A princesa havia sido preparada pelas criadas para aquele encontro. Havia prometido a Amélia que viria a conhecer Lars antes de dar o primeiro passo “contra” o noivo e estava cumprindo a promessa. Relutante aceitou o convite para jantar e rezava para que por alguma razão o homem cancelasse. Para sua infelicidade o jantar ocorreu como o planejado e quando deu por si já estava na porta do salão. Ao entrar no ambiente não se surpreendeu ao avistar todo aquele ar formal. Para a ruiva parecia uma grande piada o fato do homem com quem iria se casar lhe tratar por títulos. Elizabeth odiava a formalidade e a impessoalidade da mesma. Segurou-se para não deixar sua face contorce-se em uma careta, porém, tinha certeza que sua feição lhe entregava. A princesa reverenciou-se em resposta ao alemão. “Vossa Alteza…” Fora a vez da mulher reverenciar-se. “Por favor, me chame apenas de Elizabeth.” A jovem pediu com o cenho franzido. “Eu não acho que devamos nos tratar por todos esses títulos. Portanto sou Elizabeth, Lizzie, Lili…” Mordeu o lábio inferior e respirou fundo tendo sua feição indescritível. Lars não era exatamente quem Elizabeth esperava, embora estivesse cercado por toda a alegoria de um futuro rei, ainda era visível de que ele ainda era apenas um rapaz.
Seu olhar se tornou confuso quando Lars anunciou que lhe presentearia. Imaginou que o homem viesse a lhe entregar flores e se surpreendeu quando avistou a pequena caixa aveludada que o criado carregava. Os olhos verdes da princesa se arregalaram e sua boca se abriu devido seu choque. O anel de fato era bonito. Um belo presente para uma noiva apaixonada, pensou Elizabeth. Porém a princesa também sabia que estava longe de ser uma noiva apaixonada. Desviou-se de seus pensamentos e engoliu seco antes de responder o príncipe. Sua vontade era correr para longe do homem e simplesmente ignorar todas as regras de etiqueta, porém sabia que o resultado daquilo seria péssimo. “Sim…” Elizabeth o respondeu estendendo a mão direita esperando que o homem pusesse ali o anel.
Embora não fosse um bom comunicador, Lars possuía algum conhecimento a respeito de linguagem corporal. Na tentativa de aprimorar suas habilidades sociais, havia devorado livros sobre o assunto e, com tamanho esforço, sabia o suficiente para reconhecer que Elizabeth estava desconfortável. Oh, não. Era exatamente aquilo que tentara evitar. Que tipo de rei seria se não conseguisse agradar nem mesmo sua rainha? Lars engoliu em seco. Havia cogitado pesquisar mais a respeito da personalidade e dos gostos de sua noiva e descartado a ideia ao imaginar que poderia parecer um perseguidor. Era um tolo, isso sim. Lhe restava continuar usando sua má intuição para levar o diálogo a diante. “Hm, Elizabeth, certo.” Os apelidos eram bonitos e pareciam combinar com a ela, todavia, o príncipe sentia que não possuíam proximidade suficiente para tratá-la daquela forma, a intimidade viria com o tempo. “Bom, pode me chamar pelo meu primeiro nome, se quiser. É Lars, meu nome. E... você já sabe disso” falou, tropeçando nas próprias palavras. Não possuía expectativas altas para aquela noite, ainda assim, o encontro vinha se tornando pior do que imaginara. Em uma tentativa desesperada de amenizar o momento constrangedor, comprimiu os lábios em um quase sorriso e prosseguiu. Lars tocou cuidadosamente a mão direita de Elizabeth e posicionou a aliança em seu dedo anelar. Um encaixe perfeito, ao menos um de seus planos funcionara. Após uma breve pausa, analisando as possíveis palavras seguintes, deu abertura para que a princesa se afastasse de seu toque e comentou: “Primoroso, não acha? Combina com... a sua pele.” E mais uma vez, posteriormente a um começo que julgava apropriado, arruinava o diálogo. Um de seus criados, conhecendo o príncipe há longos anos, mencionou a refeição antes que Lars pudesse se constranger mais. Outro membro da realeza talvez se sentisse ofendido, desrespeitado, no entanto, ele deixou o alívio manifestar-se no lugar de outros pensamentos. “Vamos?”