“I’m crying all my tears And that’s fucking pathetic”
I Wanna Be Your Slave, Måneskin
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@conradherschel
“I’m crying all my tears And that’s fucking pathetic”
I Wanna Be Your Slave, Måneskin
And here we are...
Hello old friends, and here we are, you and me, on the last page...Gente, eu não queria estar vindo aqui escrever isso, mas eu sinto que preciso dizer adeus. Desde o começo da quarentena eu tenho me sentido meio cansada, mas me fazia vir aqui por todas as pessoas maravilhosas desse rpg, por todas as relações que o Conrad conseguiu desenvolver e por tudo o que vivemos juntos. Definitivamente não foi só um jogo para mim. Eu aprendi e cresci tanto aqui, com Lola, Joshua, Fawn, Ocean, Fritz, Tariq, Delo, Melissa, Angel, Phoebe e tantos outros. Era divertido ver o Conrad em uma situação inusitada e logo depois conseguir lidar com ela. Eu pensei muito na minha decisão, tenho pensado há algumas semanas, mas sinto que preciso sair um pouco do rpg para que eu consiga fazer outras coisas, para deixar um pouco de lado a culpa de não estar jogando, de não estar desenvolvendo meu personagem tanto quanto poderia. Eu não queria ter que dizer adeus, mas, neste momento da minha vida, eu preciso. Então, só queria agradecer a todo mundo que jogou comigo e tantas outras pessoas que estão nesse rpg. Vocês são muito especiais para mim. Obrigada por todo amor, carinho e acolhimento que recebi aqui ao longo desses últimos 9 meses e pouco. Que a força esteja com todos vocês!
flashback.
Uma risadinha baixa escapou dos lábios da loira depois do adendo dele à história, e ela continuou olhando pela janela até senti-lo se mexendo sobre si, voltando o olhar para o rosto de Conrad e tento seus olhos presos aos dele assim que estes se encontraram. A expressão abrandou-se aos poucos enquanto escutava o que ele dizia, ao mesmo tempo em que sentia o a pulsação acelerar diante das palavras alheias. Sustentou seu olhar mesmo quando o silêncio predominara entre os dois, e eram em momentos como aquele que Lola sabia que ele enxergava-a de verdade. Não a postura que ela lutava para manter, ou a impressão que sempre tentava passar, mas via quem ela realmente era, ultrapassando com facilidade qualquer muro que ainda pudesse existir para proteger aquela parte de si. Não havia por quê esconder-se de Conrad, afinal, e mesmo se tentasse, sabia que nunca conseguiria. Inconscientemente apertou os dedos contra os fios do cabelo dele, e naquele momento, uma frase de três palavras tentou subir pela sua garganta, mas Lola engoliu-a tão rapidamente quanto ela foi em tentar atingir sua voz para sair por seus lábios. “You affect me as fuck.” O tom não passava de um sussurro, e apesar de aquilo não ser exatamente o que ela queria dizer, sabia que era o mais próximo que poderia chegar de expressar o que queria sem estremecer as coisas entre eles. Lola sabia que era mais que afetação, mas admitir aquilo – para si mesma ou para ele – carregava um peso tão grande que com certeza iria mudar a dinâmica dos dois, e não sabia ainda se era de uma forma boa ou ruim. Por isso, era mais seguro permanecer na segurança do ‘você me afeta’, do que arriscar um passo em falso no outro conjunto de três palavras que tiraria-os da bolha harmônica e feliz que vinham vivendo ao longo daqueles meses. Ela não sabia mais o que era viver fora daquela bolha.
