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“It’s not what it looks like…”
era exatamente o que estava parecendo. e até mesmo para alguém como ela, que pouco compreendia dos assuntos do coração, aquilo aparentava o óbvio. precisava iniciar com o fato de que a presença de gretel tornou-se, aos poucos, convidativa, e se viu passando muito tempo com a protegida, quando ela não estava com iris, ou quando eurydice não estava treinando ou trabalhando. não saberia explicar como em uma noite qualquer acabou com esmaltes em sua unha e acessórios com mais pelo do que o cachorro de gretel, assistindo um filme sobre… patricinhas? que eram de beverly hills? não sabia como definir bem o que se passava, mas sabia que gretel poderia fazer um dissertação caso perguntasse, então preferiu evitar. eurydice estava prestes a comer um dos doces comprados para a ocasião quando, sem aviso prévio, gretel perguntou se o seu colega de equipe estava solteiro. a surpresa foi logo substituída por um sorriso como de quem acaba de receber a confirmação de algo há muito suspeitado. amor e ódio não eram opostos como tantos julgavam, eurydice lera uma vez que o oposto do amor não era o ódio, e sim a indiferença. a agente sabia a linha tenue que ambos andavam, a maneira como a linguagem corporal de ambos eram na presença do outro, e ela achava engraçado e, por isso, riu brevemente com a defensiva de gretel. —— sim, ele está solteiro. —— encostou-se novamente no sofá, agora saboreando algo mais satisfatório que os doces em seu colo. —— ele me fez a mesma pergunta uma vez, sobre você. —— ele não tinha, mas gretel não sabia, e gostaria de saber o que ela faria com tal informação.
krsaio:
[…] No final das contas, é um ótimo exercício pra fortalecer os músculos, o equilíbrio e a resistência. Também não é tão fácil quanto aparenta ser.
‘ na verdade, não aparenta ser fácil de modo algum. da para perceber o esforço feito em seu corpo para realizar os movimentos e parecer graciosa enquanto isso. eu sempre quis aprender, mas me faltou tempo para dedicação. ‘
krsathalia:
thalia tinha um tablet e uma prancheta nas mãos quando entrou na sala. no chão seu gatinho-robô Shiro andava se entrelaçando em suas pernas, quase fazendo com que a morena caísse, mas apesar disso ainda sorria para o animalzinho, que não demorou a achar um lugar para se acomodar próximo a ela. só depois de colocar o que trazia consigo em cima da mesa foi que a cientista notou que não estava sozinha ali – o que, na verdade, já deveria ser de se esperar, já que ela mesma havia convidado a pessoa em sua frente. — oh, me desculpe pela demora e pela falta de atenção, esses primeiros dias do ano estão meio… cheios. — cheios demais, na opinião de thalia, mas preferiu deixar essa parte de fora. — enfim, obrigada por ter vindo e espero que não esteja te atrapalhando em nada. prometo que vai ser rápido. eu só preciso atualizar algumas informações sobre você no banco de dados, é praxe de começo de ano. podemos começar?
—— cheio é uma maneira quase otimista de dizer. pontuou, lembrando-se dos acontecimentos de poucos dias, ou horas, era difícil entender a concepção de tempo em meio a infortúnios. quanto tempo desde a preparação para o natal? desde o baile? desde circe? não desejava estar ali naquele momento, seus pés balançavam, ansiosos — haviam alguns sintomas que nem mesmo ela poderia controlar. eurydice já traçava a rota para a sala de treinamento, onde passaria a maior parte de seu tempo assim que terminasse ali. olhando enquanto o robô mimicava movimentos felinos e objetos eram postos na mesa e focou nisto, por alguns instantes, até que a moça falou novamente. —— pode começar. ajeitou-se na cadeira, mirando novamente para coisas aleatórias que costumavam chamar sua atenção mais do que o ponto principal da cena. —— você quem criou? o gato, no caso.
krsaraven:
— Eu não acho que deveríamos estar aqui, considerando que ainda estão investigando a morte da agente nesse prédio… — Raven suspirou, sabendo que sua voz saiu um pouco trêmula. Nunca seria fácil pra ela ver qualquer agente morrer. Principalmente uma pessoa tão nova. — Que tal a gente ir pra outro lugar?
