O cachorro era sempre presença constante pelo dormitório ou o estúdio da empresa, por isso não se surpreendia mais com a reação de Hayan quando via o bichinho. E ele ficava parecendo ainda mais infantil do que normalmente era, portanto, era um bom motivo para rir naquele momento. Se espreguiçou como se estivesse na própria cama, soltando um bocejo logo depois enquanto coçava um dos olhos, fitando o teto antes de voltar os olhos para o mais novo. — Morreria de fome. — Disse, direto e seco como de costume, porque ainda não era o melhor do mundo em ser carinhoso e essas coisas.
Ao menos, não quando não se tratava do irmão mais novo, ainda que nos últimos anos se sentisse mais próximo do restante da banda. Com o choro do buldogue ao ser colocado no chão, Jongsuk se moveu para a beirada da cama a fim de passar uma das mãos no animalzinho e erguê-lo para si, deixando o pet em seu estômago quando se deitou de novo. — Nah, não vem me agarrando. — Vê-lo alimentado já era agradecimento suficiente, mas sabia bem que não ia adiantar muito dizer para Hayan não fazer aquilo, ele acabaria fazendo e pronto, o conhecia bem. Se aproximou do guitarrista e, de uma das sacolas, tirou uma das garrafas de soju que havia levado, apoiando o corpo a cabeceira da cama enquanto bebia.
Era terça feira? Sim. Estava bebendo? Com certeza. E, para dizer que não tinha comido nada, roubou o bolinho que Hayan estava prestes a comer apenas para fazer jus ao posto de líder e por ele não poder reclamar de nada. Não que fosse de fato assim, era apenas uma desculpa idiota demais para implicar com o mais novo, apertando sua bochecha para irritar o amigo. — Kyeopta. — O tom usado foi mais baixo e doce que o habitual, tentou ser fofo por alguns segundos e nitidamente não levava o menor jeito para aquilo, por isso só voltou a beber em silêncio e deixou Hayan comer apropriadamente.
Tão distraído quanto estava comendo como se tivesse passado o dia inteiro sem fazer aquilo, Hayan quase não notou quando Jongsuk mexeu nas sacolas, mas quando a garrafinha verde e famosa foi tirada de lá, foi impossível não se tornar alerta. Seu cenho se franziu um pouco; não era contra o consumo de álcool, definitivamente, mas ficava preocupado sobre beber logo no início da semana e sem nenhum motivo aparente. No entanto, preferiu não fazer nenhum comentário e apenas continuou focado em sua comida. Não queria se meter na vida do seu hyung, e uma garrafinha de soju nunca fez mal a ninguém.
As rugas entre as sobrancelhas aumentaram quando seu bolinho foi roubado pelo mais velho, mas dessa vez a expressão veio acompanhada de um bico birrento. O mesmo se desfez quando uma das bochechas foi apertada e de imediato o rumou tomou conta delas. Se a voz de Jongsuk tivesse soado um pouco mais brincalhona talvez não tivesse aquela reação, mas já convivia com o rapaz há tempo o suficiente para notar diferenças em seu tom e por isso estava ali, tão vermelho quanto um tomate.
Procurou não se importar com isso, contudo. Limpou sua garganta e virou o rosto para longe do hyung em uma tentativa de esconder o rosto corado enquanto terminava de comer. Uma vez que os compartimentos estavam limpos, o coreano já havia esquecido do ocorrido e, sorridente, colocou tudo dentro da sacola para jogar no lixo depois. De barriga cheia e feliz, jogou-se em sua cama, indo para o cantinho dela e deixando espaço suficiente para outra pessoa ali. — Sai do chão e vem pra cá, você vai ficar com dor na coluna. Tá velho demais pra ficar se dando ao luxo de deitar no chão. — Brincou, sorrindo de forma divertida.