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O silêncio é meu som preferido.
Esteban Maroto
Esteban Maroto
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riio
Andando pelos cais do rio de janeiro eu sentia a bossa nova correr pelas minhas veias, senti que eu e essa cidade fazíamos parte de um só, vendo a baia de Guanabara refletir aquele sol quente em sua água turva, deixada de lado, eu me sentia pedaço de fruto das origens de seu nascimento. O rio novo talvez sempre fosse o mesmo rio, os turistas olhando uma cidade que não existe talvez fosse mais antigo que minha própria existência (talvez nada, eu sei que é).
Andando pelo píer de madeiras desgastadas com minha bolsa de feira com o rosto de Janis Joplin estampado em branco e prata eu percebia que eu não queria estar em nenhum outro lugar se não ali, histórias que não vivi, mas que senti tomou conta dos meus pensamentos; meus olhos cerrados por conta do sol quente das 12h me faziam olhar de forma doída aquele rio carente de memória não só afetiva, quando fomos que perdemos a bossa nova de nosso sangue? Demos de graça para aqueles que só nos querem de vez em quando? Me perguntava o por que em uma cidade tão rica, rica de dor, sofrimento, de abandono, guerras e desamores estava se desvinculando daquilo que te dava suporte. A felicidade do que o samba nos traz invadia minha pele junto com esse amor que se perdeu e lembranças de uma vida que já foi, me preenchia o riso na esperança de inventar um novo amor; eu distraída observando os edifícios do lado daquela paisagem senti um toque em minhas mãos, e aquele momento pareciam horas de afeto, eu não queria outra companhia se não ela para olhar as pessoas desatentas, sentir o sol quente na pele vendo aquele azul se tornar mais azul. Inconformar juntas aqueles ricos brancos a frente de uma pequena criança deitada sobre seus dejetos... Como pode tanto sofrimento e felicidade, tanta riqueza e pobreza no mesmo metro quadrado? Não nos fechamos os olhos. O dualismo do rio e o desfeito sobre o mesmo me faz perguntar se somos cegos, gostamos de ser, ou somos necessitados de tanto escapismo para não enlouquecermos. Ouvindo aquelas risadas pela Mauá, vendo as pessoas com aquele sorriso amarelo carioca eu sentia liberdade, não sei se equivoco ou uma liberdade sem definição, mas eu me seria livre, abraçada pela mãe natureza que pedia perdão; meu amor pelo rio se mostrou genuíno, um amor que quis ser diferente, mas ama do jeito que é, essa cidade confusa, incompreendida que vai querendo tanto ficar, que vira marionete e chora escondido, tem meu coração, Clarice já dizia que é somando as incompreensões que se ama verdadeiramente, e meu coração bate forte pelo seu som.
Julian and Regina on the inside cover of Reptilla/Modern Girls & Old Fashioned Men single CD
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