‘ eu sei, mas não consegui evitar. ela era da minha equipe. eu queria entender o que aconteceu. ‘ não conseguia ficar na mansão, onde a presença de circe ainda pairava como um fantasma na ausência de seu corpo material. seu training estava devastado, e incapazes de encarar uns aos outros, refugiando-se para lidarem com suas dores, subjetivas. ela, por exemplo, não sentia vontade de encarar as feições de “sinto muito” das pessoas. em breve as coisas voltariam ao normal, e todos esses momentos se perderiam como lágrimas na chuva. ‘ para onde? ‘ perguntou em automático, por saber que não deveria estar ali, por não saber aonde mais poderia estar.
♟: Patching up a wound ( rhea )
já deveria estar acostumada, era a voz que repetia-se como um disco arranhado que tinha em uma das residencias que ocupou com o pai em uma das rápidas estadias em um país estrangeiro. seu corpo não deveria sucumbir tão facilmente a ferimentos como se fosse a primeira vez que eram infligidos, não deveria doer tanto. entretanto, enquanto rhea limpava o ferimento, eurydice tentou ficar o mais quieta possível, ainda que seu corpo reagisse a cada queimar, mesmo não sendo de seu feitio não falar durante tais horas que passavam juntas. estava decepcionada com seu desempenho naquela missão, por um erro foi ferida, e agora estava ali repassando seus passos e tentando encontrar como deixara que um ponto seu ficasse exposto daquela forma. poderia ter pedido a enfermeiros que cuidassem daquilo, mas obteve o costume de recorrer a rhea sempre que esta estivesse disponível, por estar confortável o suficiente para isto. olhou de relance para as cicatrizes e ferimentos amarelos que logo sumiriam, e não eram motivo de vergonha, até mesmo porque eurydice gostava de contar a rhea as histórias de alguns deles, apenas para passar o tempo, e em troca ouvia tudo o que a agente tinha a dizer também. quando a pior parte passou, seu corpo naturalmente relaxou, agora prestava atenção enquanto bandagens eram enroladas em seu braço. ‘ este foi porque eu não vi a pessoa se aproximando. ’ dissera, olhando para o mais recente ferimento. ‘ estava tão focada em acertar o alvo, achei que estivesse em um lugar escondido, e não agi rápido o suficiente para sair ilesa. mas me diga, como foi seu dia? espero que melhor que o meu. ‘
“ did you really have to be that honest? ”
‘você pediu pela minha opinião, eu dei’ dera de ombros, inclinando-se para novamente observar o resultado dos experimentos culinários de seu training. iris e morpheus eram os que passavam mais tempo na cozinha, cozinhando realmente, em comparação aos outros, porém ao olhar novamente aquilo, eurydice soltou que deveriam pedir desculpas ao forno e tentar novamente, da maneira mais séria possível. era sabido sobre a persona opinativa de eurydice, ainda treinava sobre deixar alguns comentários para sim pois, como costumavam dizer, poderia machucar alguém. e realmente tentava guardar as palavras e não demonstrar agressividade, principalmente para com sua equipe, pois o trabalho em conjunto era importante. entretanto, aquela situação era deveras cômica, e tivera que abaixar a cabeça para disfarçar o sorriso. dera uma garfada naquilo que nem ao menos sabia o que deveria ser, como em um voto de confiança e desculpas silenciosas pelas palavras, surpreendendo-se pelo gosto. ‘pelo menos não está tão ruim quanto aparenta. agora só precisam treinar como não parecer um monstro de filmes.’
