• Fazes-me lembrar dele. Do amor que lhe dei a mais. Das feridas que curei, com dificuldade, no passado. Fazes-me amar-te com medo. Pelas palavras que oiço da tua boca e que me recordam das mentiras que navegavam na língua dele. Pelo sufoco que ás vezes sinto pela necessidade que criei de ti. Fazes-me lembrar dele e, simultaneamente, eu lembro-me do pior de mim. Da mulher que fui. Fraca, que se agarrava a um amor aos pedaços que pouco lhe oferecia. Sozinha, que estava ao lado de alguém para quem eu já não dizia nada mesmo que em tempos tivesse significado tudo. Contigo, lembro-me dos meus erros, das minhas quedas e das lágrimas que não dei tempo para caírem e eu não quero isso. Não quero dar-te a mão e sentir que ele ainda pesa no meu peito, não por ter sido o homem que amei, mas por ter sido o homem que não devia ter amado. É a teu lado que entendo as sequelas que ele deixou em mim, os arranhões que ainda são visíveis e os medos que eu pensava não ter. Tu recordas-me de como era o inferno de amá-lo e fazes-me querer fugir para longe, para um sítio onde eu possa esquecer. Ele aparece em certos discursos teus, nas tuas demasiadas certezas que me assustam, no teu amor demasiado intenso para o pouco que me entreguei. Apareces com uma perfeição que só pode ser mentira e aí, quando te olho, quando desejo amar-te por tudo o que és, eu vejo-o e não consigo escolher outro lado do que aquele que me leva para longe de ti, já que eu sei que a minha alma não aguentará mais mentiras.











