"Na sua opinião o erro de noventa e nove por cento das pessoas é ter vergonha de serem quem realmente são, é mentir a esse respeito, fingindo ser alguém diferente. A honestidade era sua marca, sua arma, a sua defesa. Quando somos honestos, as pessoas se assustam, ficam chocadas. Bola descobriu que tem gente que fica aferrada a constrangimentos e falsas aparências, morrendo de medo que as suas verdades possam se espalhar. Ele, porém, gostava mesmo era das coisas nuas e cruas, de tudo que fosse feio, mas honesto, das coisas sujas que faziam pessoas como o seu pai se sentirem humilhadas e enjoadas. Pensava muito sobre messias e párias, sobre homens que eram taxados de loucos ou criminosos, nobres marginais rejeitadas pelas massas inertes. O mais difícil, a verdadeira glória era ser quem a gente realmente é, mesmo quando se trata de uma pessoa cruel ou perigosa, aliás, especialmente nesses casos. É preciso ter coragem para não tentar disfarçar o animal que lhe calhou ser. Por outro lado, é preciso evitar fingir ser mais que o animal que você é: se entrar por esse caminho, se começar a enxergar ou aparentar outra coisa vai acabar se tornando outro pombinho, tão mentiroso, tão hipócrita quanto ele. Autêntico e inautentico eram palavras que Bola usava com frequência, mentalmente. Na sua opinião, esses dois termos tinham uma incrível precisão de significado, e ele os aplicava referindo-se tanto a si mesmo quanto aos outros" - Morte Súbita.
Morte Súbita

















