Hoje acordei com a notícia de que a Sol, uma garota de 16 anos que estudava na minha antiga escola, morreu. Ela tinha câncer. Um baque e tanto, já que ontem a tia de uma amiga também havia falecido. O destino é mesmo hilário (destino, acaso, sei lá como preferem chamar essa força louca que faz o mundo girar e decide tirar pessoas assim: “do nada” das nossas vidas). É engraçado, (não encontrei palavra melhor, mas não, não é no bom sentido), é engraçado porque a Sol estava doente há um ano e, de certa forma, muitos já sabiam que ela poderia não aguentar, já a tia dessa minha amiga ficou mal do nada, mas mesmo assim, me choca mais a morte da Sol. Quando uma pessoa mais velha morre não sofremos tanto com a ideia. Mas uma adolescente de 16 anos... Pode parecer rude da minha parte falar, mas é uma puta injustiça. Uma pessoa mais velha, com seus 50, 60 anos, já viveu pra caralho (meu vocabulário anda meio baixo, eu sei). Meio século já dá para fazer muita coisa. Com toda certeza já deu para construir uma família, estudar, trabalhar, farrear, ter filhos. Agora 16 anos? 16 anos mal dá para decidir qual faculdade queremos fazer. Ver uma garota indo embora assim, como se estivesse pegando um trem para lugar nenhum e saindo de vez da vida de todos. É cruel. Quando saio com meus amigos para beber e me drogar, sinto uma culpa enorme. É injusto eu poder aproveitar meus anos de ouro, pois pra mim, ao contrário do que dizem, os anos de ouro é a juventude, a melhor fase das nossas vidas. Devia haver uma lei universal proibindo a morte de jovens, jovens não morrem de câncer, jovens se drogam, enchem a cara e fazem tudo de imprudente que nossos pais nos recomendam a não fazer. Porque mesmo dirigindo sobre o efeito de drogas, nosso anjo da guarda nos protege. Não sou religiosa e muito menos acredito em tudo isso que falam, mas tia Rê sempre dizia que nossos anjos nos protegiam. E era assim que tinha que ser. Não deveríamos morrer aos 16. Temos muito o que fazer ainda. Temos muitos amores para suspirar e chorar tomando um pote de sorvete assistindo comédia romântica ou ouvindo Los Hermanos, temos que perder a inocência, a virgindade, vomitar no banheiro de uma festa, temos muitos beijos para dar, paus para chupar (mais uma vez, desculpem o vocabulário), transas fantásticas e outras não tão boas assim para fazer em lugares que nunca imaginaríamos, temos filhos e uma família para construir, temos que ter a opção de nos formar, de nos tornamos profissionais. Ainda temos muitos motivos para brigar com nossos pais, motivos pelos quais ainda choraremos nos túmulos deles. Mas esse é o normal: temos que chorar a morte de nossos pais, não o contrário. Mas o tempo é mesmo sinistro, faz o que quer e quando quer. É ele quem decide quando vamos morrer, pode ser daqui um século ou dois dias. E é assim que termino esse texto/crônica/desabafo/lágrimas, sem final feliz, sem luz, sem Sol.