What's wrong with my tongue? @DelilahLeatherby
ㅤㅤㅤㅤㅤIrrita um bocado saber que meu cérebro resolve me fazer agir como um retardado nos momentos mais inoportunos, quando eu preciso do mínimo de clareza de expressão pra me fazer entender. Dias antes eu tinha conseguido ser um perfeito escroto com Anna na biblioteca sem nem enrolar a língua, mas agora que tentava manter uma conversa que deveria parecer casual e relaxada com Delilah, eu estava entre parecer confessar uma paixão por Edgar Bones ou numa tentativa débil de convidar a menina pra sair. Isso, ao menos, era como eu estava interpretando minhas palavras no instante em que elas saíam da minha boca. ㅤㅤㅤㅤㅤ— Sorry, Delilah, I shouldn’t have bored you with th-those… stupid questions. — Franzi as sobrancelhas, escondendo o rosto entre as mãos e balançando a cabeça negativamente. Por fim, inspirei profundamente e encarei minha colega de Casa, usando a coragem momentânea pra perguntar de uma vez o que queria saber antes que, sei lá, ela saísse correndo. Era o que parecia querer fazer, a julgar pela expressão em seu rosto. ㅤㅤㅤㅤㅤ— Do you happen to know what’s going on between Edgar and Anna? — Minha voz saiu tão baixa quanto um sussurro e eu não tive certeza se Delilah tinha conseguido ouvir a pergunta ou ler meus lábios, mas minha reação imediata foi olhar em volta para checar se qualquer outra pessoa não o tinha feito. Pior: se Anna ou Edgar não apareceriam do nada de mãos dadas rindo da minha cara por fazer perguntas sobre o feliz relacionamento deles por aí. — Please… Don’t tell anyone I asked you this. — Dessa vez minha voz saiu em volume normal. Seria tão mais confortável ter aquela conversa se ela estivesse próxima o suficiente para absorver meus pensamentos em ondas mentais sem eu ter de reproduzi-los oralmente…
Ela não tinha nada contra o garoto. Não se importa com sua insegurança, visto que se identificava com isso. Considerava-o um de seus amigos, mesmo que nem sequer conversavam muito. Ela não conversava muito com ninguém, de qualquer forma. Era quieta demais, e o conceito de amizade ainda lhe era abstrato. Queria entender. Ser como todos os outros, mas seu bloqueio parecia enorme comparado a timidez dos outros. O mesmo bloqueio fazia que ela olhasse em volta agora, procurando por algum escape da conversa desconfortável. Não entendia o que ele queria dizer, e não tinha a menor ideia de como reagir. Esperava ver os cabelos rubros de Anna, como se ela fosse aparecer magicamente e livrá-la. Afinal, ela e Sam tiveram algo juntos – ou ao menos parecia – e já até mesmo escutara os desabafos da garota, mesmo que suas respostas fossem vazias e incertas. Voltou o olhar devagar para ele, insegura. Balançou a cabeça, como se querendo dizer que não havia a problema, mas sem a coragem de usar a voz para mentir. Não estava incomodando, não completamente. Não ligava de falar com ele, só não sabia qual era seu objetivo, e não saber lhe deixava mais arrisca do que já era. Mas ele parecia tão confuso quanto ela. Ajeitou-se na cadeira, entrelaçando os próprios dedos e os estalando em um movimento inconsciente, esperando para que ele continuasse, disposta a ajuda-lo em o que quer fosse que ele queria.
“Oh.” Murmurou quando ouviu a pergunta dele. Anna e Edgar eram amigos. Ela mesma conversava com o rapaz, mesmo com suas piadas que ela não entendia e perguntas sem sentido. Franziu o cenho. Não entendia como sua opinião podia ser válida em um assunto como esse, mas buscou pelas palavras de qualquer forma, tentando formular algo que fizesse sentido. “I won’t tell.” Prometeu, tentando buscar por provas de que os dois eram um casal, mas não conseguia encontrar nenhum. “I think they’re friends. Like you and me. You don’t need to worry.”













