É necessário explicar, antes de mais nada, como surgiram todas essas lembranças. Nada recordo sobre datas exatas, horas exatas, momentos exatos. Mas tenho uma caixa, bem bonita, onde guardo coisas que um dia ajudarão minha memória ruim - péssima, eu diria - e se reescrever.
A abri e entre os pequenos fragmentos de ontens, encontravam-se seus "correios-elegantes" e um recadinho que me mandou numa folha de caderno quando ainda estávamos no colégio.
Vieram algumas horas de reflexão, alguns acordes definhados no meu violão triste e algumas palavras balbuciadas ao nada.
Meu quarto tem uma luminária vermelha que dramatiza tudo. Eu dramatizo tudo. Gostaria de explicar melhor do que se trata toda essa coisa sobre você, apenas não encontro palavras exatas. Percebo que nada (nada!) entre nós é exato. E que com o passar do tempo, minha maneira de dominar as palavras também acabou por se corromper.
A caixa foi quem te trouxe de volta. Você respondeu dizendo que eu podia te prender, te obrigar a ficar. Posso?
Me pergunto se também guarda alguma coisa minha.
Porque eu...
Eu te guardo inteiro.