Fingi
pode não parecer, mas vi teu cabelo crescer,
um detalhe bobo, talvez, mas eu reparei.
Reparei na marca rocheada
que bailava em teu pescoço,
deslizando sob a luz,
como um segredo que não me pertencia.
Alguém pousou ali antes que eu notasse,
alguém foi lembrança onde já fui toque.
Reparei no espaço vazio onde antes cabia a gente,
no rastro de riso que ainda ecoa,
nas coisas que não disseram adeus, só ficaram em silêncio.
E vi teu olhar
o mesmo que antes tropeçava no meu,
desviava, fugia, temia se revelar.
Agora, ele me encara, firme, desarmado.
Não sei se é indiferença ou se apenas perdeu o medo.
Se já não sou nada, ou se sou só mais alguém.
Ainda sou presença, mesmo sem ter laço,
sem nome, sem abraço,
mas entre nós, o que resta agora é só o espaço,
onde antes havia “amor”, hoje está tudo muito fragmentado.














