- No quarto. -
Stephan arqueou uma sobrancelha, percebendo como a sua voz parecia ter puxado Daphne de volta do seu mundo paralelo. Ele já havia notado antes, nos encontros que eles tiveram desde que o homem tinha se recuperado do trágico acidente, e que muitas vezes a morena passava por aqueles momentos de reflexão - e por mais que ela insistisse que não era nada de importante, a curiosidade do homem fazia com que ele desejasse ser capaz de ler mentes para saber o que ia na dela. Resolveu não insistir no assunto, porém, deixando-a livre para pensar o que quisesse em paz. — Talvez.— começou, pensativo, desviando o olhar. — Todo mundo tem uma historia de vida interessante. — deu de ombros. Passado alguns instantes de silêncio, tornou a olhar para a morena. No instante seguinte terminou sua refeição, se lembrando que ainda sentia fome. Respirou fundo. — Você acha que se todos da corte fossem benevolentes ou caridosos, o rebeldes agiriam assim ? — questionou com um sorriso no rosto. — Esquece, foi uma pergunta retórica. — concluiu, com um revirar de olhos. A conversa se enveredou por temas cotidianos, dado sua necessidade de preparar o terreno. Ser discreto ou qualquer coisa do tipo. Mas não era algo que Stephan gostava de conversa, era tudo muito monótona. Ouviu, em silêncio, cada palavra do pequeno discurso de Daphne. Ela parecia um pouco inquieta contra a cadeira confortável. Nervosa, talvez. Seus dedos longilÃneos buscaram pelos de Daphne, entrelaçando-os sutilmente conforme as palavras saÃam roucas de seus lábios carnudos. — Você não precisa ter medo enquanto tiver do meu lado. — murmurou, quase inaudivelmente. Era verdade, da mesma forma que Daphne havia cuidado dele no hospital, ele não iria medir esforços para protege-lá. A carÃcia depositada nas costas da mão feminina veio numa sutileza acompanhada pelo sorriso encantador de Stephan.
Mordeu o lábio inferior ao ouvir as palavras do rapaz e olhou para suas mãos entrelaçadas. Um sorriso sincero começou a aparecer em seu rosto ao mesmo tempo que apertou o entrelaçar de suas mãos de leve para não machuca-lo. -- Nem parece que você estava gritando feito uma menininha na hora. -- soltou uma gargalhada sem querer e bebeu mais um gole de champanhe. Não estava acostumada a beber, então provavelmente acabaria bêbada com aquela garrafa se continuasse, mas se sentia segura o suficiente para beber o quanto quisesse. Não haviam mais as regras da seleção prendendo-a naquele momento. -- Claro que era pra me imitar, mas olha, devo admitir que estava bom demais para um cara tão másculo como você, majestade. -- disse num tom brincalhão e se levantou, foi até ele e segurou sua outra mão, entrelaçando-a. -- Há um lago aqui perto do jardim. Você precisa conhecer. -- assentiu, ajudando-o a levantar mais depressa. Estava animada. Por um momento esquecera de suas cicatrizes, do quanto era importante esconde-las e da vergonha que sentia em mostra-las, porque ele já as tinha visto. Nada mais importava.











