-la através da irmã. Precisava que alguém dissesse em voz alta que aquilo era necessário, que era o certo a se fazer e que as coisas acabariam bem. Bella lhe parecia bem.
Narcissa Rosier Black Malfoy | Former Slytherin | Pureblood
But he who dares not grasp the thorn should never crave the rose.
Nacionalidade: Inglesa.
Varinha: Vinte e oito centÃmetros da madeira de olmo maleável, com pelo de cauda de unicórnio em seu interior. Uma varinha sofisticada e capaz de magia de alto nÃvel.
Patrono: Não-corpóreo.
History and Personality
Narcissus, segundo a mitologia, era um jovem de extrema beleza. Fruto do romance entre um deus e uma ninfa, costumava atrair e despertar cobiça em ninfas e donzelas. No entanto, preferia viver sozinho, pois acreditava que não encontraria alguém que julgasse ser digno de seu amor. Uma predição dizia que o belo homem viveria muitos anos desde que nunca contemplasse a própria forma. E devido à rejeição a Eco, uma das ninfas rendidas por sua beleza, uma maldição fora proferida contra ele: Que Narcissus ame com a mesma intensidade, sem poder possuir a pessoa amada. Nêmesis, a divindade punidora, escutou e atendeu ao pedido.
Naquela região onde habitava existia uma fonte lÃmpida de águas cristalinas da qual ninguém havia se aproximado antes. Ao se inclinar para beber água, viu sua imagem refletida e encantou-se com sua visão. Fascinado, Narcissus ficou a contemplar o lindo rosto, com aqueles belos olhos e a beleza dos lábios, apaixonou-se pela imagem sem saber que era a sua. Por várias vezes, tentara alcançar aquela imagem dentro da água inutilmente. Não conseguia reter com um abraço aquele ser encantador. Esgotado, Narcissus deitou na relva e aos poucos seu corpo foi desaparecendo. No seu lugar, surgiu uma flor amarela com pétalas brancas no centro que ganhou o seu nome.
Seguida de duas tentativas fracassadas e três anos planejando a melhor maneira para enfim concluir o desejo de participar da perpetuação do sobrenome, mais uma menina nascera causando certa decepção em Druella e Cygnus Black. Narcissa tinha nome de flor, uma chuva de pétalas entre a constelação. Ninguém era capaz de explicar a razão da quebra da tradição respeitada por mais de uma geração, mas talvez por sua ausência de cor incomum entre os membros da famÃlia, os patriarcas sabiam que o nome de uma estrela ou constelação não era o mais apropriado.
Fora em uma manhã primaveril que Druella, sentiu os primeiros indÃcios do rompimento adiantado da bolsa que mantinha seu bebê seguro em seu ventre. Ainda estava se aproximando da vigésima nona semana de gestação, e a surpresa que tomara a Mansão onde residiam cessou-se somente quando a criança viera ao mundo sendo constatada a vida escapando de si através da respiração rápida e o choro forte. Fazia tanto frio quanto numa tarde comum de Inverno, e obtendo essa informação alguns anos mais tarde, a ainda menina gostava de imaginar que sua pele e cabelos refletiram o céu nublado daquele dia.
Não apenas as circunstâncias de seu nascimento, mas também a aparência moldada pelos fios dourados dos cabelos evidenciavam uma fragilidade fÃsica que fez dela uma grande observadora. Observava, principalmente, as irmãs mais velhas enquanto as acompanhava na formação de seus pensamentos e educação. A fragilidade, no entanto, findava na aparência fÃsica, visto que suas atitudes e caráter foram moldados de acordo com o relacionamento que possuÃa com a própria famÃlia. Desde o comportamento enérgico de Bellatrix até a maneira doce como Andromeda a tratava.
