oh baby, you wanna dance ‘til the sunlight cracks | bowan
— Eu não perguntei se o ducado quer que você case, Sage. Eu perguntei que você já pensou em se casar. Pensar sobre algo não precisa estar necessariamente preso à esfera da nossa triste realidade. — Era frustrante ver que Sage estava sempre tão imersa nas suas responsabilidades como conselheira de Heath. — Se você quer saber, eu sempre penso em como seria casar com alguém que eu realmente amo e quero estar junto para o resto da vida. Mas eu não consigo nem imaginar como seria isso. — Enquanto assistia à cerimônia, Ashlinn tentava se colocar no lugar das noivas, tentando compreender a sensação de estar vivendo um momento tão intenso e ainda assim querer vivê-lo com todas as forças. Enquanto Grisha e Gemma trocavam olhares e votos, Ash se imaginava sendo amada daquela forma por alguém e amando na mesma medida. Ela nunca tinha sentido nada parecido, mas sabia que definitivamente não era o que lhe aguardava ao se casar com Heath e se tornar duquesa. Ela amava sua vida como hitwizard, amava viver sua vida como bruxa, mas amava sua família e isso era a única coisa que a impedia de fugir para evitar seu futuro.
— Você não precisa se casar com um homem se não quiser. Na verdade, você não precisa fazer nada que você não queira, Sage. Eu espero que você consiga ser feliz, feliz de verdade, porque você merece. — Não sabia de onde estava vindo toda aquela sinceridade e emoção, mas Ash não tentou reprimi-la. Era conhecida por sua intempestividade e sua dureza, herdadas com orgulho da sua mãe, o que tornava difícil para as pessoas verem a Beaufort em momentos de vulnerabilidade. Era algo útil no seu trabalho como hitwizard, mas seria uma pedra no caminho para se tornar uma boa duquesa. — Dançar? Você me conhece de verdade? Sage, eu não danço bem. Eu sei manusear armas, montar estratégias de guerra, liderar um pelotão, mas dançar? Definitivamente não é minha expertise. — Ashlinn riu, contagiada pelo riso da prima que parecia estar mais feliz do que o costume. Vê-la radiante e confortável em sua própria pele era algo raro e o olhar da Ash era sempre atraído pela imagem de Sage inebriada em sua própria felicidade.
Não queria responder as perguntas, pois tudo que falaria seria “Então use esses conselhos para si.” Seriam duas hipócritas falando de um mundo de possibilidades quando ambas amavam demais seu ducado e seus parentes para fazer algo que fosse contra eles. Esperava que um dia fossem entender. Mudar de ideia, mas conforme ficavam velhos mais irracionais se tornavam. E não viam que essas brigas territorias e problemas não levavam a nada. Suspirou com um sorriso e fez algo que sempre sonhou no lugar. Os movimentos sendo guiados por pura coragem liquida. “Até parece que não teve aulas, e sua mãe ama dançar, mas tudo bem, vamos aos poucos. Eu vou te ensinar e guiar, mas só dessa vez.” E todas as vezes que você quiser, ela queria completar, mas não podia. Era um dia de contos de fadas para imaginar e sonhar. Com muito esforço para não se perder no próprio desejo e pensamento pegou o braço esguio da outra. Uma onda de pura felicidade crescendo nela conforme encaixava uma das mãos na sua cintura. “E a outra, bem aqui.” Guiando para seu ombro e estavam ali frente a frente. Ela espelhou os movimentos de Ashlinn. “Se quiser também pode colocar as mãos no meu pescoço para ser mais fácil.” Para você, pois ter as mãos de Ashlinn ao seu redor era tudo, menos fácil.
Ela se permitiu sentir a cintura contra os seus dedos, a carne queimando sobre o vestido e a mão que estava no ombro nu a entorpecia como nada mais. Ela queria tombar a cabeça nos ombros dela. Beijar algumas pequenas sardas no rosto claro, passar o polegar no nariz e beijar os cílios finos. A música que tocava fazia com que fosse fácil acompanhar o ritmo, e Sage pensou se não poderia ser sempre assim. “Sempre quis dançar com você.” Comentou já não tendo mais algum tipo de filtro que a parasse de dizer coisas assim. “Quando estavamos aprendendo e você dançava com o Heath, e eu com o Levi. Eu queria sempre que pudesse dançar com você.” E não era mentira. Ela sonhava com isso. Com a mão levandando e tocando as omoplatas. Podendo sentir ela mais próxima. O que Ashlinn faria se Sage fizesse o que mais queria? Se realizasse seus sonhos?