Conrad sentiu o peso daquelas palavra assim que foram ditas e o impacto foi tão forte que percorreu toda a sua espinha, arrepiando seu braço, acelerando seu coração, bombardeando sangue para todas as regiões de seu corpo. Desde o momento em que Lola começou a contar a história, o londrino já sentia a vontade de percorrer a pele da mais nova com os toques de seus dedos. Queria depositar pontuais beijos ao longo da invisível linha que ligava o pescoço ao coração, sentindo a mais nova arquear sob seu toque, fechando os olhos em prazer. Porém, escutar a última frase, ditas em um quase sussurro, fora demais para ele. “You affect me as fuck”, respondeu com rouquidão e seriedade. Quando a conhecera, o desejo era algo urgente, em um misto de selvageria e tesão reprimido. Parecia que cada vez que iam para a cama, disputavam uma batalha para provar quem era mais sensível aos toques alheios. Passaram tanto tempo fingindo que não eram impactados um pelo outro, que mesmo após estarem juntos, o sexo entre eles era marcado pela urgência. Era forte, brutal. A satisfação do desejo parecia ser o único objetivo quando a roupa era levada ao chão e os dois caiam na cama. Porém, gradualmente, ainda que às vezes ainda tivessem relações como aquelas, o sexo foi se tornando algo mais do que meramente dois corpos gerando prazer um no outro. Havia uma sintonia, uma lentidão, um observar na maneira como o abdômen parecia tremer com o deslizar de um polegar pela região; de como a pulsação acelerava sob o beijo dado logo abaixo do maxilar. O sexo se tornou um diálogo sem palavras em uma língua que só os dois sabiam compreender.
Conrad bateu um tanto sem jeito na porta de Amber, sabendo que havia demorado demais para ir até ali. No meio do processo de escrever seu trabalho de conclusão de curso e lidar com a tristeza de uma briga com Lola, não havia encontrado muito tempo. “Que bom que você está aqui”, falou, assim que a garota abriu a porta. Sem muito jeito, estendeu o pacote com um par de sapatos amarelos para bebês recém-nascidos. “Hum...comprei uma lembrancinha para o bebê. Espero que goste. Eu só vim aqui mais para dizer que se você precisar de alguma coisa, qualquer coisa, pode ligar para mim. Sei que nem sempre Tariq vai poder estar presente, então pode contar comigo para o que precisar. Ir para médico, comprar berço, fralda, não sei, essas coisas que grávidas devem fazer”. @mnamber
A infiltração na sua casa havia realmente destruído os planos de Nirvana para o que quer que fosse. A verdade era que gostava de sua casa, porém precisaria ficar uns dias em outro lugar para que pudessem arrumar o lugar, levaria um tempo, mas nada que fosse impossível de resolver. Por sorte @conradherschel morava por ali, ele era primo de um ex-namorado e, apesar de não serem completamente, próximos, se conheciam bem o suficiente para aquilo não ser estranho de alguma forma. Assim, com as malas feitas, na verdade sua mala era um mochilão de viajante que ela colocou todas as roupas necessárias, e apareceu na porta do outro tocando a campainha. Apenas o corredor do Lux era bem maior do que o do Smith’s e isso já a fez se encantar minimamente com o lugar. “Cheguei em uma hora ruim?” perguntou ainda olhando em volta no corredor do prédio.
“Não, de jeito nenhum. Eu estava ajeitando um local no escritório para que você pudesse ficar um pouco mais confortável”, disse, aproximando-se para poder ajudá-la com a mala. “Como eu disse, não estava muito bem preparado para receber alguém, mas como infiltração é algo que a gente nunca espera, melhor ficar aqui do que no meio do mofo e do molhado, não é?”
flashback.
Lola encarou os olhos alheios por alguns segundos, sabendo que não teria nada muito bom para lhe oferecer no que tangia àquilo, pois sua infância não havia sido recheada daquele tipo de história. Ainda assim, estava disposta a pensar em alguma coisa. Desvencilhou os dedos dos dele para voltar estes até seus cabelos, retomando o carinho e, enquanto observava a figura dele de cima, um sorriso pequeno acabou por ser aberto pela loira. “Há não muito tempo atrás, havia esse garotinho. Branquinho, com os cabelos escuros e os olhos tão grandes quanto duas jabuticabas.” Começou, mantendo o tom de voz alto o suficiente apenas para que pudesse ser escutada por ele. “Ele gostava de plantas e de música, e era tão teimoso que quando colocava alguma coisa na cabeça, ninguém conseguia tirar. Em uma noite, ele conheceu uma garota. Uma garota linda. Loira, olhos claros, alta…” Riu baixinho, achando que àquela altura ele já havia feito a ligação. “Eles se encontraram algumas vezes, e em um desses encontros ele resolveu levá-la para a torre mais alta, do castelo mais alto de toda a cidade. Parecia impossível conseguir subir naquela torre naquela noite, mas ele era teimoso, tão teimoso que conseguiu. Era a vista mais bonita que ela já havia visto.” Continuou, voltando o olhar para a janela agora, para observar a cidade adormecida do lado de fora. “Mas nem aquela vista era capaz de conseguir competir com ter a chance de olhar para os olhos dele enquanto ele cantava. Foi naquela noite que ela soube que aquele garotinho era especial.” Apertou levemente os dedos contra os cabelos do outro, afrouxando a força logo em seguida. “Eu queria poder te dizer como acaba, mas ainda é uma história sem final…”
