Primeiro eu destruir tudo que vc sentia por mim, depois fiquei amando só, o que poderíamos ter sido.
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@keepforgivingme
Primeiro eu destruir tudo que vc sentia por mim, depois fiquei amando só, o que poderíamos ter sido.
Eu me distraio
Me distraio com o tamanho dessa cidade e com as luzes, eu me distraio com os flertes involuntários, com o tempo passando, eu me distraio olhando a sacada e os carros e as pessoas e as bicicletas, eu me distraio pensando em como minha casa vai ficar, eu me distraio no meio do dia pensando no restaurante que vou almoçar.
Torço pra te esquecer enquanto me distraio, e eu me esforço pra me distrair o tempo todo.
“Whether you think you can or think you can’t, you’re right.”
— Henry Ford
“Because the world is so full of death and horror, I try again and again to console my heart and pick the flowers that grow in the midst of hell.”
— Hermann Hesse, Narcissus and Goldmund
Somewhere, there’s a version of us that survived.
Somewhere, there’s a version of us that survived.
“Go out and do something. It isn’t your room that’s a prison, it’s yourself.”
— Sylvia Plath
E se vc voltasse?
Se a campainha tocasse
Se no meio da bagunça vc chegasse
Se importasse mais uma vez, uma única vez, a vez derradeira
E se a gente se olhasse
Limpasse as lágrimas e os destroços
E se a gente cansasse e não corresse, descansasse pro próximo dia,
Que seria só mais um dia em que a gente vivesse junto outra vez.
There is a lot of intimacy in never speaking again.
Te deixei ir. Te implorei pra me deixar. Fiz isso em pedaços, me afogando em lágrimas que você não viu.
Acordo toda madrugada, crio devaneios de mensagens, como se eu merecesse, como se eu tivesse merecido as outras sete.
Que sorte a sua ir embora.
(Some days, the road is a prayer)
Today, I remembered a laugh I had forgotten I missed.
And it made the wind feel like company instead of cold.
You don't always notice the moment when loneliness stretches out her hand and becomes something like peace.
I've written your name in frost, in dust, in spell-light meant for warming tea—
(You never liked it bitter, and now neither do I.)
There is a kind of love that doesn't ask to be held, only remembered on days the journey feels too quiet.
And I am still walking. And I am still listening. And sometimes the world answers back.
No meu trabalho existe um termo universal chamado Fashion Victim. Geralmente acontece com fashionistas que no âmbito e na pressa de estar a frente de seu tempo pegam pra si uma nova tendência, a aplicam em toda sua rotina por menor sentido que isso faça, por mais desconfortável que pareça, e no decorrer do tempo essa peça finalmente some porque não encaixa no estilo, na rotina, na trajetória de quem a estava tentando implementar. Era uma peça extraordinária, que seria extraordinária e faria sucesso em alguém que sua trajetória a coubesse, que a paleta completasse, essa peça encaixaria tão bem que nos passaria a sensação que ela sempre esteve ali, ou que foi desenvolvida para aquele espaço, momento, pessoa.
E eu acho que foi assim com voce.
Você era mais do que eu podia suportar, eu te evitei desde o começo, mas tinha tanto tanto do que eu queria, e tinha dias que eu nem queria te encontrar mas garantir uma vitrine pra te assistir, ouvir você falar, suas palavras tinham cadencia calma, e nada aqui era calmo, então eu ouvia, e era no balanço das conversas que me pareceu cabível juntar opostos na esperança que o contraste invés da repulsa se fundisse num novo espectro.
Eu disse alguns nãos pro nosso primeiro encontro, até que um dia de guarda baixa, eu não pensei em outro nome, em mais ninguém, era na cadencia da sua voz que eu precisava recuperar o ritmo da minha respiração. E como se tudo tivesse alinhado, de 300 metros da minha casa, voce estava na minha cadeira de balanço, e nao era mais só no seu ritmo que eu estava, era no seu colo, na sua mao, literal e romanticamente.
Essa semana eu tenho viagens marcadas, minhas reuniões foram um sucesso, as pessoas elogiam meu cabelo, a construção de processos que apresento, tenho total admiração da minha equipe, o maior evento fashion de sao paulo, me acha relevante o suficiente para estar presente nas pre estreias de desfiles. E eu nunca fui tão triste.