Com a partida de Bellatrix para Hogwarts, seguida por Andromeda dois anos depois, Cissy — como costumava atender as irmãs — viu-se tomando as mesmas aulas de etiqueta, disciplina, música, Literatura que as supracitadas tinham, sendo também instruÃda a respeitar a tradição da famÃlia dando segmento ao tipo de sangue e sobrenomes importantes com os quais os Black se relacionava. Desde muito antes de precisar ser ensinada, contudo, Narcissa possuÃa conhecimento a respeito de cada coisa que lhe era dita a respeito de sangue puro, purismo e a importância de um legado.
O laço afetivo entre a garota e seus pais, apesar de ser a única filha presente durante o ano todo, era praticamente nula. Esse fato gerou certa independência na ainda criança, e talvez essa fosse a intenção dos patriarcas, que a viram crescer despejando ordens em quem visse pela frente de modo imperativo. Narcissa sempre buscou ser tudo o que os pais pediam e esperavam dela. Criada em uma educação rÃgida, sua infância e brincadeiras relativas à idade foram substituÃdas por aulas de diversos tipos, variando da tradicional história da magia até instrumentos musicais e dança clássica.
O amadurecimento precoce causou o sacrifÃcio de uma fase de sua vida, e fez a ainda criança se portar como uma pessoa de idade muito avançada. Não era como Bellatrix, mas seguia o caminho certo para se tornar uma bruxa tão boa quanto. E foi sozinha, sob o olhar de ninguém além dos pequenos animais que habitavam os jardins de sua casa que a primeira manifestação de magia aconteceu pouco depois de seu sexto aniversário.
E como todo o bom e velho clichê, narcisos flutuavam em volta da menina surpresa demais para esboçar alguma reação.
A oportunidade de mostrar seu potencial viera junto com a coruja-de-igreja branca que carregava em seu bico o envelope que Narcissa esperava desde as histórias contadas por Bella e Andy sobre suas experiências em Hogwarts chegara algumas semanas antes de seu décimo primeiro aniversário, causando uma ansiedade que a loira não costumava sentir. Não somente o sobrenome de grande importância na famÃlia ou a casa para qual foi selecionada, as atitudes de Narcissa destacaram-na dentre os outros alunos mesmo após a formatura das irmãs. Havia respeito e submissão por parte de muitos estudantes, e isso muito lhe agradava. Orgulhosa, costumava mostrar um lado esnobe e frio de sua personalidade, embora esse tratamento seja direcionado somente aqueles que ela considera indignos. O narcisismo de seu nome e flor favorita mostrava-se, enfim.
Muito calada e observadora, sempre preferiu manter-se desse modo a participar de cÃrculos sociais por vontade própria. Tivera poucas amizades em seus tempos em Hogwarts, preferindo as irmãs aos outros estudantes do instituto. Lucius Malfoy, muito antes de saber que seria seu marido, fazia parte do cÃrculo amplo de interesses da famÃlia Black. Por mais que a adolescente negasse, havia semelhança entre eles. E talvez tenha sido por essa razão a sua escolha para formar uma famÃlia e seguir com as tradições atendendo pelo sobrenome do rapaz loiro, alto e com olhos iguais aos seus. Não demorou muito para que o noivado se concretizasse. Ao contrário do imaginado por todos os bruxos da alta elite, o casamento entre a última filha de Cygnus e Druella não ocorreu logo após a formatura da slytherin. Devido sua resistência e a pequena diferença entre a idade de ambos, o matrimônio só foi concretizado aos seus vinte e um anos. Contudo, o relacionamento entre o casal permaneceu assim como foi todo o namoro e noivado: distante e frio.
Narcissa passou a ser vista como uma esperança na famÃlia, assim talvez como Regulus — seu primo, dado ao fato de que Andromeda e Sirius, cada um de seu modo, envergonharam a linhagem dos Black. Com o nome excluÃdo da tapeçaria, Narcissa convenceu-se a se esquecer da irmã do meio, assim como os pais e Bella fizeram sem qualquer hesitação. Afinal de contas, valorizava a pureza de sangue e fidelidade ao sobrenome tanto quanto o restante de sua procedência.
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