Conrad riu baixinho quando percebeu sobre o que se tratava a história. “Shut up, you’re just telling our story”, disse em meio sorriso, embora logo tenha voltado a se calar para escutar o resto da narrativa. Achou divertida a forma como Lola escolhera falar sobre eles e, particularmente cuidadosa, a seleção das palavras, como jabuticaba, por exemplo. Depois, voltou a rir. O londrino não se achava teimoso, sempre se vira mais como alguém decidido ou prático, porém, era engraçado descobrir que a mais nova tinha aquela percepção dele. “Você esqueceu de dizer que a torre principal estava fechada e que ele precisou recorrer ao plano ‘b’”, brincou, apesar de se sentir preenchido de alegria por ela ter recebido aquele gesto dele de forma tão positiva. Quando ela terminou de falar, o londrino permaneceu alguns segundos em silêncio antes de respondê-la. A luz da madrugada adentrava o quarto e a tornava toda sombra e ângulos, parecendo ainda mais angelical do que normalmente era. “You say the little boy is special...but let me tell you a secret. And you have to keep this only between us. Under the stars, he prays to the universe to be at least half as especial as the beautiful and magical girl is”, sussurrou, sustentando o olhar de Lola para que ela pudesse ver a seriedade do que dizia. A vizinha tinha um algo no fundo de seus olhos que aparecia toda vez que ela descansava ou contemplava o nada, quando pensava que ninguém estava prestando atenção. Poucas vezes Conrad conseguiu perceber aquilo, mas sabia, estava lá. Era um misto de tristeza e resistência, uma fragilidade misturada com bravura. Como se as lembranças difíceis, ainda que escondidas sob riqueza e luxo, tivessem sido abraçadas por ela como parte de sua história e ela encarasse o futuro com o queixo forte: no more, not again.
after delo’s party
flashback.
Esperou com calma o que o outro falaria. Pela sua expressão parecia ser algo grave, um assunto delicado na verdade. Chegou a se perguntar se não estava se intrometendo em algo muito particular. Mas logo a surpresa tomou seu rosto, quando recebeu o travesseiro. “Conrad…” Reclamou, aos risos, arrumando o cabelo logo depois. “Você ta me fazendo de trouxa… mas tudo bem, vem que eu faço café para gente.” Desceu por um lado da cama, feliz por ter tomado banho e retirado a maquiagem na noite passada. Já que estava suada e dormir de make não era uma opção. Vestia um vestido mediano de seda rosinha. Voltou o olhar para o amigo quando perguntou sobre a calça. “Eu coloquei pra lavar. Não iria deitar na minha cama com aquela calça suja.” Caminhou até a porta, abrindo a mesma, saiu procurando pela prima. Em poucos instantes voltara confirmando a falta da garota. “Relaxa que ela nem está aqui. Deve ter ido pra casa do amigo, ou algum contatinho dela. Aquele celular é uma fonte… Não precisa se incomodar com as janelas também, aqui é alto demais pra alguém te ver assim.” Pegou o celular na sala, e mexendo encontrou uma foto do amigo. “aqui como ele é, eu sei um gatinho.” Entregou o aparelho, indo para a cozinha preparar o café da manha.
Uma vez ciente de que Angel não estava em casa, Conrad saiu do quarto com despreocupação. Ainda que a relação entre ele e Mel estivesse bem estabelecida como amizade, não queria que Lola escutasse rumores sobre sua dormida na casa da mais velha. Já bastavam as especulações que sites de fofoca de vem em quando soltavam sobre os eventos e jantares que o londrino tinha com a amiga, não queria que as histórias tomassem uma proporção descabida. “Ele é o seu amigo da infância?”, Conrad perguntou com surpresa, ao tomar o celular da mão de Mel. “Caramba, ele parece mais um protagonista de filme adolescente. É ator, modelo ou alguma coisa do tipo?”. O questionamento veio com um erguer de sobrancelha, percebendo que conseguia visualizá-lo perfeitamente com a vizinha. “Hum, eu não gosto de açúcar no café”, alertou rapidamente ao perceber a aproximação do recipiente de vidro próximo do pote de café.
