Maiores de 2017
escrevi sobre música tendo como base coisas magníficas que escutei em 2017 e também refleti sobre os 22 grandes discos do ano. aqui.

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Maiores de 2017
escrevi sobre música tendo como base coisas magníficas que escutei em 2017 e também refleti sobre os 22 grandes discos do ano. aqui.
Espaço destinado aos melhores de 2016
esperem
há diferentes "raças" de composições grandiosas. uma delas é essa que altera todas as coisas que estão em volta: da paisagem à geologia.
um grande exemplo está no primeiro disco da banda finlandesa finnforest, de 1975. a música é "aallon vaihto". ao escuta-la, sinto que a composição obriga o mundo a morfar, tamanha a força de suas fundações imaginativas. o mundo, porém, parece não se importar em receber o temperamento, as tintas, os relevos musicais dessa composição. o mundo troca de forma, adquirindo no entanto sua morfologia mais real e radical. seu aspecto soberano, mais visceral e importante. algo que eu descubro quando a música termina, na comparação entre o que era e o que ficou, entre o logo antes e a impressão desses 6 minutos em que tudo parece ter sido recriado.
as grandes bandas finlandesas do período (anos 70), entre elas o finnforest, conseguiram adquirir uma qualidade que chamo de magia naturalista. é como se da própria arca paisagística alienígena, da fauna e das águas nacionais, elas tivessem extraído a matéria para a música, e daí, com a música "natural", tivessem conseguido reinterpretar o mundo dos ouvintes e o mundo mesmo, onde quer que elas tocassem.
a verdade é que algumas músicas fazem isso, propõem algum tipo de mutação "ambiental", dependendo do empenho e da "filiação" imaginativa dos compositores e dos próprios ouvintes. mas não são tantas que realizam essa mesma mágica deixando um rastro de vestígios fiéis à beleza e ao bem da criação primeira, da criação em um sentido também soberano. mas é preciso ser um ouvinte dedicado e condicionado a esses percursos, deixar que eles tomem conta e mostrem o que têm que mostrar.
o mistério impronunciável e o tecido temporal "restaurado" (no caso a inglaterra das antigas histórias, os campos verdes que se fizeram cenários para jornadas de cavalaria e de fantasia) constituem o corpo fundamental da música do gentle giant. é uma vontade de oferecer ao mundo naquele ponto uma criação absolutamente alienígena, assim como eram alienígenas as corporificações de gamas pessoais de imaginação sobre a inglaterra mágica transmitida geração à geração. tudo isso está nas vozes e na própria harmonia, está solto pela atmosfera de cada disco até "interview". está dentro dos sons e fluindo pelas gravações.
aquela floresta que para mim se mostra encantada em duas etapas. na primeira, conta perfeitamente a história de um tempo e um momento, de modo que ela, a partir de certo ponto, não "conta" mais nada realmente, ela de fato É. na segunda, essa floresta tece, desde os caminhos interiores da escuta, da exploração contemplativa e da imaginação, um tempo e um momento que nem existem ainda. essa floresta é tanto a pintura do americano do século 19 martin johnson heade quanto esta música fabular do gentle giant, uma das mais esplendorosas canções do disco "free hand", de 1975.
o mistério impronunciável; a tarde divertida e dividida entre duas crianças que se aventuraram para depois do quintal. esses dois espectros pertencem ao próprio mistério das obras. e adormecem nos cômodos da emoção humana de forma simultânea ou consequentemente a um esforço imaginativo genuíno.
uma das maiores de todos os tempos. quando a banda de eberhard weber chega ao tema central da música ali no meio é como se, depois das muitas pinceladas constitutivas que organizam o cenário, encontrasse e desse vida a esse mundo florestal enigmático da capa. mas é também como se, além do bosque peculiar, alcançasse a razão primeira da música, uma profundidade que por si só é capaz de perfurar e aprofundar a alma de um ouvinte dedicado com bosques cuja existência ele nem sequer imaginaria. talvez seja impossível realizar uma obra tão arborizada fora do continente das árvores e da primazia da natureza.