krsamacaria:
❝ ——— ♡. macaria amava festas, ainda mais festas tão enormes quanto aquela que antes da KRSA jamais teria sido chamada para participar ou usar roupas como a que usava agora — algo que só conseguia devido também ao enorme salário que recebia da agência, o mesmo que ela nem mesmo conseguia saber como gastar. estava tão distraída experimentando o champanhe que, provavelmente, custava ainda mais do que a casa que cresceu, que nem notou a aproximação de sua amiga até a mesma estar falando consigo e sorriu até ver o quanto ela parecia agitada. seu olhar seguiu o da outra para tentar identificar o que ela estava olhando e logo se arrependeu quando viu o olhar raivoso de sua mentora que encarava eurydice como se quisesse a matar. “ oh boy … o que você fez para a minha mentora? ” se virou então para a amiga tentando evitar o olhar de Juno. “ a festa está ótima porém eu quero saber mesmo é como posso limpar sua barra com a minha mentora considerando que ela estava te matando com um olhar. ”
❝ ––– ela está me olhando?” eurydice xingou baixo, lutando contra a curiosidade de olhar para a direção de juno e entregar-se ainda mais. ❝ ––– eu talvez tenha derrubado bebida no vestido da sua mentora. e é um talvez! eu não quis ficar por muito tempo para ver se caiu mesmo ou não. eu vou levar uma bronca daquelas... eu não ligo se me mandarem treinar mais, mas não quero sermão.” já conseguia imaginar apolo de braços cruzados olhando para ela e dando longos minutos de discursos sobre responsabilidade e atenção de forma tão tranquila que eurydice não sabia exatamente como sentir-se, ou pior, a responsável pela bronca seria a própria juno. ❝ ––– você pode me ajudar me tirando daqui, ou explicar pra ela depois que foi um acidente? eu não sei macaria, não fui preparada para esse tipo de situação.
krsaaion:
Aera teve que contar até dez mentalmente para que não utilizar o seu bom e velho golpe de judô e deixar a garota jogada no chão. — Primeiro, espaço pessoal — deu um passo para o lado e indicou o espaço entre as duas para que a outra não o desobedecesse. — Segundo, sinceramente? — Aera cruzou os braços e olhou o redor. Acabou dando de ombros, já que o monstro da ansiedade acabou a lembrando que seu namorado não estava ali e, como sempre, ela estava preocupada. A rosa em suas mãos, no entanto, a acalmou, já que aquele presente era um pouco do garoto que estava ali com ela — Eu não sei. Acho que não estou muito no clima para festas.
observou-a pela primeira vez, buscando ter cautela quanto a suas expressões para não parecer analítica o que, de fato, era algo que estava fazendo. não se moveu quando aion, pelo o que lembrava ser o codinome alheio, afastou-se. os bons modos diriam que deveria se desculpar pela sua presença abrupta, porém se limitou a inclinar levemente a cabeça para frente. tal palavra era uma das que custava a pronunciar para todas as pessoas. lembrou-se do pai e seu treinamento rígido, suas desculpas quando era acertada em um golpe era não errar da próxima vez. sua atenção foi para a rosa, mas não a olhou por muito tempo, sentia que estaria invadindo um espaço pessoal caso o fizesse. ❝ ––– notável. pelo menos este ano eles melhoraram a comida, mas não sei dizer se consigo aguentar a mariah por mais algumas horas.
krsavidel:
Apenas existia uma coisa na cabeça da tailandesa durante todo o baile e esta era: COMIDA. Desde pequenina, comida era a motivação que lhe fazia amar a [época natalina. E na KRSA o que não faltava era comida de muito boa qualidade para agradar todos os paladares. O vestido longo e cheio de rendas era verdadeiramente bonito, apesar de simples em comparação as outras agentes, mas Videl não se importava, na verdade ela não via a hora de poder correr para a casa da arvore e se acomodar em seu pijama tamanho grande.
Parada em frente a mesa do buffet, dali a junior conseguia ter uma visão da festa e rir consigo mesma dos seus mentores e colegas mais velhos bêbados e passando vergonha. Sem contar os junios que gostavam de quebrar as regras. Videl preferia ficar em seu canto, apenas tomando parte. Ate ter as bochechas cheias demais e receber um olhar estranho de uma training que ela sequer lembrava o nome. ~ - Que garota mais nojenta e chata. - ~ Dizia para si mesmo em tailandês, virando-se na direção contaria, pronta para sair dali quando sentiu Eurydice praticamente grudar em si, deixando-a confusa. ~ - O que? - ~ perguntou, mas preferiu esquecer. ~ - Pra ser sincera, não muito! Odeio usar salto! Preferia estar usando tênis, ninguém nem iria ver debaixo dessa saia toda! - ~ reclamou a menor, levantando parte da saia do vestido verde, mostrando os pes maltratados pela sandália prateada de salto e tiras finas.
