Se a vida é uma flor destinada a murchar, desejo que a minha floresça como fogos de artifícios.

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@platter-naughty-fun
Se a vida é uma flor destinada a murchar, desejo que a minha floresça como fogos de artifícios.
A Thousand Years
Há amores que chegam cedo demais.
Tão cedo que o mundo ainda não sabe como permitir que permaneçam.
E talvez tenha sido isso conosco.
Você foi meu primeiro amor, e eu fui o seu. Duas almas ainda imaturas tentando entender por que o coração conseguia sentir algo tão infinito dentro de vidas tão pequenas.
Então a vida veio.
Com suas distâncias, seus silêncios, seus anos atravessados no meio do caminho como oceanos impossíveis de atravessar.
E nós nos perdemos.
Ou pelo menos era isso que parecia.
Porque existem pessoas que nunca vão embora completamente.
O tempo pode afastar corpos, mudar rostos, destruir rotinas, fazer nascer novas dores, novas versões de quem fomos… mas há amores que permanecem escondidos em algum lugar intocável da alma.
E durante todos aqueles anos, mesmo sem você, havia partes minhas que ainda pertenciam silenciosamente à lembrança do que fomos.
É estranho pensar nisso agora.
Como duas pessoas podem viver vidas inteiras, atravessar o mundo, se perderem tantas vezes, e ainda assim carregarem dentro do peito o mesmo lugar de retorno?
Talvez porque certos amores não acabam.
Eles apenas esperam.
Esperam o tempo amadurecer as dores, esperam o orgulho cansar, esperam a vida ensinar o valor de alguém que um dia foi casa.
E então, quando tudo finalmente se alinha, o universo devolve um ao outro aqueles que nunca deixaram de se reconhecer.
Talvez seja verdade: aqueles que estão destinados a ficar juntos primeiro são separados pela vida.
Porque alguns amores precisam sobreviver à ausência para entenderem que nasceram para permanecer.
— J.P.
Banquete dos Abutres
“Ao mero rumor da minha morte, os que dançariam sobre meu túmulo vêm em bando como cães famintos.” É estranho perceber como algumas pessoas aguardam nossa queda com a mesma ansiedade de quem espera o amanhecer. Não porque as machucamos, mas porque nossa existência incomoda silenciosamente aquilo que elas nunca conseguiram ser. E então aparecem. Uma a uma. Com olhos brilhando de crueldade disfarçada, rondando os restos antes mesmo do corpo esfriar. Há gente que ama funerais não pela dor da perda, mas pelo prazer perverso de finalmente nos verem pequenos. São os mesmos que sorriam sem verdade, que aplaudiam com inveja nas mãos, e que transformariam minha ausência em banquete. Como cães famintos, não pela carne, mas pela satisfação de assistir alguém deixar de resistir. Mas existe algo que eles ignoram: algumas almas sobrevivem até na própria ruína. Porque há pessoas que mesmo destruídas ainda assombram aqueles que desejaram vê-las cair. E talvez seja esse o maior desespero deles: perceber que nem a minha morte seria suficiente para me apagar.
— J.P.
Por Enquanto
“Preciso que você seja meu escudo por enquanto.” Porque o mundo tem pesado demais sobre os meus ombros. E eu finjo força enquanto desmorono em silêncio por dentro. Há batalhas acontecendo em mim que ninguém percebe, tempestades escondidas atrás de respostas curtas e sorrisos cansados. Então fica. Mesmo que seja só por agora. Mesmo que você não saiba como juntar os pedaços que a vida espalhou em mim. Não preciso que resolva tudo. Só preciso que permaneça quando eu não conseguir me sustentar sozinho. Preciso que seja abrigo quando o medo me atravessar, e silêncio quando minhas dores não couberem em palavras. Porque existem noites em que o coração cansa tanto que tudo o que ele deseja é encontrar alguém capaz de dizer: “descansa… eu protejo você daqui.”
— J.P.