essa música do semi-obscuro Ph.D (dono desse único hit) gravada em 1982 vem tocando nos lugares pelos quais a minha vida anda desde que nasci mais ou menos. sempre soube que gostava da canção, uma síntese sem igual entre as possibilidades musicais mais bonitas do rock prog e do aor britânicos.
porém foi outro dia que os versos do refrão me invadiram de forma inesperada e aguda. seriamente portanto. um dos clássicos dos anos 80 sempre foi um clássico para mim, mas posso dizer que só o conheço agora. esse tipo de coisa é muito comum quando falo das grandes composições.
a cadência e a sonoridade dos sintetizadores trazem alguma coisa marítima, que certamente resvala em férias e verões litorâneos que eu mesmo conheci na infância. a união disso que a música necessariamente é com aquilo que inegociavelmente sou e trago, ou seja, esse território íntimo intransmissível, cria uma dimensão fantasma que se amplia a cada nova vida minha, a cada tempo que se inaugura e se conclui.
esse espectro progressivo, essa ligação que tem desdobramentos pelo tempo, no entanto não se acaba na minha experiência com a música. não termina ali. cada pessoa que é tocada por ela por meio da minha intervenção, desse "testemunho", é credenciada a participar do mesmo laço, ainda que não em sua totalidade. conhece e acessa pelo menos uma parte desse jardim criado e em permanente construção que se arquitetou e vem sido plantado desde meus primeiros contatos com ela no guarujá em algum janeiro remoto, progredindo, como a própria música, em uma dinâmica em um só tempo nostálgica (desde aquele momento) e solar. essa transmissão imaginativa é uma das propriedades mágicas da música quando a vivenciamos como algo importante, primordial.
é possível dizer também que o mar, e tudo aquilo que se molda pela engenharia imaginativa marítima, leva a traz; e de repente o que ele traz é um contato profundo com uma música, que estava me aguardando sem pressa pois a grande música sempre tem dentro dela o que é análogo à eternidade.
quem não entende a densidade do vibratão do my bloody (aquela desafinada que dá às vezes) pode continuar lendo o aristóteles que quiser, o melhor lavelle da prateleira, fazer o curso de "filosofia e obtenção do conhecimento" (mesmo o musical) mais rigoroso da praça, e ainda assim vai continuar não entendendo nada- e, pior, falando com aquela imponência dos medíocres cada vez mais ampliada quanto maior for o número de obras teóricas (técnicas) do sentimento humano tragadas. quando falo do "entender", não me refiro ao que ela representa exatamente (a ondulação, a queda, a flutuação vital, a humanidade, etc), sendo isso secundário. e sim à capacidade de tomar aquela força brutal como uma parte da própria vida.
o cinema não é a arte das "imagens" e dos "planos" como gostam os formalistas mais fúteis e entusiastas do cinema como uma espécie de brinquedinho estético para fariseus.
o cinema é a arte que dá às histórias constituição viva, realiza com concretude total as aventuras da humanidade (e isso deve definir o cinema e tudo o que é cinema, séries de tv por exemplo, e as maiores estão sendo feitas agora mesmo). é, por isso mesmo, a arte das densidades libertas, puras e fundamentais. da densidade dos encontros humanos.
da mesma forma, a grande música é a realização quase tocável de um tecido extraterreno, deslumbrante, que a rigor não pertenceria à "realidade", e que por isso mesmo JAMAIS iremos conseguir definir completamente. não é a arte de meras formalidades VISÍVEIS como a letra poética, ou de invisibilidades auxiliares como a harmonia, o som, o ritmo ou a produção que une esses elementos.
tais coisas, quando enredadas, são concretização de algo que DESCONHECEMOS e que eventualmente se dá a animar, receber e completar o espírito de coisas que CONHECEMOS (uma cidade, um clima, uma cidade e um clima, um caminhar noturno, um passeio).
