Fazia algumas semanas que Ross não terminar de escrever uma música. Ele sabia que isso não era tão preocupante assim, mas não conseguia evitar de pensar o pior sempre. Mesmo tentando ao máximo evitar ser dramático ou qualquer outra coisa do tipo no fundo Ross acreditava fielmente que nunca mais conseguiria escrever uma música e que sua carreira como músico tinha acabado.
Após algum tempo olhando para seu caderno, um de papel que ganhou da pai a muito tempo, ele resolveu que precisaria de ajuda para conseguir sua inspiração de volta e poder voltar a ter sua carreira. Pegou sua guitarra e seu caderno e resolveu ir até a casa de Hermes. Sabia que poderia contar com ele para o ajudar.
Enquanto caminhava para encontrar o amigo ele resolveu que seria inteligente mandar uma mensagem o avisando que estava indo. “Eu to indo para sua casa, é bom você estar ai. Estou no meio da morte da minha carreira”, ele enviou com um leve sorriso no rosto. Sem demorar mais muito em sua caminhada logo chegou na porta do outro e bateu esperando ser atendido.
– ( ♥ ) Fazia alguns meses que Hermes não tinha um dia de folga. Por mais que não tivesse de comparecer todos os dias na máfia, onde seus serviços de ponta nem sempre eram tão requisitados (mas quando eram, a urgência com sua pontualidade era de outro mundo), o loiro passava mais noites que qualquer outro dançarino comum no Rose Club. Para alguns de lá, aquele trabalho era uma tortura humilhante, e faziam pela necessidade de conseguir dinheiro; para Hermes, aquilo não era nada mais que um passatempo. Afinal, dinheiro ainda tinha guardado (ele acreditava piamente que era infinito, um costume não muito agradável que trouxera da classe alta), assim como uma grande pilha de tédio.
Porém, até mesmo passatempos cansam, e ele resolveu tirar aquele restinho de semana (lê-se quinta e sexta-feira), onde já não vinham muitos clientes que procuravam por sua presença, para si. Vestiu roupas confortáveis, não se incomodou em pentear o cabelo que era normalmente tão perfeito, e decidiu que ficaria trancado em seu apartamento, sozinho com seus pensamentos, enquanto assistia a alguns filmes.
Ou, pelo menos, eram esses os seus planos.
[ MÚSICO INCORRIGÍVEL ] Eu to indo para sua casa, é bom você estar ai. Estou no meio da morte da minha carreira.
Com um breve suspiro, e tendo plena consciência que não havia tempo para fazê-lo mudar de opinião e deixá-lo em paz, ergueu-se da cama e tratou de colocar uma roupa mais aceitável e de pentear ligeiramente os fios dourados para esperar Ross e o drama que ele traria junto. Não que não estivesse acostumado com as repentinas ideias e inspiração que o rapaz procurava com Hermes entre os rebeldes, e, sinceramente, sendo o narcisista que era, adorava aquele tipo de atenção – era apenas ligeiramente frustrante ter seus planos de tranquilidade arruinados; algumas memórias ruins da classe alta batiam-lhe à porta por causa disso. Ignorou aqueles pensamentos assim que percebeu que literalmente estavam batendo-lhe à porta.
❛ Deixa eu adivinhar. ❜ foi a primeira coisa que disse, com um sorrisinho convencido, assim que abrira a porta e fazia passagem para o amigo adentrar seu apartamento. ❛ Não consegue encontrar rimas, é isso? Ou o que mais poderia estar matando a sua carreira? ❜