I don't need your honesty it's already in your eyes // adna & mason
O modo como o rosto de Adna se contorcia em raiva, deixava claro que ela precisava de alguns segundos, ou protagonizaria uma cena que via quase todo dia. Justin pulando em cima de alguém por causa de raiva. Respirou fundo, fechando os olhos, e esperando que na contagem dos dez, pudesse esquecer da presença de Mason ali. Sequer tinha razão em estar com tanta raiva. Eles não tinham nada, nenhum envolvimento mais duradouro, na verdade, o conhecia há apenas alguns meses. Enquanto recobrava a calma, pelo menos parcialmente, se deu conta do papel imaturo que estava fazendo. Piscou colocando o cirurgião em foco, torcendo os lábios em irritação, entretanto, estava muito mais calma. – Tudo bem então, fale do modo que preferir. – Disse de maneira lenta, erguendo os ombros sutilmente. Trincou os dentes, revirando os olhos para si mesma, pois Mason tinha razão. Não fazia sentido algum, novamente ela tinha certeza de que estava exagerando. – Eu não sei. E como saberia, se não te conheço? – Mesmo que seu tom fosse aparentemente calmo, ela deixava claro o quanto ela estava contrariada, não queria concordar abertamente com ele. Escutou a tudo que ele falava, odiando o quanto de razão ele tinha em todo seu discurso. Suas feições tomaram uma faceta pensativa, pois ele tinha razão. Ela não deveria estar afetada. Mas na realidade, Adna queria que fosse algo mais. Estava decepcionada em descobrir que nunca viria a ser algo a mais, que eles nunca sairiam daquela fase de conhecidos, no máximo amigos. Mesmo que não devesse, aquela informação mexeu com ela, e a loira ficou envergonhada ao perceber que a perspectiva de nunca ter Mason a ter deixado tão irada. Umedeceu os lábios, desviando o olhar para disfarçar o rubor em sua face. – Não foi isso que quis dizer… De qualquer forma, eu não estou afetada. E muito menos estou mexida. Só me sinto enganada. Mas eu vou superar, todos vamos superar e seguir a vida, huh? – Tentou sorrir, mas teve certeza que parecia mais uma careta. – Tenho certeza que não. – O tom dessa vez foi irônico, enquanto ela arqueava uma das sobrancelhas.
Fora com um misto de curiosidade e dúvida que o cirurgião observou as mudanças nas feições da mulher contra quem tanta inutilmente argumentar; A raiva escancarada parecia tomar vias de encontrar seu fim, ou ao menos se dissolver em algo um pouco mais contido. Deixou um novo e igualmente cansado suspiro lhe escapar aos lábios mais uma vez, decidido a não travar uma discussão baseada no modo com que falava - ainda mais por ter a óbvia noção de que havia sim mudado o tom usado com Adna, optando por aquele que normalmente transformava a histeria de mães aflitas em um sentimento mais contido com o qual conseguia lidar. – Realmente acha que eu seria estúpido a ponto de fazer tudo isso de maneira proposital, apenas para vir me entregar e dar a cara a tapa no momento seguinte? Tudo bem me julgar pelo erro, tem toda a razão em fazê-lo, mas não me tome como idiota, Adna. – Por mais que quisesse evitar, Mason não conseguiu se impedir de rebater ao comentário alheio, mesmo que não existisse nem ao menos uma nuance agressiva em suas palavras e gestos. Os olhos azuis se mantiveram fixos na figura alheia durante todo o instante tomado pelo silêncio, podendo até mesmo vir a perceber o momento em que a face alheia veio a se corar - mesmo que sem motivo aparente. Meneou levemente com a cabeça, sentindo-se muito mais derrotado do que acreditou que fosse possível com aquela conversa; Se tinha antes como o objetivo de tudo aquilo livrar-se do peso em seus ombros, o médico apenas constatava que nunca estivera tão errado. Era certo que estava livre da culpa de enganar a fotógrafa, mas agora lidava com uma angústia que não sabia nem ao menos definir. – Realmente não fiz nada disso por mal... Nunca tive a intenção de te enganar, e realmente espero que possa me perdoar quanto a isso. – Tentava ignorar toda a ironia apresentada pela mulher que ainda o atraia, mas não conseguia conter a própria chateação com tudo aquilo. Afastou-se alguns passos, mesmo que não se postasse próximo de Adna e ainda mirando a mulher de maneira firme enquanto apertava por vez ou outra o tecido do cachecol que ainda segurava, em seu próprio modo de tentar aliviar a tensão que sentia. – Talvez seja melhor eu ir embora.