nos anos 60 e 70 do século XX tudo isso ficou perfeitamente óbvio, cristalino. a grande música, com brian wilson, billy joel, don fagen, rupert holmes, john lennon, tornou-se auto-evidente em sua vocação. saiu gloriosamente do domínio cerebral, das matemáticas formais, e passou a habitar uma ponte até então não vislumbrada entre o coração e a imaginação humana, que das técnicas de produção amplas propiciadas pelo desenvolvimento tecnológico extraiu o que precisava para se firmar dominante.
o analfabeto rústico não compreende o que lê; o analfabeto mais ao estilo brasileiro (patologicamente inferiorizado) fica chamando ator de cinema de "beautiful people" a serviço do projeto erosivo do "comunismo".
o analfabeto verdadeiro, o mais puro analfabeto, confunde magnitude musical com o mero registro sonoro de uma orquestra (ou seja, com o supérfluo) e o faz de forma que é pateticamente condescendente ("óbvio que beethoven é maior que os beatles, embora eles tenham também seu valor").
o analfabeto terminal pensa que o que é bom é uma forma rigorosamente exata, seja na construção ou na destruição, e não uma imaginação fluentemente, elasticamente, rigorosa. isso vale fora e além da música também. esse analfabeto de grau calamitoso é acima de tudo um fariseu condenado, vagando pelo mundo sem conseguir sentir lá muita coisa além de uma certa atração pelo que é falso e aparente.
***
mais dramático do que só amar a feiura é só se comover com a aparência de beleza.
a exaltação da estética "religiosa" contra o que seria uma suposta "má estética" pop/ industrial/ moderna é o fosso da alienação imaginativa. a deformação de gosto (por mais pomposo que pareça o processo mental que origina essa deformação) que se sofre por um apego à superfície da criação, à aparência de beleza, à beleza pré-gravada na “consciência universal”, um tipo de carcaça da beleza como se programada desde o início como um conjunto habitacional das sensibilidades ditas superiores (embora programados sejam os que buscam roboticamente os rastros dessa beleza canônica).
contra isso recuperei esses dias uma musicaça de segredos resplandescentes e uma beleza que vai se injetando ao longo da escuta.
***
não existe uma oposição, uma dessincronia fundamental, entre técnica e imaginação. a imaginação é a técnica real. e há uma primazia dela sobre as consagrações formais, a "limpeza", a excelsa visão "clássica", etc. isso deve estar na aula 1 ou 2 do cliirm. assim como também "o que é imaginação musical", que nada tem a ver com o que um cretino forjado nas aparências de musicalidade deve pensar que é.
uma boa forma de começar a estragar (e dominar) uma alma é dizer que uma música como esta é derivação "popular" e "menor" (vulgar) da música de bach. o veneno dos "estudos clássicos" destina-se ao objetivo da dominação caprichosa de almas por meio de sua destruição, não menos, nem mais.
além do que ela já é e das qualidades óbvias que a definem- a notar essa harmonização deslumbrante de várias inspirações e movimentos musicais que concorrem-, esta é sem dúvida uma música que sugere ao brasileirinho patológico que fica falando "make america great again" e "ocidente" comer a sua própria mão gerando impossibilidade de digitar e possivelmente infecção terminal. se há alguma grandeza na américa, é esta. ela eclode de um certo túnel submerso por qual certos mistérios confluem, e cuja bifurcação (são algumas bifurcações na verdade) dá em alguma galeria subterrânea em madureira, no rio de janeiro.
ainda pensando em bifurcações, eu pensei que o recorte da base, o sample, viesse daqui https://www.youtube.com/watch?v=75VrTkXVTIw . não vem, mas vem de algo parecido. de uma mesma trilha litorânea que em algum momento desemboca em uma praia lateral.
essa música do narada michael walden é um exemplo perfeito de um tipo de construção dominada por mestres da musicalidade. um entorno medíocre, até meio genérico, aguardando um refrão que arremessa a música para sua dimensão real. é ele, sua chegada em contraposição com o primeiro entorno, que nos permite o voo até alguma coisa parecida com uma manhã de trabalho na san francisco de 1978.
