i bet you kiss your knuckles right before they touch my cheek, S&O.
Há muito não sentia-se daquela forma. Como se todo o ar do cômodo não fosse o suficiente para que os seus pulmões pudessem funcionar corretamente, como se tudo ao seu redor estivesse encolhendo, diminuindo, enclausurando-lhe à um estado de entorpecimento e completo desequilíbrio que muitas vezes era necessário medicamento para lhe fazer despertar. Era da concepção de muitos pressupor que as novas habilidades sobrenaturais pudessem lhes deixar imunes; indestrutíveis – o que, obviamente, não era exatamente o caso. Os fortaleciam, mas não lhes deixavam totalmente intactos. Seth, por exemplo, ainda lidava com os conflitos provenientes de sua própria psiquê na tentativa de adaptar-se ao novo mundo repleto de caos, destruição e hostilidade à espreita apenas aguardando um deslize para cometer um golpe fatal. Sempre fora o irmão mais centrado e relativamente estável, porém, após a mudança drástica em sua vida fora impossível não perceber os pequenos empecilhos nos quais lhe impediam de retornar às características cem por cento perfeitas que um dia tanto prezava. Por mais que tentasse esconder de todas as formas os mini ataques de pânico para parecer forte e indiferente, naquele momento em questão era impossível não perder o controle.
E aquilo lhe deixava em ruínas por perceber o quão deturpado e longínquo de suas convicções estava. Entretanto, pouco lhe importava a sua crise intrínseca diante do rapto de Callisto no qual acontecera há pouco mais de algumas horas. Superficialmente, o garoto havia retornado ao seu estado parcialmente estável; internamente, não tanto. Estava devastado. Principalmente porque nunca esperara voltar de uma das expedições em busca de alimentos e não encontrar com a garota para contá-la sobre tudo o que havia vivenciado no curto período de tempo passado no lado de fora das cercas. Um erro, de fato, porém não completamente seu. Não deveria tê-la deixado sem guarda durante a sua ausência no local, era necessário uma supervisão mais reforçada e tinha plena consciência de que uma parcela de culpa era sua. Isso lhe quebrava em pedacinhos, saber que a sua irmã havia sido retirada de seus próprios aposentos e levada por rivais para um lugar hostil, sem saber se a menina ficaria bem ou seria tratada de forma adequada; estava ansioso, furioso, inquieto. Tudo por culpa de uma briga desprezível da qual a menina nem ao menos teve culpa. A sua respiração escapava pesadamente conforme tentava acalmar-se afim de pensar com clareza no que fariam a seguir. – Como aconteceu? – Perguntou ao irmão que encontrava-se à sua frente. Seth não havia sido informado exatamente como os humanos haviam conseguido invadir o condomínio e levar Callisto sem sequer serem notados por alguém. Esfregou as mãos trêmulas por seu rosto, fitando o outro com seus olhos avermelhados e uma quase imperceptível oscilação sobressaltando em seu timbre. – Como você deixou isso acontecer?