as palavras de videl fizeram com que voltasse a atenção completa para a garota, olhando para baixo a fim de observar os pés que ela mostrava. uma leve risada escapou de seus lábios, não por ela, mas por compreensão. ❝ ––– você pode tirar os saltos se quiser, ninguém realmente vai notar.” apontara para o salto de sua sandália, enquanto levantara o próprio vestido, o suficiente para que videl visse que o seu também era grande, uma maneira de mostrar que a garota não estava sozinha. ❝ ––– também não estou acostumada a eles, mas podem ser utilizados como armas, é nisto que estou me apegando.” piscou como em uma confidencia, sorrindo posteriormente para evidenciar a brincadeira feita. lembrou-se então do motivo pelo qual aproximara-se de videl, a olhando de relance percebeu que a mentora conversava com alguém, provavelmente sobre o acontecido. sabia bem que evitar contanto visual não era exatamente uma técnica infalível, e sim mostrar indiferença, evitar suspeitas. avistou uma mesa no canto do salão que não precisa ter pessoas a ocupando, não havia pratos ou acessórios que poderiam pertencer a alguém, então tivera uma ideia, voltando-se para a companhia. ❝ ––– se quiser, podemos deixar seus saltos debaixo daquela mesa, acho que eles estarão seguros, e você confortável.❞
ᴇᴛʜᴇʀᴇᴀʟ…
eurydice não era dada a travessuras, por não saber bem a finalidade delas, mas acostumou-se as coisas que o training fazia, junto a outras pessoas. entretanto, não foi intencional quando acabou esbarrando na mentora juno e por saber da fama que a mentora tinha, narrado principalmente por amizades suas, eurydice não esperou para ver a reação da mulher quando o liquido caiu, nem ao menos para ver se tivera algum dano no vestido alheio. mariah carey ainda cantava no palco a mesma música, e a agente não sabia do que mais desejava escapar, se era da mentora do E ou da voz da cantora. fique tranquila, talvez ela nem tenha te reconhecido, foi o que pensara, mas era difícil perdê-la de vista com o vestido grandioso que gretel havia escolhido. acabou avistando uma pessoa no salão e, sem pensar muito, juntou-se com elx. ❝ ––– aja naturalmente. não olha, sério, não olha. vai parecer suspeito.❞ mas ela mesma olhou, voltando rapidamente a atenção para a pessoa, sorrindo levemente pra disfarçar. ❝ ––– então, gostando da festa?❞
𝕗𝕣𝕚𝕖𝕟𝕕𝕤 𝕒𝕟𝕕 𝕕𝕚𝕒𝕞𝕠𝕟𝕕𝕤
krsagretel:
Por ter crescido numa casa cheia de homens e, também, nunca ter tido muito sucesso na hora de erigir laços com as pessoas ou fazer amizades num geral, Jinjin não sabia o que era ter uma companhia feminina em sua vida. Ela idealizava relações entre meninas pelos filmes e séries que gostava de assistir, como Blair e Serena em Gossip Girl, ou Cher e Dionne em Clueless, perdendo-se em devaneios sobre como a sua vida seria mais fácil se ela pudesse contar com uma amiga mulher. Claro, ela possuía o melhor amigo, Iris, e confiava tudo a ele, mas a curiosidade em ganhar uma Allison para a sua Lydia continuava presente em seus pensamentos. E mesmo na agência secreta repleta de garotas com quem Jinjin poderia tentar criar laços, ela havia falhado com a maioria. Fosse o temperamento mimado e mesquinho, fossem as chances que não davam à ela, evitando conhecê-la melhor e a julgando de cara… Sua lista de inimigos dentro da Korea S.A. ultrapassava a de amigos — que ela contava nos dedos.