Breves
“Diante de uma vida efêmera, até o trono do soberano supremo não passa de vaidade.” O tempo não se curva ao ouro, nem se impressiona com coroas. Os impérios que hoje parecem eternos amanhã serão apenas ruínas descansando sob a poeira da memória. O homem ergue palácios tentando vencer o inevitável, como se pudesse aprisionar o infinito entre as próprias mãos. Mas os dias escapam silenciosamente, um a um, lembrando que tudo passa. A fama envelhece. O poder vacila. E até os nomes mais temidos acabam dissolvidos no vento, como folhas secas no fim do outono. No fim, resta apenas aquilo que o orgulho nunca conseguiu comprar: os afetos sinceros, a paz da consciência, e a humildade de reconhecer o quanto somos breves. Porque diante da eternidade, o rei e o homem simples dividem o mesmo destino: tornar-se memória no coração do tempo.
— J.P.
A saudade é uma lua distante,
brilhando forte no peito escuro.
É luz que fere e consola ao mesmo tempo,
metade presença, metade vazio.
Ela chega silenciosa,
mas ocupa todos os cantos —
acende memórias que a gente guardou
como quem guarda fotografias no vento.
Saudade é abraço que não se fecha,
rua que ainda sabe o caminho,
voz que ecoa mesmo quando o mundo
resolve falar baixinho.
É sentir falta e, ainda assim, sentir perto.
É sofrer bonito — porque houve amor.
É provar que certas pessoas
não cabem no tempo,
mas cabem para sempre
dentro de nós.
Diário – Reflexão sobre o que desperta em mim
Hoje, depois da consulta, fiquei pensando naquela frase do Jung:
“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.”
Ainda não sei bem o que ela significa pra mim… mas decidi escrever.
Talvez, por tanto tempo, eu tenha olhado o mundo — as luzes, os caminhos, os rostos, os sonhos espalhados.
Talvez eu tenha buscado sentido nas coisas de fora, na pressa dos dias, nas expectativas dos outros.
E nisso, eu sonhei.
Sonhei com quem deveria ser, com o que esperavam de mim, com o amor certo, o sucesso certo, o jeito “certo” de existir.
Sonhei com o amanhã, enquanto o hoje tentava me mostrar algo.
Mas agora, sinto que algo virou. É como se eu tivesse acendido uma lanterna por dentro.
Aqui dentro não tem palco, nem plateia.
Só eu — inteira, imperfeita, real.
E nesse silêncio, eu começo a me escutar.
Os medos que eu nem sabia nomear.
As forças que eu deixei de lado.
As perguntas que sempre estiveram aqui, só esperando coragem.
É nesse espaço que o sonho vira despertar. Não porque o mundo de fora perdeu o brilho, mas porque agora eu olho com meus próprios olhos.
Olhos que sabem quem sou — ou que, pelo menos, estão tentando descobrir.
Então, sigo.
Sem pressa. Sem precisar saber tudo agora.
Só com presença.
Olho pra dentro.
E, devagar, eu desperto.
– Eu mesma, em processo 🌙
Até a noite escura tem a própria luz.
A vida é uma mistura de todos os gêneros. Que gênero foi seu dia hoje? Comédia romântica? Uma fantasia estranha mas bonita? Um melodrama triste?
Eu vou cada vez mais longe. Não sei onde é mais distante.
A cultura tornou este país vazio e bruto. Os políticos não passam de traidores e os jovens estudantes espalharam-se pelo país, após perderem o objetivo.
que as suas cicatrizes te lembrem de tudo que você já superou.
cr.
tem dias que eu deixo de existir, para tentar sobreviver.
Existe muita coisa dentro da gente, coisas que ninguém consegue ver. Coisas que não contamos a ninguém. Coisas que queríamos esquecer, que não queríamos que ninguém soubesse. Coisas que queríamos nunca ter vivido…
Kiana Fermi
[eu já fui mil versões de mim mesmo pra tentar fugir do abismo que sou]
Tem sido dias difíceis e sombrios para mim, noites mal dormidas, minha mente está muito agitada, quase não consigo respirar, estou aos pedaços, tentando juntá-los para não cair, estou tentando dar o melhor de mim para não desistir de tudo, tentando me encontrar no meu mundo para este mundo, as lágrimas escorrem no meu rosto ao escurecer do dia, me perdoe por não estar conseguindo dar o meu melhor, mas estou tentando sobreviver por dentro, estou perdida nos meus pensamentos e a minha mente vagueia por aí sem rumo. Espero que no final desses dias, eu consiga me reerguer novamente e ficar em paz.