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Os olhos semicerrados, os lábios pressionados um contra o outro, a mandíbula travada e as mãos fechadas em punho — aquela era a imagem de uma muito, muito irritada Kitana Vega. Se tomasse um tempo para pensar logicamente, veria que não havia motivos para se irritar, até porque a notícia de que Tyrone havia acordado somente não chegara a seus ouvidos pelo que poderia ser descrito como conflito de agendas. Fazia muito pouco tempo desde sua recuperação, explicara a enfermeira que Vega não hesitou em xingar até a quarta geração. Além do mais, o hospital até havia tentado entrar em contato, mas a policial estivera ocupada demais para sequer notar as ligações. O pobre rapaz tampouco podia ser cobrado por não buscar a amiga, afinal, certamente ainda estava se acostumado com os dias fora de um sono sem fino. Mas Kit não costumava ser fria e racional, não mesmo. Era mais do tipo… fervendo e impulsiva, pronta para arrancar cabeças com as unhas cujo esmalte escuro há muito descascava. O grande fato era, na verdade, que a policial não sabia lidar com fortes emoções positivas. A alegria e o alívio de ver seu amigo de infância literalmente escapar da morte eram tão grandes que a deixavam sem saber como exatamente absorver aquelas sensações. Assim, traduzia da melhor forma que conseguia: com grosseria e impaciência. Bem, ele já a conhecia o suficiente para não esperar diferente. “Ótimo. Ainda bem que não morreu, assim eu posso matar você” Ah, doces primeiras palavras após todo aquele tempo! A bota fazia barulho no piso da casa alheia conforme pisava com força, os passos a levando mais perto do idiota sentado no sofá, com o rosto deixando claro que sua presença não era prevista. “Era difícil me avisar? Tirar um segundinho só pra falar ‘Ei, Kit, nada demais, só pra falar que eu voltei da porra dos mortos!’” Brigou com ele, dando-lhe um soco no braço assim que o rapaz se levantou. “Ou ‘ei, Kit, não precisa mais se preocupar em vir toda semana porque eu acordei dessa bosta desse coma’. Era difícil, Ty?” Kitana ainda o socou outra vez, empurrando o corpo desnecessariamente alto do outra. “Porra!” Xingou, encarando os olhos azuis que pensou por sólidos meses que nunca mais veria, e então soltou o ar. “Devia ter me ligado” Foi a última coisa que murmurou antes dos braços agirem contra as indicações daquela parte teimosa de sua mente, passando em volta do outro em um abraço tão apertado que poderia muito bem levá-lo de volta ao hospital.