O choque quando Eurydice aceitou a ajuda dela para se arrumar na noite do baile foi grande. A sugestão veio quando a outra fora designada à escoltá-la até o Shopping, e Gretel fez com que elas parassem numa loja de vestidos, comentando sobre o baile que estaria acontecendo em alguns dias. Não esperava uma resposta da morena ao apresentar a ideia de se arrumarem juntas, mas ela veio. A fim de manter a compostura e a aparência de queixo erguido, Jinjin precisou esconder o sorriso bobo que se formou em seus lábios. Depois disso, a morena contou cada minuto até a grande noite.
A primeira coisa que Gretel fez ao chegar na mansão onde o time de Eurydice residia foi cumprimentar Iris e entregar para ele uma gravata exclusiva de presente. A segunda foi correr até o quarto da menina, pelo menos o máximo que seu condicionamento físico lhe permitia estando carregada de três bolsas e duas malas com maquiagens, acessórios, sapatos e seus trajes para o baile. — Ser fashion não é ser exagerada, querida — respondeu, pela primeira vez usando de ‘querida’ como um apelido carinhoso, pronunciado com afeição, e não em tom de deboche. Entrou no quarto da agente, atirando suas coisas pelo chão e por cima da cama. — Tudo bem, eu também não coloquei o vestido ainda. Não queria estragar a surpresa e, de qualquer modo, nós precisamos começar pelo cabelo — virou-se para a menina com um sorriso. — Vou deixar o meu solto porque fui no salão mais cedo e troquei a cor, como você deve ter percebido, né? Eu gostava do loiro, mas acho que enjoei… Enfim, o meu vai estar solto e com ondas… E o seu? O que quer fazer? — começou, tirando de dentro de uma das bolsas as escovas e o secador de cabelo cor-de-rosa sem conseguir parar de tagarelar: — Aliás, eu pensei tantas vezes nesse encontro! Agora que somos amigas e estamos nos arrumando juntas, o que é essencial para uma amizade estilo Cher e Dionne, você precisa me contar tudo! Tipo, nós deveríamos conversar sobre garotos, certo? Então, de quem você gosta? Ah, eu nunca conversei com nenhuma menina sobre garotos… Isso é empolgante!
jamais precisariam de alguém para anunciar a presença de gretel, ela já o fazia em modos, a maneira radiante e intensa, da melhor maneira possível de descrever o furacão que parecia ter adentrado o recinto. eurydice observou as coisas que ela trouxera, o barulho que fizeram de encontro ao chão de seu quarto, que agora mais parecia os resultados de uma devastação. haviam bolsas, malas, e cores, de coisas que nem ao menos sabia para que servia. ali, sentada em sua cama com as pernas postas uma acima da outra, permaneceu por alguns segundos analisando, confusa, o que estava acontecendo. sabia muito bem do estilo de vida que gretel levava, mas jamais tivera um vislumbre tão próximo de uma parcela do que aquilo era. só percebeu o cabelo da menina quando ela citou-o, antes sua atenção estava para as coisas e, agora, via que estavam negros. ❝ ––– gostei dele assim.❞ foi a unica coisa que conseguia dizer naquele instante, o loiro era bonito, pensou, mas daquela forma combinava mais com ela. eurydice ficou observando as coisas que gretel retirava da bolsa enquanto ela falava, tentando organizar as frases em sua mente. ❝ ––– cher a cantora?❞ perguntou, mesmo sabendo que provavelmente não era o caso, mas fora a unica referencia que conseguiu assimilar. ❝ ––– garotos? espera, as pessoas falam sobre isso normalmente?❞ não conseguia imaginar o que havia a falar sobre garotos, que eles existiam? que alguns lutavam bem? que outros beijavam bem? ❝ ––– oh, você está dizendo naquele sentido.❞ agora algumas peças pareciam se encaixar em sua mente, e entender alguma coisa a deixou mais animada. ❝ ––– não sei o que dizer, eu sou indiferente a maioria deles. eu gosto da companhia de alguns, e aprendi a conviver com os do meu training.❞ em sua vida não havia espaço para gostar romanticamente, nem mesmo em forma de amizade, mas este ultimo ela havia quebrado, e estava quebrando agora, novamente. balançou levemente a cabeça, como se para tirar tais pensamentos de sua mente. depois, quando estivesse sozinha, pensaria sobre isso. ❝ ––– e você? gosta de alguém?❞ perguntou, por perceber que gretel gostaria de falar sobre esses assuntos, então planejava dar-lhe corda para continuar. como uma reação tardia, lembrou-se que gretel havia perguntado sobre o penteado e ela, confusa demais, esquecera de responder. ❝ ––– você gosta de fazer isso? digo, arrumar as pessoas? você parece bem preparada.❞ questionara, um tanto quanto curiosa e admirada.
