Ah, a doce e entediante tarde. Não aguento mais esse inferno, tudo aqui é tão… estupidamente calmo. É verdade, sabe, o que Lauren dizia: "uma vez que se prova o nervosismo, a calma perde o sentido". Nunca vi uma frase tão correta. Encarei o teto do meu dormitório por um bom tempo, deitada na cama com uma expressão vazia e a música em meus fones cantando alguma palhaçada sobre o amor perdido. Até… até que uma batida começou. Deus, como eu amo essa música! Eu costumava dançá-la. Sim, sim, eu sei dançar, sempre gostei. Costumava ter a mania de dançar sozinha nos finais de semana para extravasar um pouco, liberar um pouco da energia que ficava presa em mim após toda uma semana de tédio, seguindo as regras, estudando, saindo e… seguindo as regras. Após uma semana como Alice Price, uma das primeiras na chamada e a primeira na escala de melhores notas; em uma época onde Coleen era apenas o meu segundo nome, meu… segundo… nome. Merda, por quê eu fico me lembrando? O jeito que Lauren costumava pronunciar meu nome, como se fosse a última palavra que ela diria (uma razão para que eu odeie ser chamada de Alice nos dias de hoje). Onde eu estava? Ah, é, a música. Eu acabei me distraindo entre estes dolorosos pensamentos e acabei deixando a música acabar sem aproveitar dela por nem um só segundo e como se alguém estalasse o dedo na minha frente, a ideia veio: dançar. Levantei da cama rapidamente, me olhando no espelho por alguns segundos para conferir o cabelo e a roupa - como se eu me importasse com isso. Com o celular no bolso, caminhei por todo o prédio da Trinity e por todo esse lugar imenso até encontrar una sala vazia, que coincidentemente, parecia a sala de dança. Não demorei muito para os devidos alongamentos e para fechar a porta, não quero que alguém me veja…
— Um, dois… Merda, eu odeio contagem. — disse a mim mesma e sorri. É, eu sorri, só a beleza dos movimentos ritmados ou de uma paleta de tinta para abrir esse sorriso no meu rosto devido minha situação atual. Dei play na música e corri para o centro antes que ela começasse. Não tinha uma coreografia, essa era a regra: apenas dance, como naquela música maravilhosa da Lady Gaga. Logo, lá estava eu: entre um movimento e outro, sentindo a batida tomar conta do meu corpo, prevendo o ritmo e preparando os movimentos na hora. Sentindo meu coração palpitar, minha respiração ganhar ritmo e toda aquela sala ganhar um pouco mais de cor, eu por inteiro ganhando um pouco mais de cor. Parei abruptamente quando ouvi um barulho próximo e olhei para a direção da porta, ouvindo passos. Ótimo! Um idiota para fuder com a minha paz. Cruzei os braços pronta para xingar até que a pessoa tomou forma diante dos meus olhos. — O que você quer? — questionei, ainda ofegante e fui até o celular para parar a música.