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BjΓΆrk by Anton Corbijn, 1995
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Β Β Β Β Β Β Β A representaΓ§Γ£o da morte atravΓ©s do ausΓͺncia e nΓ£o do impacto: O quarto de Jacob.
Β Β Β Β Β Recentemente li e assisti resenhas sobre um dos livros da Virginia Woolf que mais me despertam curiosidade, O quarto de Jacob. Uma vez que minha interpretaΓ§Γ£o sobre a obra foi relativamente diferente, resolvi escrever esse ensaio.
Β Β Β Β Β Virginia tem essa coisa de profundidade sentimental e reflete em suas obras uma capacidade delicada para expressar atravΓ©s da linguagem as dores da alma. O quarto de Jacob, assim como Mrs.Dalloway, nos faz refletir sobre a forma que nΓ£o existem acontecimentos individuais, o mundo todo acontece ao mesmo tempo, nΓ£o existe pausa, nΓ£o existe desgraΓ§a ou milagre, a vida Γ© um conjunto de aΓ§Γ΅es vazias que sΓ³ carregam importΓ’ncia quando vistas de forma particular. A tristeza de alguΓ©m que nΓ£o conhecemos nΓ£o nos afetarΓ‘. Quando alguΓ©m que conhecemos morre, o que sobra dela? O que nΓ³s temos dela? Ou melhor, o quanto nΓ³s temos dela? SerΓ‘ que o peso da morte estΓ‘ no falecimento, na tragΓ©dia ou vem depois, na falta, na ausΓͺncia, no silΓͺncio, no quarto vazio?
Β Β Β Β A meu ver, nΓ£o Γ© atoa que ela desenvolve o Jacob desde a infΓ’ncia, mas ainda mantΓ©m uma narrativa distante, jΓ‘ a partir daΓ construindo nossa perspectiva de familiaridade e distΓ’ncia ao personagem. O livro todo tem uma atmosfera melancΓ³lica, e jΓ‘ nas primeiras pΓ‘ginas divaga sobre morte. O que me encanta nesse livro Γ© a forma que ela constrΓ³i a atmosfera da morte, pois na minha opiniΓ£o Γ© fΓ‘cil desenvolver esse tema em torno da dor, do desespero, negaΓ§Γ£o e raiva. Mas a parte silenciosa do luto Γ© difΓcil de capturar, Γ© difΓcil falar sobre a perda da essΓͺncia, da alma, sobre o silΓͺncio do morto. A perda da vida todos nΓ³s podemos ver, entender, falar sobre, o grito e o choro das pessoas que perdem alguΓ©m Γ© muito clara e objetiva.Β
Β Β βMas entΓ£o ele nΓ£o fora nada? Pergunta irrespondΓvel, pois, mesmo que o agente funerΓ‘rio nΓ£o feche rapidamente os olhos dos mortos, a luz, mais cedo ainda, se apaga neles. Primeiro. Seabrook fora parte dela; agora, um na multidΓ£o, imerso na grama, do lado Γngreme da colina, mil e uma pedras brancas, algumas oblΓquas, outras verticais, as coroas de flores deterioradas, as cruzes de estanho verde, os estreitos caminhos amarelos, os lilases que em abril fenecem sobre o muro do cemitΓ©rio, com odor de quarto de invΓ‘lido. Seabrook era tudo isso; e, quando saΓa arrepanhada, alimentando as galinhas, ela escutava o sino para uma cerimΓ΄nia ou funeral, era a voz de Seabrook - a voz dos mortos.βΒ
Β Β Γ claro que Woolf deixa pelas pΓ‘ginas suas bombas, vocΓͺ lΓͺ, fecha o livro, olha para uma parede vazia e respira fundo, esperando que a alma se realoque para voltar a leitura.Β
Β Β Talvez o problema de ser βuma leitura arrastadaβ seja a descriΓ§Γ£o minuciosa. Novamente, me encanta. Pois quando estamos melancΓ³licos o mundo parece muito maior e nΓ³s muito menores, nos expandindo. A descriΓ§Γ£o de Jacob e de como o mundo o percebe nos faz desenvolver ternura, cuidado. Para que no final sejamos assombrados pela ausΓͺncia dele? Como ele morreu? E os seus olhos βde um azul aguadoβ fecharam para sempre? TΓ£o ele, tΓ£o comum e somente humano, por que nΓ³s perdemos nossos jovens? βOs filhos que combatem pela pΓ‘triaβ E o que a pΓ‘tria faz pelos nossos jovens? Os levam, deixando seus pares de sapatos para trΓ‘s. Os seus milhares de sapatos para trΓ‘s, suas vidas, seus silΓͺncios e sobretudo o seu anonimato, sua morte em vΓ£o por guerras que eles nΓ£o comeΓ§aram.Β
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