mas o ponto exato é um detalhe. não importa exatamente onde vamos parar, e sim o generoso deslocamento que a música proporciona, sendo esse movimento vital o ponto comum entre todas as grandes manifestações da criatividade humana.
e como ela proporciona esse deslocamento? com a força imaginativa e emocional de um compositor comprometido com a dimensão da imaginação e das emoções. o domínio da estrutura aliás também é um detalhe, uma ferramenta. enxergar a vida que corre transparentemente por trás das possibilidades de estrutura e que contagiará nossa própria vida é o que pode fazer de uma música grande música. um artista, aliás, faz é só isso. é este seu único "ofício".
a ideia da grande música como algo de caráter eterno vem na forma de pequenas descobertas e pequenas analogias apreendidas. analogias palpáveis da própria eternidade. por exemplo, querer que "don't talk" viva para sempre não só no universo, mas nas moradas do coração, e intuir que há chance, e que o mais provável e óbvio é que isso aconteça mesmo. notar que o tempo é análogo ao que é concreto, e que uma música como essa se desdobra nos tecidos de concretude de um outro mundo que não é certamente a concretude desse. ou seja, tem uma concretude alienígena e não se desdobra também NESTE tempo. ou principalmente e mais simples: perceber, depois de 25 anos, depois de um terço de uma vida transcorrido, que "caroline no" é uma das maiores, se não a maior, música do pet sounds. verdades que não dependem do meu tempo ou mesmo do próprio tempo
essa música do semi-obscuro Ph.D (dono desse único hit) gravada em 1982 vem tocando nos lugares pelos quais a minha vida anda desde que nasci mais ou menos. sempre soube que gostava da canção, uma síntese sem igual entre as possibilidades musicais mais bonitas do rock prog e do aor britânicos.
porém foi outro dia que os versos do refrão me invadiram de forma inesperada e aguda. seriamente portanto. um dos clássicos dos anos 80 sempre foi um clássico para mim, mas posso dizer que só o conheço agora. esse tipo de coisa é muito comum quando falo das grandes composições.
a cadência e a sonoridade dos sintetizadores trazem alguma coisa marítima, que certamente resvala em férias e verões litorâneos que eu mesmo conheci na infância. a união disso que a música necessariamente é com aquilo que inegociavelmente sou e trago, ou seja, esse território íntimo intransmissível, cria uma dimensão fantasma que se amplia a cada nova vida minha, a cada tempo que se inaugura e se conclui.
esse espectro progressivo, essa ligação que tem desdobramentos pelo tempo, no entanto não se acaba na minha experiência com a música. não termina ali. cada pessoa que é tocada por ela por meio da minha intervenção, desse "testemunho", é credenciada a participar do mesmo laço, ainda que não em sua totalidade. conhece e acessa pelo menos uma parte desse jardim criado e em permanente construção que se arquitetou e vem sido plantado desde meus primeiros contatos com ela no guarujá em algum janeiro remoto, progredindo, como a própria música, em uma dinâmica em um só tempo nostálgica (desde aquele momento) e solar. essa transmissão imaginativa é uma das propriedades mágicas da música quando a vivenciamos como algo importante, primordial.
é possível dizer também que o mar, e tudo aquilo que se molda pela engenharia imaginativa marítima, leva a traz; e de repente o que ele traz é um contato profundo com uma música, que estava me aguardando sem pressa pois a grande música sempre tem dentro dela o que é análogo à eternidade.
o que seria "futurismo"? futurismo pode ser um arranjo de linguagem que remeta e se utilize de uma imaginação tecnológica, apetrechada e deslumbrante. um esquema de visões artísticas que se volta a elementos que ainda estão por acontecer, ou que aparentam ainda estar por acontecer, soando assim extraterrenos. para mim não existe futurismo e nenhum outro desses similares sem a diferenciação fundamental: grande ou não.