Riu com o comentário do rapaz e deu um tapa de leve em seu braço. “Conrad, sua sinceridade me deixa tocada.” Ironizou e soltou mais uma risada. Logo o rapaz voltou a atenção para os livros e Nikki guardou o celular. “Não é assim, o tinder é como uma vitrine infelizmente, você tem que passar a imagem correta para atrair as pessoas certas, é marketing.” Riu. Continuou caminhando com ele olhando pelos livros. “Mas qual você está procurando, em?”
“Não sei se concordo sobre essa ideia de marketing. A maior parte das pessoas que estão no tinder, procuram coisas mais rápidas. Alguém bonito para transar, aquilo é praticamente uma vitrine de corpos. Então, independente da foto que colocar, não vai ter grandes chances de achar a pessoa certa. Ao menos que você esteja procurando alguém que se importe com redes sociais e essas coisas”, disse, parando de olhar para os livros, para poder conversar com a amiga. Gostava de coisas que aconteciam ao acaso, sem o auxílio das redes ‘antissociais’. “Qual estou procurando o quê? Livro ou pessoa?”
flashback.
Àquela altura, os dois já haviam compartilhado noites o suficiente para não ser a primeira vez que algo como aquilo atrapalhava seus sonos. Lola mesmo já havia buscado abrigo contra os braços de Conrad algumas vezes no meio da madrugada, então, depois de alguns episódios parecidos, era como se o comportamento de um tivesse aprendido a se moldar às necessidades do outro. Escutava com paciência o que ele falava, para em seguida desvencilhar uma das mãos dos cabelos dele e escorregá-la até encontrar a mão masculina, permitindo que seus dedos se entrelaçassem aos dele. “Pois para mim as suas mãos ainda parecem as suas mãos.” Sussurrou de volta, afagando levemente as costas da mão de Conrad enquanto falava. “Tente pensar em outra coisa, para afastar sua mente disso… Vamos lá, me pergunte alguma coisa.”
Ao sentir as mãos de Lola na sua, Conrad ergueu os olhos, sustentando o contato apesar do sono e do medo. O canto de seus lábios se ergueram levemente, um movimento quase imperceptível e, ainda que a ação pudesse ter passado despercebida, o olhar traduzia a gratidão que sentia. “Me conta uma história, alguma história preferida de seus livros da infância”, pediu baixinho, voltando a fechar os olhos enquanto se enroscava melhor no abraço de Lola. Ele não queria conversas complicadas, não queria lembrar de coisas duras do passado. O londrino só queria esquecer do pesadelo, esquecer por alguns minutos a realidade que viviam e permanecer no áurea tranquila que somente a madrugada poderia trazer.
flashback.
O sono de Lola era leve o bastante para que até a menor das coisas pudesse a despertar, por isso, assim que as primeiras palavras alheias atingiram seus ouvidos, a loira já começou a se afastar da inconsciência aos poucos. Sentiu o beijo ser carimbado em suas costas, e inspirou lentamente enquanto se movimentava na cama, levando uma das mãos até os olhos para cocá-los lentamente, ao que as palavras de Conrad começavam a ser absorvidas pela Casillas. Piscou algumas vezes antes de abrir os olhos oficialmente, e mesmo quando o fez, não moveu-se de imediato, permitindo que ele terminasse de relatar o sonho com o rosto apoiado contra sua pele, exatamente como estava. O cenho da loira se franziu ao fim de tudo, e só então ela moveu-se, virando-se na cama com cuidado para apoiar-se contra a cabeceira desta. “Come here.” Sussurrou, as mãos indo até o corpo masculino e trazendo-o para perto do seu de novo, deitando o rosto alheio em seu peito dessa vez, para em seguida as mãos subirem até seus cabelos e iniciarem um carinho preguiçoso pelas mechas. “Foi só um sonho ruim, babe.”Prosseguiu, com a voz mais branda que conseguia, para tentar o acalmar. Podia sentir o coração alheio bater de forma acelerada contra si. “Você ainda é você. O mesmo cabelo…”Murmurou, apertando os dedos contra os fios rapidamente. “O mesmo rosto. Os mesmos lábios. A mesma pele. O mesmo Conrad de sempre.” Baixou levemente o rosto, até que pudesse aplicar um beijo terno por entre os fios do cabelo escuro. “E eu consigo te entender.It’s okay.”
