O não saber falar é lindo aos olhos. Digo, aos olhos, literalmente. É uma imensidão de gestos faciais que expressamos ao transmiter o que nos corrói em brasas. É transbordar em gestos deconexos, palavras interrompidas e o choro, caso venha à face. Coleciono momentos como esse em minha alma trasgredida miúda, concentrada ao que eu também não expresso; sou sutilezas em tudo, até no que sinto. Existe uma beleza intrÃseca na incerteza do gesto, afeto, sentir. É incrÃvel como o corpo fala mesmo quando estamos mudos, mesmo que o silêncio grite, mesmo que o vazio sangre. E a imagem do momento se repete, repele e marca, me fazendo ver todos os dias, em momentos corriqueiros, momentos triviais. Os observo, sinto comigo, respiro em acordes dos sons que ouvi. Deixo que coloquem os trilhos de memórias que cultivo em vagões perdidos, em uma cidade cheia, habitada por uma imensa alma que a construiu. São traços que evocam os momentos como este: estou muda de mim, gritando em lÃnguas mortas, em gestos fragéis, epilépticos, soletrando ao vento o que não sei dizer aos olhos.
- Kamylla Maria