As vezes eu tento rir, como na nossa primeira semana, não acontece, mas não me desespero, tento no próximo dia, e um dia acontece.
Quando voce chegou eu tentei desesperadamente te colocar num lugar seguro, enquanto estancava vazamentos internos pra vc nao ver, minha criança interior gritando desesperada, dizendo que seriamos abandonadas de novo, que se eu te colocasse naquele pequeno espaço não machucado voce ia estragar aquilo tambem e não nos sobraria nada. Ela sabia que se abrir tinha matado a gente algumas vezes.
Nos dias seguintes eu sentia o medo entrando por cada brecha do meu pensamento, parecia uma inundação lenta, mas imparável. Lembro de sentir meu coração tão acelerado que quando olhei para baixo minha camiseta balançava no mesmo ritmo.
Todos os dias eu quis não te ver nunca mais. Até te ver, ai eu queria te ver pra sempre. Lembro de chorar algumas madrugadas, de te fotografar dormindo, de ter medo que na próxima semana voce não aparecesse. Te ter de forma absoluta me mostrava o tamanho do abismo que seria não te ter mais. A partir dai o desmoronamento foi inevitável. Tudo relacionado a você era urgente, dramático, virava uma dor física.
A essa altura estava tão exposta, e voce parecia desesperado pra me concertar, me resolver em uma semana, e eu nunca soube explicar que era muita coisa pra fazer, que não ia adiantar, que eu estaria inteira se pudesse.
Lembro de andar pelas ruas do centro e perguntar onde moraríamos, lembro de pensar em te pedir pra não ir mais embora de casa. Lembro de um dia voce ter me ligado depois de uma consulta, dizer que se sentia grato por mim, por nos. Nesse dia eu chorei em silencio por um tempo, me questionei se era assim que as pessoas felizes se sentem, eu acho que é.
Quando tudo definitivamente acabou, eu tive uma queda abrupta de peso, não tinha posição pra dormir, e tomava banho sentada no banheiro por horas, como se a dor fosse escorrer junto com a agua. Vomitei um liquido estranho algumas manhãs, era meu corpo reagindo.
Minhas menstruação veio pouquíssima, mas eu acreditei ser pela perca de peso, na gira a cigana benzeu minha barriga, me disse pra sorrir que eu ja estava dentro do meu sonho, era só minha visão embaçada. No próximo mês eu comecei a sentir fome de novo, fiquei feliz, minhas menstruaçao atrasou, mas nada preocupante. Num dia qlqr eu senti uma cólica muito forte, pensei em parar com o café gratis da empresa, achei que era gastrite.
Nesse dia, eu estava com uma saia longa e verde, e eu nunca vou esquecer de estar no elevador lotado e sentir algo lento e quente escorrendo pelas minhas pernas, me sentir fraca, andar discretamente até o banheiro, e chorar. Era um sangue escuro e viscoso, algo que eu não tinha visto ainda. No chão, na minha meia em toda parte. Eu sabia o que tinha acontecido, no fundo eu sabia. Mas não podia admitir, nem chorar, nem interromper o ciclo das coisas. Não queria pena de ninguém, muito menos a sua.
Eu nunca mais apareci na gira, eu tenho medo de ouvir a verdade, ainda que eu ja saiba. Não consigo me desvencilhar da ideia de que ela quis chegar e eu não mereci. Eu ja tinha sonhado com ela, e ela tinha sua cara e meus olhos. E eu pensava no tamanho do privilegio que seria o meu sonho parecer com o amor da minha vida.
E por fim, algo em mim terminou de quebrar, e eu nao pude mais lutar por nós. Quebrei mais uma promessa que tinha feito a você, jurei que resistiria e te mostraria que nao iria embora, mas fui porque agora nao sobrou mais nada. Desculpa aquele dia da conchinha, era meu cérebro desesperado pedindo colo, eu te contaria pessoalmente mas não queria fazer essa a razão do nosso encontro, eu estava sufocada pela minha própria dor.
Estou feliz que voce tenha seguido em frente, e sinto muito por todo resto.