⧼ ❛ — 𝕀 𝕃𝕆𝕍𝔼 𝕐𝕆𝕌 ℙ𝕀ℕ𝔾𝔸, 𝓫𝓮𝓯𝓸𝓻𝓮 𝓽𝓱𝓮 𝓼𝓽𝓸𝓻𝓶
@krsamorpheus
buscou morpheus dentre a multidão de pessoas que se espalhavam pelo salão, um festim de cores natalinas brilhava em seus olhos, mas olhou ao redor apenas para ver se encontrava o mentor, já que estava carregando uma garrafa de bebida que não fazia parte do cardápio festivo, por ser mais forte e de consequências duvidáveis. não possuía habito de beber, odiava a sensação de estar sem controle de suas faculdades mentais, principalmente ao ser ensinada tantas vezes que deveria estar sempre atenta. seu pai odiaria aquele visão de sua filha, eurydice possuía total consciência das desaprovações paternas, e este simples pensamento fez ela parar, por alguns instantes, ponderando se deveria estar mesmo ali, participando daquela celebração sem sentido e propósito. acordou então, como em um transe, ao notar onde estava, e como estava. suspirou, por fim, usando de sua atenção retomada para buscar o amigo até, por fim, encontrá-lo. ❝ ––– eu disse que iria trazer.❞ disse ao se aproximar, mostrando a garrafa que, claramente, não era de conteúdo caro como aqueles que lá serviam. ❝ ––– o gosto não é dos melhores de primeira, mas vai melhorando. já aviso que ela é forte, será que esta preparado?❞ provocou, enquanto colocava o conteúdo em dois copos, para ambos, não encheu de primeira, deixando na metade. tocou o copo de morpheus junto ao seu, ouvindo o soar dos vidros antes de entornar o álcool, sentindo-o queimar em sua garganta. ❝ ––– mais um?❞
⧼ ❛ — 𝐊 𝐈 𝐒 𝐒 𝐖𝐈𝐓𝐇 𝐀 𝐅 𝐈 𝐒 𝐓
@krsaares
suas mãos seguravam o vestido pelo simples habito de o fazer, temia que pisasse em umas das saias e tropeçasse, já deveria estar acostumada, por isso não notou a aproximação alheia até que estivessem frente a frente. suspirou, pois sabia que já não poderia fingir que não o via, como fizera diversas vezes na mansão que compartilhavam, em resposta ao próprio comportamento de ares. odiava sentir-se daquela forma, magoada, não ocultando o desgosto em suas feições ao encará-lo pelo o que parecia ser a primeira vez em muito tempo. se mais aproximou então, livrando as mãos das vestes e, ao erguer o olhar, percebeu aonde estavam. o maldito visco de natal, logo naquele momento. eurydice sorriu ao se aproximar, como um felino, tentando ignorar o quanto aquilo era estranho, ao mesmo tempo que tão familiar, mas a raiva borbulhava, e precisava deixá-la sair. ❝ ––– temos que seguir a tradição, não é?❞ não revelou suas verdadeiras intenções até acertá-lo no rosto, com ligeira força, não o suficiente para deixar uma marca, mas esperava que doesse. esperava que ele soubesse o quão brava ela estava. ❝ ––– soube que você pode bater em uma pessoa debaixo do visco depois de ela ser um idiota.” eurydice desejava alguma explicação, mas não pediria, já não eram amigos como um dia foram. era como olhar um fantasma.