Conrad gostava de ouvir a voz de Lola, de como ela parecia sempre ter algo muito certeiro a dizer; gostava do modo como os dedos dela percorriam o seu cabelo e parecia fazê-lo magicamente se acalmar. Se soubesse anos antes o quanto isso funcionava, não teria tomado nenhum remédio para combater sua ansiedade, bastaria tocar a campainha de Lola, pedir um carinho no cabelo e pronto: ali estaria seu remédio. “Mas foi tão real, Lou..Eu ainda consigo sentir minhas mãos, digo, minhas patas tentando abrir a janela. E eu queria tanto, tanto e passava tanto tempo tentando...pareceu durar uma eternidade”, murmurou, mantendo os olhos fechados, enquanto sentia os dedos passearem pelos seus fios de cabelo. Pouco a pouco o coração começava a voltar ao batimento normal.
o nome dela é lola? que fofo! mas enfim, acaba no dia que todos vocês começarem a falar abertamente sobre as coisas e pararem de me deixar curiosa. argumentou, como se realmente ela tivesse toda razão em estar se metendo na vida dos outros daquele jeito. ha ha, muito engraçado. eu não tava nem aqui… então não. seus gritos de prazer não me acordaram. inclusive eu dormi muito bem, obrigada. angel podia ser um pouco lerda, mas ainda era capaz de entender ironia. bem, às vezes era. ela agarrou o casaco que foi jogado em sua direção e o vestiu. eu não conheço esse lugar não. você e a mel frequentam lugares com nomes difíceis sempre assim mesmo?
“Já parou para pensar que essas coisas que você pergunta não tem a menor relevância na sua vida? Que diferença vai fazer se você souber se eu dormi aqui ou não?”, perguntou, com um sorriso no rosto, se divertindo com o desafio à mais nova. Quando ouviu que ela não havia dormido no apartamento, o londrino foi novamente pego de surpresa. Realmente pensava que Angel não conhecia muitas pessoas em Nova York, ao menos não ao ponto de dormir na casa delas. Parte de si quis fazer uma pergunta quanto a isso, mas sabia que soaria como uma curiosidade tão grande quanto a dela. “Esse lugar é um dos melhores restaurantes de Nova York. É francês, e não só na estética. A comida é divina”, disse, sentindo o estômago embrulhar de fome. Às vezes estudava por tanto tempo que esquecia de comer. “Normalmente é Mel que escolhe os lugares e eu só sigo ela. Sua prima tem um ótimo gosto para restaurantes”.
after delo’s party
flashback.
“Eu sei, só não precisava ser logo quando eu acordei. Que pelo menos desse tempo de tomar um cafezinho.” Brincou, soltando uma risada leve. Gostava demais do tempo que passavam juntos. “Ele não é de festas assim… Então provavelmente não. Pode ser que já tenham se visto em algum bar, mas não saberia que é ele. Talvez eu seja boa, não seria a primeira vez que escondo sentimentos.” Essa era um dos seus pontos negativos. Havia coisas que guardava demais, e isso não estava lhe fazendo bem. Por isso buscara ajuda profissional. Voltou o olhar a ele, percebendo o inicio da mesma tristeza da noite passada. Sentou na cama também, buscando por uma das mãos do rapaz. “Odiar é um sentimento muito forte, posso brigar com você. E depois fazer uns carinhos pra te deixar melhor. Te mostro até uma foto dele.”
