Éramos adolescentes e ela era o tipo de garota mimada, meio zangada meio doce sabe. Eu já fazia o estilo mais “olá eu sou estranho”, se é que me entendem. Ela descia as escadarias da escola feito um vento, e eu sentia o cheiro do seu cabelo em todas as aulas. Deve ter sido por isso que quase repeti o primeiro ano do colegial e meu trabalho de física tenha sido sobre shampoo. A, mais eu a amava, e isso sempre esteve estampado no meu rosto de nerd era inegável. Pois bem, o ano foi se passando e inacreditavelmente(palavra grande em) ela sorria quando me via, talvez por eu fazer aquela cara de babaca sempre quando ela passava, mais não; acreditem não era por isso, ela estava mesmo feliz em me ver ali parado olhando pra ela como se mais nada tivesse sentido. E bem isso me encorajou. É; mais ou menos. Eu meio que demorei mais uns 3 meses para dar um bendito oi, que saiu mais comprido que a palavra grande pra caramba ai de cima, isso tudo devido a minha gagueira que eu nem sabia que tinha, na verdade eu não tinha mesmo, só que minha língua teimava em me ajudar. Foi o oi mais lindo que eu já ouvi e naquele dia por ironia ou esperteza minha, o caminho da minha casa era na mesma direção que a dela, e foi a melhor volta pra casa que eu tive, e eu nem pude me despedir porque necessitei correr desesperadamente de um bando de garotos que com certeza não gostarão dela estar com um idiota como eu. Na manha seguinte ela me devolveu o meu estojo que eu devo ter perdido na minha corrida frenética para não apanhar. Depois de me dar o estojo ela perguntou se existia outra rota para minha casa e eu disse que o caminho seria mais longo e bem mais seguro, ela sorriu e eu quase desmaie, me disse que para ela seria ótimo e se foi, e também foi nesse dia que eu elaborei o trabalho sobre shampoo. Eu tava nervoso pra caramba, não tinha a menor ideia do que falar, ela caminhava divinamente rindo e eu ria também, não me perguntem porque ou pior, do que. Algumas horas de caminhada e era a esquina onde os caminhos se separavam, eu iria reto e ela viraria a quadra a esquerda. Ela subiu na calçada e ficamos quase da mesma altura. Meu Deus os olhos dela pareciam uma aquarela de cores, era incrível como o verde se misturava com o castanho tão únicos. Ela me abraçou e eu senti além do cheiro do shampoo o cheiro de amaciante da roupa o cheiro do seu corpo. Foi segundos depois que ela olhou fixamente para min, como se deslumbrasse minha alma e seus olhos repentinamente se fecharam, então deduzi que ela queria um beijo, mais como se dava um beijo? Pularemos as explicações, digamos que eu já tinha visto titanique umas quarenta vezes e os ursos da minha irmã tiveram uma utilidade para min. Eu toquei os lábios dela com os meus e era doce, tinha gosto de sereno, e eu era um provador nato quando se tratava de serenos. Era ela, e ela sempre foi tudo o que eu sonhei e o beijo dela tudo o que almejei.