grande futurismo ou o contrário. o contrário seria a mera linguagem ali se expondo, se colocando extravagantemente. um monte de códigos de "futurismo" buscando se impregnar que nem pó grudento e sem substância no nosso ambiente de percepções.
o "grande futurismo" é aquilo que, com os apetrechos da linguagem como apetrechos que são, parece permitir ao ouvinte contemplar uma espécie de tempo exterior além de sua própria vida conhecida e também parece injetar nesse mesmo ouvinte um campo de imaginações ainda a ser habitado.
em seu melhor o narada michael walden, dessa canção de cima, é um grande artista do futurismo.
esse texto reúne algumas reflexões recentes sobre arte e as confusões que permeiam o pensamento sobre a arte.
***
o temperamento da arte é da mesma espécie daquele que rege o mundo e que é a chave de sua criação. ou seja, também impera na arte uma costura sutil entre amor, transmissão e fecundidade. de modo que a ficção que não inflama os sensíveis e imaginativos com a vontade de fazer ficção não é ficção. e a música que não conduz os sensíveis e imaginativos a musicar -e com isso criar o tecido fantasma que acompanha outras ficções e a vida- não é música.
a moralidade que existe e percorre a arte portanto tem a ver com isso, com presentear o mundo e as pessoas com o que está e ao mesmo tempo não está ainda dentro delas, presentea-las com algo estranhamente familiar e espantoso; tem a ver com a perpetuação de uma alma e com o nascimento de uma imaginação, com esse tipo de fecundidade amorosa. nada a ver com ler um livro e curvar-se perante seu "estilo gramatical elevado" ou usa-lo simplesmente para "julgar e observar melhor as situações".
os entusiastas clássicos com seus conceitinhos de moralidade e "preservação humana", com seu bichismo estilístico aristocrático e chancelado por simbolismos "elevados", não tocam nem a ponta do que significa realmente uma preservação.
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ao temperamento se alia uma outra coisa que gosto de deslocar para um território mais visível e chamar então de “altitude”.
a altitude da arte, ou seja, sua forma maior, sua altura “metafísica”, está num espaço de fenda, em uma zona morta; em uma região indefinida em que se encontram todos os tipos de experiência pertencentes a uma vida e a um imaginário. a beleza portanto é a beleza em meio a uma infinitude de possíveis imperfeições, modulações, quedas e oscilações próprias da imensidão humana. a beleza nas artes da narração por exemplo muitas vezes é capturada quando se encontra a nitidez em formular e transmitir essa mesma geografia imperfeita na existência dos personagens. quando a arte conseguiu isso conseguiu também sua verdadeira emancipação.
a atitude (sem o “l”) classicista em geral e principalmente quando instalada na escuta é uma atitude infantilizada na medida em que não chega perto disso e busca, impotentemente, abraçar um tipo de perfeição mecânica, que em tudo é encalhada, presa, turva; uma perfeição que encontra eco nos carentes de ordenamento rígido e nos mal vividos. naqueles que não estão exatamente dispostos a vivenciar um sentido de altitude que transgrida a gramática e que seja governado sempre por uma “inteligência moduladora”.
a clave das modulações possíveis é extensa e a modulação pode ser de diversos tipos. não vou detalha-los no momento. o que cada um deles tem em comum no entanto é o fato de estar subordinados à fabricação de um cenário mágico e interior ao ouvinte, que só pode ser aprofundado, alargado, descoberto conforme for a fome de profundidade do próprio ouvinte. algumas músicas parecem gritar o “estado puro da modulação” e da magia a se aprofundar em uma escuta generosa. uma delas está encadeada nas imagens da abertura da série “fantastic journey”, de 1977, e convida a um “air-drumming” nervoso. percebam como a bateria vai ganhando vida e modulando contagiada, inflamada pela explosão harmônica concorrente no desenvolvimento dessa composição.
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quem confunde valor artístico com índices imediatos de beleza e ordenamento material (métrica, violino, "arte sacra", "consoantes e polissílabos") sofre do verdadeiro analfabetismo.