Conrad apertou a mão de Melissa, feliz por aquele pequeno conforto. No entanto, ainda não reunira coragem suficiente para admitir que havia contratado um detetive particular para investigar a vida do pai de Lola. Que tipo de louco faz uma coisa daquelas? Com agilidade, pegou o travesseiro que estava ao seu lado e jogou, sem muita força, na direção da amiga. Aproveitou o momento para se desvencilhar tanto do contato físico, quanto da pergunta. “Vamos logo tomar esse café, preciso beber alguma coisa antes que minha cabeça exploda de vez. Depois que eu tiver recuperado minhas forças eu posso considerar dizer o que fiz, mas já quero ver a foto desse seu amigo”, disse, se espreguiçando logo que saiu da cama. Vestia a blusa do The Smiths, usada no dia anterior, e sua cueca box preta. “Cadê a minha calça?”, perguntou, levemente confuso. Não lembrava muito bem de como fora dormir após o banho. “Se eu sair desse jeito pela casa, sua prima com certeza vai passar o resto da semana implicando contigo”, afirmou divertidamente, embora soubesse que, por mais bonita que Mel fosse e por mais que os dois tivessem uma boa relação, nada romântico teria chance de acontecer entre eles. Depois de Lola, não havia espaço para muitas pessoas na vida de Conrad e o londrino suspeitava que, na vida de Mel, também não.
Delo caminhava pela rua tragando um de seus cigarros quando decidiu ir na casa de Conrad, fazia tempo que ele não encontrava o amigo por conta do trabalho de conclusão de faculdade que ele estava focado em fazer e com os acontecimentos dos últimos dias, o DJ acabou não tendo um grande contato com o rapaz. Como ele já era um rosto conhecido no Lux, entrou sem precisar de identificação, indo direto ao elevador para seguir dentro dele até o sexto e último andar, onde o britânico morava. “Mas eu não estar com fome, idiota!” retrucou, passando feito um furacão pela porta e jogando-se no sofá. “Só vim te visitei pra te perturbar e também, o Taylor e eu fizemos compras lá pra casa, tá?” por um segundo, Delo refletiu o quanto aquela frase soava estranho só por ele estar falando que fez compras com o seu companheiro para a sua casa, como se fossem um casal de anos. “Mas já que tem um hambúrguer, vou ser obrigado a comer pra não fazer desfeita…” desconversou, trilhando um caminho até a cozinha.
Conrad revirou os olhos quando Delo aceitou a sua comida. Por mais que soubesse que tinha um prazo para entregar o capítulo do seu trabalho, se sentia um tanto aliviado por poder abstrair um pouco de tudo aquilo. “Se o seu objetivo era me perturbar, já digo que você foi sucedido na missão. Eu estava estudando”, voltou a apontar, embora seu tom já não estivesse tão impaciente quanto antes. Às vezes ele gostava de ficar emburrado, só para poder extravasar um pouco a ansiedade de estar escrevendo seu trabalho final de curso. O mundo, depois dali, seria um grande vazio desconhecido.
after delo’s party
flashback.
“Você não tem jeito mesmo. Não, ele não é tão parecido comigo, tipo naquele tempo, eu o levava para as festas, puxava pra dançar e essas coisas. Ele era tímido, um fofo até hoje. Não sei bem porque não aconteceu.” Mel não sabia dizer com certeza, um ponto que a impediu de dizer que gostava do rapaz naquela época. Fora o tempo, a família, ela mesmo, ou tantas outras coisas que pensava. “Eu acho fofo isso, acho até um ponto positivo. É verdade, principalmente quando convive com a pessoa. Não sei se deixo as coisas escaparem, é tão natural… olha, só você mesmo pra estar me fazendo lembrar dele logo quando acordo.” jogou o travesseiro que estava usando nele, numa brincadeira simples. “Mas e você com a Lola? ´Foi muito sério essa ultima briga?” Havia entendido isso na festa, não lembrava o porque da briga, mas sabia que ele tinha ficado arrasado.
“Mel, let’s be honest here, você estaria pensando nele independente deu ter puxado o assunto ou não, só não quer admitir”, disse, ao se afastar do travesseiro jogado em sua direção. Enquanto tentava parar de rir, lentamente se sentou na cama, ainda sentindo a cabeça latejar. “Eu cheguei a conhecer ele em alguma festa?”, perguntou por curiosidade, ignorando por um tempo a pergunta sobre Lola. “Eu não posso dar uma opinião se você deixa ou não algo escapar, mas duvido muito que ele não perceba nada. Ou talvez você seja realmente muito boa em não revelar os sentimentos", ponderou antes de puxar um longo suspiro e voltar a encarar a amiga. “E se eu te falar o que motivou a briga tenho certeza que você vai me odiar”.
