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Terapêutico parte 2
Eu decidi que irei escrever.
Agora só me falta uma boa história para contar.
Talvez eu já tenha.
- M
Terapêutico
Eu sempre achei terapêutico escrever. A minha vida inteira tive diários, desde do dia que aprendi a escrever até uns 15 anos. Com a minha rotina ficando mais intensa por causa do maravilhoso Ensino Médio brasileiro, eu parei de escrever todos os dias para mim e passei a escrever todos os dias para sobreviver.
Não é como se eu estivesse correndo algum risco de vida ou como se eu trabalhasse de “escrava escritora” para alguém. Eu simplesmente fui obrigada a ceder a pressões sociais (por conta de alguns motivos), que envolviam garantir a minha independência no futuro e passar no vestibular.
Porque o meu sonho de verdade sempre foi ser escritora, estudar literatura e morar na França pelo menos por um período, vivendo em função desse trabalho. Hoje, eu percebo que as poucas habilidades com escrita que eu tinha morreram.
Morreram pela falta de prática, mas também pela falta de esperança, acredito. E eu sou a única culpada, já que durante todo esse tempo, fui adiantando a minha felicidade. Todos os meus planos para ser feliz com o que mais amava foram os verdadeiros responsáveis pela morte desse mesmo sonho.
Com 12 anos: “tudo bem, eu sou uma criança e já gosto tanto de ler, mas por que não tentar escrever também? Ah, mas estudar para algumas provas de matemática é tão mais importante! E ser uma escritora criança nem é possível! Talvez eu esteja exigindo muito de mim mesma”.
Com 15 anos: “tudo bem, eu preciso passar no vestibular duas vezes: Direito e Letras. As leis pelo dinheiro e as letras pelo amor. Mas é possível? Como vou fazer isso? Não sei! EU PRECISO ESTUDAR!”
Com 17 anos: “EU PRECISO ESTUDAR AINDA MAIS!”
Com 19 anos: “meu Deus, eu não aguento mais faculdade.”
O tempo passou e eu fui deixando de pensar nesse sonho. A faculdade e a necessidade tão grande de conseguir a maior quantidade possível de estágios durante cinco anos me distraíram. Hoje, isso já não acontece tanto porque eu percebi que adiantei tanto a minha felicidade que esqueci dela.
Esse ano é um momento que eu posso me reinventar e buscar ressuscitar essas habilidades para melhorá-las. Viver como eu realmente queria ter vivido.
- M
Windsor Castle
Buckingham Palace
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Seria distante demais imaginar
A gente nesses canais
Uma noite só em Marken
Duas ou três, talvez
Amanhã,
Depois
Eu sei.
Sonho meu
Amor de Deus
Um suspiro
Dias infinitos
Árvores de natal
Dias finitos
Eu respiro.
Só um pouco
Ano novo
Um país
Dez dias
Águas nos olhos
Diz pra mim
Eu te amo.
m
Impossível não se apaixonar ❤️
Paris é diferente,
Tem muita gente,
Motoristas inconsequentes,
Barulhos frenquentes,
Cafés quentes,
Crepes e croissants à vente,
Parisienses.
—- MCAA
Eu deixaria
Com toda facilidade
O meu país origem
Eu viveria
Com toda felicidade
Um conto de coragem
Ao seu lado
Como Piaf
Eu largaria tudo
Por outro mundo
Cest um revê, af!
—- MCAA
Lisboa só começa a ter cor um pouco antes das 8h
Não fui eu que tirei
Sei lá, o cinza de São Paulo é diferente
Incompleta e sua,
São barreiras físicas
Outras metafísicas.
Completa e sua,
São pequeninas,
Outras nanicas.
Gigantes ou minúsculas
Altas ou baixas
Difíceis ou fáceis
De um modo ou outro,
Deus une os que se amam.
Maria Carolina Alencar
Um surto íntimo
Angustiado, debochado
Triste, no mínimo
Levemente mal tratado
Eu não sei
Tudo o que eu quero
Está tão longe
Quanto esse verso
Maria Carolina A
Parecia um pouco com o centro de Manaus. As casas com uma arquitetura mais antiga, quase um aspecto colonial; as ruas estreitas, apenas com espaço para um único carro passar e com mesinhas de bares e restaurantes à beira do trânsito caótico do dia a dia.
Mas, à exceção disso, era tudo muito diferente. O céu realmente parecia mais claro, mais Alegre. Não era tão frio como eu esperava, talvez seja porque era final de março.
O sotaque cantarolado, as comidas gostosas, um salão de beleza e a casa do Mário Quintana: foi o que eu senti. Do avião, dava para ver os campos. Quem vê de longe, não vê poluição, só uns tons de verde.
A janela do flat não mostrava muito. Mas, a janela da faculdade mostrava mais: novamente, um céu mais azul, uns tons de dourado.
- Porto Alegre
Manaus, 2019
Só podia ser assim,
Que eu voltaria a escrever
Uns poemas rasos
Sem rima,
Sem métrica,
Sem lógica.
Só podia ser assim,
Que eu cuidaria de mim
Com uma nostalgia,
Com uma lembrança,
Com uma eternidade.
Só podia ser assim,
Que você me instigaria
A ser quem eu sou,
A ser quem eu quiser,
A seguir meus sonhos.
M Carolina Alencar - Assim