“17 Studies” é o nome do projeto de dois artistas, Miguel Rodrigues (Lisboa, 1978) e Lucas Dietrich (Áustria, 1978), que foi apresentado no Arquivo 237, nos dias 29 e 30 de Janeiro de 2016.
Neste projeto, os artistas pretendem questionar a relação que cada pessoa tem com os elementos visuais que fazem parte do seu quotidiano, partindo do princípio que muitos deles passam despercebidos ao seu olhar.
O mote do projeto é uma fotografia de uma planta, que pela sua constante repetição na exposição, nos mostra a quantidade de vezes que passamos pelas mesmas coisas e não reparamos nelas, muito em parte por nos chegar muita informação visual que o nosso cérebro sente necessidade de filtrar, não nos deixando espaço para ver coisas tão simples ao nosso redor.
Assim sendo, o projeto consistia em colocar cartazes por vários locais de passagem, divididos a meio por uma imagem e um espaço em branco, pretendendo questionar as pessoas que por ali passavam, o porquê daquele cartaz se encontrar metade em branco e fazê-las intervir graficamente na imagem. Muitos foram os resultados obtidos, desde a destruição total, até à ausência de intervenção.
A exposição estava apresentada em 5 momentos, que não se encontravam por ordem, por questões inerentes ao conceito do projeto e que pretendiam representar: o improviso, o acaso, a transitoriedade. Uma folha de instruções simulava o conceito do projeto, invertendo o processo: a folha encontrava-se na mesma dividida a meio, porém em vez da imagem na parte superior, tínhamos texto na parte inferior, para que o visitante pudesse ter a interpretação e criar uma imagem sobre o que lia.
Um aspeto fundamental para estes artistas foi a intervenção dos visitantes, quer nuns cartazes que o Miguel e o Lucas disponibilizaram em cavaletes, quer num “Kit” (cartaz c/caneta, limitando a 23 edições, com a fotografia da planta), que as pessoas poderiam adquirir, para posteriormente ser enviado para constar da exposição final, que terá lugar no Arquivo 237, já na Primavera de 2016. O percurso da exposição começava pela esquerda, o 1º momento, uma prateleira, juntava os 23 “Kits” e a respetiva caneta numerada, passando para o 5º, que consistia nos dois cavaletes dispostos um ao lado do outro, com vários cartazes, para a intervenção dos visitantes. Seguia-se o 2º/4º momento, em simultâneo, que eram a repetição das fotografias da planta e o espaço em branco à volta delas, respetivamente, finalizando com o 3º momento, uma mesa oblíqua, no centro da sala, com a reprodução das intervenções nos espaços públicos, por cima de uma folha em branco, simulando a ideia do projeto e ao mesmo tempo, criando uma dinâmica ao espaço da exposição.
Em relação ao ambiente, os artistas colocaram sons gravados nos locais públicos, bem como a captação de sons no espaço do Arquivo 237 durante o momento da exposição.
A inauguração contou com bastantes visitantes, incluindo a presença de membros do ANEXO, e com muita partilha sobre esta temática. O desafio foi muito bem aceite, resultando numa exposição muito dinâmica, à qual os artistas proporcionaram um momento de aprendizagem e consciência do meio envolvente, inserindo o público em geral, como agentes fundamentais para a existência da obra.
Miguel e Lucas pretendem também realizar esta exposição em Berlim.
Podem acompanhar este projeto no site: http://www.17studies.com/ , bem como obter informações mais detalhadas sobre este conceito/projeto e quem sabe, participar também.
Mónica Medeiros e Natacha Ribeiro Fotografia de Vinicius Ladeira