pois é, mas ela não disse onde ia. eu acho que deve ter ido encontrar aquele cara, o policial. ultimamente a mel só fala dele o tempo todo. angel disse, revirando os olhos. fechou a porta depois que conrad entrou e o seguiu para dentro do apartamento, de braços cruzados. não tinha nem motivo pra mentir sobre aquilo, odiava ficar sozinha em casa, a prima tinha saído e o melhor amigo nem respondia suas mensagens. era difícil. eu não sei, tô falando sério. ela não me disse, só saiu. se quiser posso ligar pra ela, dizer que você tá aqui… aliás, tá rolando alguma coisa entre vocês? perguntou, desconfiada, com os olhos semicerrados. no dia da festa do delo você dormiu aqui, não foi?
“O policial?”, perguntou, tentando lembrar se Melissa já havia lhe falado alguma vez sobre algum policial. Talvez fosse o amigo de infância que deixara de ver após sair de Portland. Se ela estava com ele, explicava o porquê de não retornar suas ligações. “Forget it. If she’s not answering my phone calls, she probably won’t answer yours”, disse pensativo, antes de ser pego de surpresa com a pergunta da mais nova. Ela realmente se intrometia nos assuntos alheios. “Primeiro você me perguntou sobre Lola, agora me pergunta sobre Mel..essa sua curiosidade acaba um dia?”, soltou, enquanto andava na direção do cabide com casacos. “Sim, dormi. Será que nossos gritos de prazer te acordaram? Poxa, nós estávamos tentando ser discretos”, disse, em um misto de seriedade e ironia, antes de jogar um dos casacos na direção de Angel. “Vamos, temos uma reserva no Petite Boucherie”.
“O que você acha dessa foto para o meu perfil do tinder?” Mostrou a foto no telefone para a pessoa. “Preciso que meu perfil diga: Não sou uma vadia, mas também não sou virgem.” Perguntou de forma séria, como se esperasse uma análise da foto.
“Independente da foto que você colocar, as pessoas não vão achar que você é virgem”, Conrad disse, precisando conter uma baixa risada. Achava engraçado que aquilo fosse um motivo de preocupação da morena. “Coloca qualquer foto sua sorrindo e dá certo. Você tem um sorriso bonito”, disse simplesmente, continuando a olhar o catálogo de livros do sebo.
after delo’s party
flashback.
Poucas vezes na vida teve que fazer isso pelos amigos, até porque eles não costumavam beber tanto assim. Mas apesar do trabalho, se divertiu, e era isso que estava precisando. “Nossa, foi muito engraçado. Chegou uma hora que eu não estava nem entendendo mais o que você tava dizendo. Mas o melhor foi sua reação debaixo do chuveiro… você não só bebeu nessa festa né?!” Riu outra vez. “Isso é muito sério para eu falar estando bêbada, e acho que ele nem vai levar a sério.” Era verdade, Matthew era muito atencioso, não seria justo estar naqueles estando para falar de algo tão sério. “Sim, anos. O que atrapalhou mais, foi porque eu sai de Portland. Então mesmo gostando, a distância não estava a favor, é bem piegas imaginar que ele é meu primeiro amor assim, sabe?” Escondeu o rosto com as mãos, era sempre nostálgico falar dele, não conseguia esconder a carinha de apaixonada. “Não conseguiria e nem consegue. Sua carinha de tristeza te entregou ontem.”
“Não...Delo me deu alguma coisa que até agora eu não faço ideia do que é”, disse, sem problema algum. Conrad não costumava se drogar em festas, mas quando o fazia, não escondia como se fosse um crime terrível. It was just...drugs. “Mas vocês nunca chegaram a ter nada. Digo, durante todos os anos em Portland nunca rolou nada, nem um beijo?”, perguntou com curiosidade, se virando para poder observar a amiga. A relação do londrino com Astrid, sua primeira namorada, surgiu a partir de uma amizade na adolescência. Eles foram melhores amigos antes de começarem um relacionamento romântico e, ao longo do tempo, foi ficando cada vez mais claro para ambos que eles se gostavam “Eu sei que eu sou péssimo em esconder meus sentimentos, mas se a pessoa sente algo, não dá para manter aquilo escondido por muito tempo. Alguma coisa escapa”.