acompanhava os sons do passo apenas o tilintar dos metais das diferentes armas que vittorio carregava nos braços, até o coliseu do acampamento. para muitos dos semideuses, apenas a arma que sempre carregava era o suficiente para o treinamento. ou apenas as habilidades. mas nada era o suficiente para ottis. nunca, em um milhão de anos. era por isso que ele se propunha a ser o primeiro a acordar e o último a se deitar. ou talvez fosse apenas aquela rotina de anos impregnada no seu corpo, entrelaçada nas entranhas do corpo. o ritmo militar que nunca o deixara em toda a sua vida, e ele não tinha muito o que reclamar ou se opor. deu uma tossida, as várias armas escorregavam dos braços e ele tentava ajeitar. estranhamente, ele não tropeçava. seria um momento muito propício para a própria morte e ele não estava com o foco de batalha. entretanto, até mesmo o costume vencia as manias. ele repetia aquilo todos os dias por tantos anos, que até fazia sentido ele ir em paz e calmaria até o coliseu, sem nenhum arranhão. ou quase, porque uma hora ou outra alguma lâmina rasgava a pele do braço ou cutucava o peito. nada que ele não pudesse esconder no semblante impassível de sempre. suspirou quando finalmente chegou, mas não terminava por ali. não só responsável e focado, ottis tinha uma mania quase obsessiva pela organização de suas coisas. ou talvez outro fato que ele tenha apenas cultivado com as manias de sua vida. não importava, para começar ele tinha que colocar tudo em ordem. as armas que usaria para treinar pontaria, as armas que usaria para treinar precisão, as armas que usaria para treinar defesa. as armas que usaria para treinar velocidade. era tudo calculado e posto em um local específico em que ele pudesse pegar com facilidade e começar o treino.
ele começava alongando. meia hora de estalos por todo o corpo, com algumas reclamações de dor. via ou outra ele acabava pressionando demais as juntas e doía mais que o normal, senão quando ele perdia o equilíbrio e definitivamente caía. os que estavam lá podiam até ver, mas ele não ligava. não era levado a sério há tempos, ele apenas fazia em manter o foco e treinar o próprio corpo. haveria de chegar o dia em que isso não mais o inocomodaria e apenas perpetuaria o seu eu de batalha. logo em seguida ele partia para o aquecimento, este um pouco mais simples. corria por vários minutos ao redor do coliseu até que o folêgo lhe faltasse. mais um costume, mas ele ainda preferia acordar de manhã e correr pelos arredores da base. nesse momento, ottis pensa, houve algum dia em que ele pôde fazer isso nas áreas amarelas do acampamento sem ser atacado por algum monstro? sequer uma vez? não poderia nunca dizer, o que podia fazer era continuar. seu fôlego durava mais meia hora de corrida leve. então, vittorio toma uma garrafa inteira de água. a visão vai focando aos poucos enquanto ele se permite recuperar o oxigênio nos pulmões. não demora muito tempo, mas se passam alguns minutos. mais uma vez ele alonga as juntas, por puro costume. sente que depois de todo esse ritual de começo, o corpo poderia se desfazer ali. mais uma vez vittorio se pega pensando se antes de tudo ele tinha forças para durar mais tempo, para continuar com todo o fulgor. a respiração era completamente descompassada, mas ele não se daria a fraqueza de desistir, nunca.
forçando o próprio corpo a continuar, ele se pôs na primeira ilha de armas, algo que poderia recuperar o fôlego enquanto ainda treinava, a seleção de adagas em frente aos alvos de tiro ao alvo. ele respira fundo, juntando o máximo de oxigênio que consegue no pulmão e soltando de forma regular. passam alguns segundos enquanto ele tenta calcular toda a rota das adagas, mas erra a primeira. erra a segunda. erra a terceira. a raiva ataca o próprio corpo e solta a quarta sem qualquer preparação. não vai exatamente no meio, mas acerta o alvo. caso estivesse falando de pontuações, foi no aro dos 50. não foi bom, não foi nada bom, mas ele tinha que manter a calma. não havia sido ensinado a deixar-se pelas emoções, ele tinha que ser controlado e usar isso ao seu favor. girando duas adagas em ambas as mãos, ele ataca uma atrás da outra. 70. 65 pontos, respectivamente. faltavam quatro, se ele pelo menos conseguisse acertar todas. não. ele iria. controlou a respiração mais uma vez e pegou duas adagas. aquela voz bem doce soando no fundo da cabeça, a mulher que lhe ensinou tudo que sabia estava ali do seu lado, no seu espaço pessoal. “feche os olhos, se conseguir imaginar o alvo com precisão, conseguirá atirar onde bem quiser. lembre-se, não é importante atingir o centro e sim atingir você está exatamente mirando.” ele suspirou. então, abriu os olhos e arriscou as duas adagas de uma vez, as duas dividindo espaço no meio do alvo. ele não sorriu, vittorio era a pessoa mais exigente em relação a ele mesmo. não era nada bom acertar apenas na sétima e oitava tentativa. um som com a língua demonstrou sua frustração e isso foi seu deslize nas últimas adagas. não necessariamente errando, mas atingindo os extremos do alvo. ele suspirou, mais uma vez. agora, indo até o círculo e pegando todas as adagas para guardar.
agora ele pegava algumas outras armas diferentes para treinar precisão e força. dirigindo-se a um tronco robusto de madeira enquanto vários tipos de lâminas e outras coisas eram dispostas. indo de machados, a espadas, até chicotes. era uma parte mais demorada de seu treino pessoal, onde ele ia até acostumar-se nos cortes mais profundos até quantas vezes conseguia acertar o mesmo ponto. isso era crucial em suas táticas de luta. eram passadas duas horas até que ele exigisse o próximo da perfeição nessa ilha. o braço doía de forma que ameaçava a cair, o ombro quase gritava, não tinha coisa mais flamejante dos que os próprios músculos agora. ele punha-se a beber mais uma garrafa de água, respirando fundo e tentando recobrar os sentidos. ainda tinha mais pontos para passar e faria todos nem se tivesse de terminar aquele treino pela noite ou madrugada. decide juntar as últimas duas ilhas já que tinham apenas lanças para treinar. era o ponto que ele mais focava, que ele mais dava atenção. porque a arma que mais almejava a perfeição era possível de explorar em diferentes formas. começava com movimentos simples, girando a lança na mão. treinar sozinho armas de defesa era apenas decorar alguns movimen tos necessários. fosse o cabo em diagonal, horizontal ou vertical para interceptar ataques. ou a ponta da lança em ângulos diferentes para bloquear movimentos. ele repetia no mínimo cnquenta vezes aqueles movimentos, até alcançar a maior velocidade possível. é assim que ele juntava as armas de defesa e velocidade para incrementar suas habilidades. são, então, mais duas horas até que ele se dê por satisfeito. está exausto, não sabe como ainda está de pé, mas para alguém que vivia caindo por nada, não seria o cansaço que o levaria ao chão. até controlar a respiração e juntar todas as armas, ele apenas pensa o quanto precisa se esforçar mais para se tornar quem era de volta. isso sem nem saber quem ele era.